DIA SEGUINTE...
Ema
Quando os primeiros raios de sol entram no meu quarto, consigo ouvir a cantiga dos passarinhos lá fora. Estico meu corpo ainda sonolenta e bocejo preguiçosa.
— Bom dia, dia! — digo com um leve sorriso.
Sem perder tempo, me levanto, pois a rotina aqui no rancho "sol nascente" é movimentada. Mesmo sendo a proprietária e tendo funcionários para cuidar de tudo, eu gosto de participar das tarefas, colocar a mão na massa como meus pais diziam.
Com a toalha sobre o ombro, caminho até a mesinha e pego o porta-retratos onde está a foto deles. Com um misto de emoção e saudade, sussurro para a imagem:
— Jamais me esquecerei de tudo que me ensinaram e do amor que me deram, tanto a mim quanto a essa terra. Amo vocês — digo enquanto meus dedos delicadamente acariciam o retrato.
Suspirando, continuo em direção ao banheiro. A dor da saudade dos meus pais aperta às vezes, mas sei que preciso ser forte. O acidente de carro que os tirou de mim foi terrível, lembro que eu estava na biblioteca da faculdade quando recebi a ligação.
Por mais que eu fosse muito jovem ingressei na faculdade logo que terminei meus estudos, mas isso eu fiz mais para agradar meus pais mesmo, já que nunca foi meu sonho fazer faculdade.
Enquanto tiro a roupa, ligo o chuveiro e entro debaixo da água, minha mente viaja, e lembro-me do meu pai me dizendo:
"É apenas um teste, querida. Se você não gostar, pode voltar. Nunca iremos te obrigar a fazer algo que não queira."
Suas palavras ressoam em minha mente enquanto minhas lágrimas se misturam com a água do chuveiro.
— Eu voltei, pai... mas vocês já não estavam mais aqui... — murmuro entre soluços.
Respirando profundamente, recomponho-me e termino rapidamente o banho. Saio do banheiro envolta na toalha, sentindo o frescor matinal. Dirijo-me ao guarda-roupa e escolho uma calça jeans confortável e uma camiseta xadrez vermelha com listras pretas. A roupa é prática e ideal para o trabalho que me espera.
Após me enxugar, começo a me vestir. Primeiro, a calça jeans, que se ajusta perfeitamente ao corpo, e depois a camiseta, cujo tecido macio me traz uma sensação de aconchego.
Nos pés, calço minhas botas pretas. Embora goste de andar descalça e sentir o chão sob meus pés, hoje preciso das botas, pois irei tocar os gados de um pasto para outro.
Já vestida, pego o secador e começo a secar meus cabelos, observando os fios dançarem ao vento quente. Uma vez secos, faço uma trança lateral, prática e elegante, que me permitirá trabalhar sem que os cabelos atrapalhem.
Passo protetor solar no rosto e nas mãos, lembrando-me das palavras de minha mãe sobre cuidar da pele sob o sol forte do rancho. Finalmente, estou pronta para o dia.
Olho-me no espelho do guarda-roupa, uma mulher decidida e forte, pronta para encarar qualquer desafio. Sorrio para meu reflexo e, com determinação, digo:
— É isso aí.
Me encaminho para fora do quarto, indo em direção à cozinha. O assoalho de madeira range sob meus pés, emitindo um som familiar e acolhedor. Cada rangido é um lembrete das manhãs que passei aqui, das memórias que se entranharam nesta casa.
Enquanto caminho, o aroma reconfortante de café recém-coado invade meus sentidos, me dando água na boca. Respiro fundo, apreciando o cheiro que se mistura ao ar fresco da manhã, trazendo uma sensação de paz e aconchego.
Ao me aproximar da cozinha, avisto Tere, colocando o café na mesa. Seus cabelos grisalhos estão presos em um coque apertado, e suas mãos ágeis trabalham com uma eficiência que só a experiência traz.
Ela me vê e sorri, um sorriso caloroso que ilumina seu rosto. Vou até ela e, com um beijo carinhoso de bom dia, digo:
— Bom dia, Tere.
— Bom dia, minha querida. Dormiu bem? — ela pergunta, sua voz suave e acolhedora.
— Dormi sim, Tere. E esse café está com um cheiro maravilhoso, como sempre — respondo, sentando-me à mesa e servindo-me de uma xícara fumegante.
Ela ri, um som que sempre me acalma.
— Fico feliz que goste. Preparei também umas torradas e frutas para você — diz, apontando para a mesa generosamente farta.
Enquanto me sirvo, pergunto:
— E cadê o Lucas e o tio Joaquim? — indago enquanto mordo uma torrada com geleia de goiaba, minha preferida.
— Não faz muitas horas que saíram, minha menina. O Lucas disse que iria reunir o gado antes de você — responde Tere, com um sorriso de satisfação.
Sorrio e, levantando-me, bebo o café rapidamente, quase me queimando.
— Que isso, menina! Senta e come direito — diz Tere, olhando-me com o cenho franzido.
Ainda sorrindo, caminho até ela, dou um beijo no rosto da mesma e digo:
— Não dá, Tere. Não quero me atrasar mais do que já estou. O Lucas é um metido e pensa que vai ficar com toda a diversão, mas eu não vou deixar. Até mais, Tere.
Ela balança a cabeça, sorrindo, enquanto eu prossigo para o estábulo. O ar fresco da manhã me revigora, e o som dos animais ao longe me lembra da rotina do rancho. Caminho com passos rápidos, determinada a alcançar Lucas e tio Joaquim.
Chegando ao estábulo, sinto o cheiro familiar de feno e cavalos. Os animais estão calmos, mas atentos à minha presença. Escolho meu cavalo, um belo alazão chamado Estrela, que relincha suavemente ao me ver. Acaricio seu pescoço, murmurando palavras de carinho, enquanto preparo a sela e as rédeas.
Com tudo pronto, monto em Estrela e respiro fundo, sentindo a adrenalina começar a subir. As colinas ao longe e a vastidão do rancho são um convite à liberdade, e a sensação de estar montada em meu cavalo me dá uma força indescritível.
— Vamos lá, Estrela. Temos um dia cheio pela frente — digo, dando um leve toque com os calcanhares para que ele comece a trotar.
Enquanto nos afastamos do estábulo, o vento suave da manhã brinca com minha trança e o sol começa a esquentar. A sensação de estar conectada à natureza, de ser parte do ciclo de vida do rancho, me preenche de gratidão e propósito.
Cavalgando em direção ao campo, vejo ao longe Lucas e tio Joaquim já ocupados com o gado. Lucas olha em minha direção e acena, um sorriso de desafio no rosto. Eu retribuo o aceno, pronta para mostrar que, mesmo sendo a dona do rancho, não fujo do trabalho duro e das responsabilidades.
Mas então, de repente, um zumbido alto atravessa o céu, como um ronco de motor. Olho para cima, tapando um pouco o rosto devido ao sol quente, e vejo o que parece ser um drone.
Mais à frente, noto os gados ficando agitados. Toco Estrela e me aproximo de tio Joaquim e Lucas, perguntando:
— O que foi? Por que eles estão agitados?
Lucas me olha e diz:
— É esse treco voando aqui por cima que está assustando eles.
Com o cenho franzido, olho ao redor e digo:
— Mas quem está controlando isso?
É então que avisto lá longe, na sua propriedade, parado no meio do pasto com seus homens, Mark controlando o drone.
— Mas o que esse idiota está fazendo? — digo, olhando fixamente na direção dele.
Viro-me para Lucas e digo:
— Lucas, vai até a cerca e diga para aquele infeliz tirar o drone de cima da nossa propriedade, está assustando o gado.
Lucas assente e se afasta, enquanto eu ajudo tio Joaquim com o gado.
— Esse rapaz está doidinho por confusão, filha, tome cuidado — murmura tio Joaquim, enquanto conduzimos os animais.
Observo Lucas ao longe, conversando e gesticulando com Mark. Volto-me para tio Joaquim e digo:
— Pois é, ele também deveria tomar cuidado.
Lucas retorna a galope, visivelmente irritado.
— Ele disse que está testando o drone, que o céu não é nossa propriedade e que não tem culpa se o gado ficou assustado. Segundo ele, isso não é problema dele.
Enquanto Lucas fala, o drone ainda sobrevoa nossas cabeças, zumbindo irritantemente.
— Ah, aquele infeliz... Me dê seu laço, Lucas — digo, estendendo a mão.
— O que você vai fazer, Ema? — Lucas me entrega o laço, olhando-me com o cenho franzido e desconfiado.
— Ô filha, não vá cair na provocação dele — adverte tio Joaquim.
— Não se preocupem — respondo, tocando Estrela e fazendo-o correr ao máximo.
Aproximo-me do drone, o zumbido ficando mais alto à medida que me aproximo. Começo a girar o laço acima da minha cabeça, mirando no dispositivo voador.
— Quer brincar, não é, Mark? Então aguente as consequências — murmuro, concentrada.
Com um movimento rápido e preciso, lanço o laço. O laço se enrosca no drone, e puxo com toda a minha força. O drone vacila no ar, balança descontrolado e, finalmente, é puxado para o chão, caindo com um estrondo no meio do pasto.
— Isso deve resolver o problema — digo, ofegante, mas satisfeita.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Eliene Lopes
era bom que fosse uma espingarda e metia tiro no drone kkkkkk e ainda depois apontava pro dono dele em tom de ameaça kkkk
2025-02-15
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Sara Martins Martins
isso ai gostei ema
2025-02-13
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Valcicleia Ribeiro
Ema é determinada 😂
2024-11-14
0