Ema
Enquanto retornamos para perto de Lucas e tio Joaquim, o sol da manhã se intensifica, e eu olho para Mark e pergunto:
— Quer continuar, ou prefere começar oficialmente amanhã?
Ele sorri caminhando ao meu lado, segurando seus sapatos na mão, enquanto me diz:
— Vamos até o fim. Já começamos, agora é só seguir. E então, qual vai ser a próxima lição?
Sorrio, e chegando próximo a Lucas e tio Joaquim, digo a ele:
— Você já saberá.
— Lucas, sele um cavalo. Na verdade, sele dois: um para mim e outro para Mark — digo olhando para Lucas.
— O que? O que está acontecendo, filha? — pergunta tio Joaquim, olhando de mim para Mark.
— Ele quer aprender sobre a terra, sobre a vida no campo. E eu vou ajudá-lo.
Tio Joaquim olha fixamente para Mark, que o encara de volta. Lucas quer questionar, mas eu lanço um olhar para ele que o mesmo entende e sai, indo selar os cavalos, não parecendo muito contente.
— Espero que saiba o que está fazendo, Ema — murmura tio Joaquim, seus olhos cheios de preocupação e desconfiança.
— Eu também espero, tio — respondo, tentando transmitir mais confiança do que realmente sinto. — Mas todos merecem uma chance de aprender e mudar.
Mark e eu esperamos em silêncio até que Lucas retorna, guiando os cavalos selados. Ele entrega as rédeas de um dos cavalos a Mark, que olha para o animal com um misto de fascínio e apreensão.
— Já montou um cavalo antes, Mark? — pergunto, observando sua reação.
— Não. Mas estou pronto para aprender — diz ele, determinado.
— Ótimo. Vamos começar com algo simples. Primeiro, aproxime-se devagar, deixe-o sentir sua presença — explico, demonstrando com meu próprio cavalo.
Mark segue minhas instruções, aproximando-se do cavalo com cuidado. Ele imita meus movimentos, passando a mão pelo pescoço do animal, tentando se familiarizar com ele.
— Muito bem. Agora, coloque o pé no estribo e suba devagar — digo, montando meu cavalo com facilidade.
Mark tenta, e apesar de um momento de hesitação, consegue montar. Ele se ajeita na sela, olhando para mim em busca de aprovação.
— Nada mal para a primeira vez. Vamos dar uma volta para você se acostumar — digo, guiando meu cavalo em um ritmo lento.
Caminhamos pelo campo, o som dos cascos dos cavalos batendo contra a terra ecoando ao nosso redor. Mark começa a relaxar, ajustando-se ao movimento do cavalo.
— A vida aqui é muito diferente do que estou acostumado — comenta ele, observando a paisagem ao nosso redor.
— É, mas é uma vida rica em lições e recompensas. Você verá — respondo, sentindo uma conexão crescente com ele.
Eu então olho para ele sorrindo e prossigo dizendo:
— Vamos, Mark! Vamos correr.
E assim toco o cavalo dele, e o mesmo sai disparado.
— Ahhhhh! Eu vou cair, Ema! Como para esse bicho!? — grita ele ao longe, enquanto o cavalo galopa velozmente pelo pasto.
— Apenas sinta, Mark... sinta a conexão com tudo ao seu redor — sussurro, observando-o à distância.
— Ema! Socorro! — grita ele novamente, sua voz cheia de pânico.
Dou um pequeno sorriso e saio em disparada com meu cavalo em sua direção para ajudá-lo.
— Vamos, Estrela — digo para meu alazão. — Acho que peguei pesado com ele, não é? Vamos lá, ele precisa da nossa ajuda.
Acelero o passo, sentindo o vento em meu rosto e o coração pulsando de adrenalina. Ao me aproximar de Mark, vejo o desespero em seus olhos enquanto ele se esforça para manter o controle do cavalo.
— Mantenha-se calmo, Mark! Não puxe as rédeas com força — grito, tentando me fazer ouvir acima do som dos cascos.
Alinho meu cavalo ao lado do dele, estendo a mão para alcançar as rédeas.
— Pegue minha mão! — digo, tentando guiá-lo.
Mark estende a mão tremendo e, com um esforço conjunto, consigo pegar as rédeas do cavalo dele, desacelerando-o gradualmente até que ambos paramos em um trote suave. Ele respira pesadamente, olhos arregalados de medo e excitação.
— Isso foi... — começa ele, ainda ofegante.
— Intenso? — termino por ele, sorrindo. — Você fez um bom trabalho, Mark. Agora, só precisa aprender a relaxar e a confiar no cavalo.
Ele assente, ainda ofegante, e então, olhando para ele, dou um suspiro profundo e digo:
— Mas, para ser sincera, eu peguei pesado com você. Você não estava preparado. Desculpe por isso.
Mark solta uma risada nervosa, passando a mão pelo cabelo desgrenhado.
— Foi intenso mesmo, mas acho que precisava disso para sair da minha zona de conforto. Obrigado por não me deixar cair — diz ele, com um sorriso genuíno.
Sinto um misto de culpa e alívio ao ver sua disposição. É claro que ele está comprometido, mas preciso ser mais cuidadosa com os próximos passos.
— Vamos pegar leve a partir de agora — digo, sorrindo de volta. — A conexão com a natureza é algo que se constrói com paciência e respeito.
Continuamos cavalgando, desta vez em um ritmo tranquilo, observando a paisagem ao nosso redor. O sol está alto, aquecendo a terra e iluminando o verde das pastagens. Passamos por um pequeno riacho, onde os cavalos bebem água enquanto nós descansamos um pouco à sombra de uma árvore frondosa.
— Ema, me conta mais sobre a reserva natural que você mencionou — pede Mark, visivelmente mais calmo e curioso.
— A reserva é uma parte importante da nossa propriedade. Sempre a mantivemos intocada, permitindo que a fauna e a flora locais florescessem. É um lugar onde podemos aprender muito sobre a vida selvagem e a importância de preservar o meio ambiente — explico, com paixão na voz.
Ele escuta atentamente, seus olhos brilhando com um novo interesse.
— Isso é incrível. Eu nunca pensei em como a preservação poderia ser tão crucial para um negócio agropecuário. Sempre vi a terra apenas como um recurso a ser explorado — admite ele, pensativo.
— E é aí que você pode fazer a diferença, Mark. Integrar práticas sustentáveis no seu empreendimento pode ser benéfico não apenas para o meio ambiente, mas também para a comunidade local e para a qualidade dos produtos que você vai oferecer — digo, sentindo uma nova onda de esperança crescer dentro de mim.
Mark acena, absorvendo minhas palavras.
— Quero aprender tudo isso, Ema. Quero fazer parte dessa mudança.
Sorrio, sentindo que estamos no caminho certo. Embora a jornada à frente possa parecer incerta, estou confiante e acredito que tudo se alinhará como deve ser.
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Atualizado até capítulo 47
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