Ema
Enquanto dirijo de volta para o rancho, minha mente é um turbilhão de emoções. As lágrimas invadem meus olhos, turvando minha visão, enquanto bato no volante, tentando liberar a raiva e a frustração que sinto.
— Seu idiota! Eu te odeio, Mark! Te odeio! — grito, pisando fundo no acelerador da caminhonete.
A estrada de terra passa rapidamente sob os faróis, o ruído dos pneus misturando-se com os sons noturnos do campo. Cada ruído parece ecoar no silêncio da noite, mas a dor dentro de mim não diminui.
A lembrança do que aconteceu, das palavras dele, da minha faca no seu pescoço, tudo se mistura em um redemoinho de emoções que não consigo controlar.
O rosto dele, aquele sorriso provocador, sua voz insinuante, tudo isso me irrita profundamente. Mas, ao mesmo tempo, há algo mais que não consigo entender completamente. Por que suas palavras me feriram tanto?
Minhas mãos tremem no volante, e meus pensamentos correm descontrolados. Lembro-me de seus olhos fixos em mim, da intensidade do momento em que tudo pareceu parar. Há algo mais profundo em jogo aqui, algo que vai além das nossas disputas por terras. E isso me assusta.
Chego ao rancho e estaciono bruscamente a caminhonete, desligando o motor com um movimento abrupto. Fico sentada por um momento, tentando recuperar o fôlego e acalmar meu coração que bate descontroladamente. As lágrimas continuam a cair, mas agora mais silenciosamente, escorrendo pelo meu rosto.
Desço da caminhonete e caminho em direção à casa, o ar frio da noite ajudando a clarear minha mente. Abro a porta da frente e sou recebida pelos olhares preocupados de Tere, Lucas e tio Joaquim, que se levantam imediatamente ao me ver.
— Ema, o que aconteceu? — pergunta Tere, sua voz cheia de preocupação.
Tento responder, mas minha voz falha. As palavras ficam presas na garganta, e tudo o que consigo fazer é balançar a cabeça, tentando indicar que estou bem, apesar de tudo.
— Ema? O que aquele maldito te fez!? Eu vou matá-lo! — diz Lucas, parecendo perturbado, se aproximando de mim.
Engulo em seco, mas antes de responder, tio Joaquim diz:
— Cale a boca, menino. Você não vai matar ninguém. Deixe a filha falar.
Olho para eles, segurando as lágrimas que insistem em querer cair novamente. Suspirando profundamente, digo:
— Ele não me fez nada, além de me irritar. Eu estou bem, pessoal. Só preciso ficar sozinha agora.
Eles trocam olhares, claramente preocupados, mas assentem, respeitando meu desejo. Caminho em direção ao meu quarto, sentindo o peso da noite e dos acontecimentos caírem sobre mim. Fecho a porta atrás de mim e me sento na cama, olhando para o vazio.
A raiva e a tristeza ainda estão presentes, mas agora há uma camada de cansaço que se sobrepõe a tudo. Deito-me na cama, abraçando um travesseiro, tentando encontrar algum conforto. A imagem de Mark continua a invadir meus pensamentos, e não consigo afastar a sensação de que, de alguma forma, tudo mudou entre nós.
Fecho os olhos, tentando acalmar minha mente. Não sei o que o futuro reserva, mas sei que, de alguma forma, precisarei enfrentar esses sentimentos e encontrar uma maneira de seguir em frente.
No entanto, antes de finalmente adormecer, uma última onda de angústia me atinge. Levanto-me da cama e vou até a janela, olhando para o céu estrelado. A noite está calma, mas dentro de mim há uma tempestade.
Penso na bravata de Mark, na intensidade de seus olhos, e na forma como ele conseguiu me tirar do sério como ninguém havia feito antes. Volto para a cama, exausta, e tento me concentrar na respiração, buscando uma calma que parece estar fora de alcance.
Enquanto o sono finalmente me envolve, uma única pergunta ecoa em minha mente: por que ele conseguiu me afetar tanto? É uma questão que não consigo responder, mas sei que precisarei encontrar uma resposta se quiser seguir em frente.
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Atualizado até capítulo 47
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