DIA SEGUINTE
Ema
Enquanto estamos tomando café da manhã, Lucas adentra rapidamente na cozinha.
— Ele está aqui novamente, Ema. Que inferno que esse cara não para de rondar.
Suspiro profundamente e deixo a xícara de café sobre a mesa.
— O que ele quer? — pergunto, olhando para Lucas.
— Ele disse que quer conversar, que é sério — diz Lucas, me olhando profundamente.
Tere e tio Joaquim, que até então ouviam tudo em silêncio, trocam um olhar significativo.
— Eu vou lá, filha, avisar que você já irá. Vamos, Lucas — diz tio Joaquim, se levantando e indo com Lucas logo atrás.
Assim que ficamos somente eu e Tere, ela puxa a cadeira na minha frente e se senta, pegando minha mão.
— Agora, minha menina, você pode dar uma chance para ele. A tapeçaria do destino de vocês foi desmaranhada, ajustada em uma nova rota. Uma oportunidade de crescimento, redenção e aprendizado. Vá, filha, ensine-o, ensine-o sobre como liderar com amor.
Olho para Tere, sentindo a sabedoria e a serenidade em suas palavras. Respiro fundo, tentando acalmar a agitação em meu coração. As lembranças das visões, das palavras de Mark e das sensações intensas ainda me permeiam.
— Tere, você acha que ele realmente pode mudar? — pergunto, insegura.
Ela sorri, aquele sorriso que sempre me trouxe conforto.
— Acredito que todos podem mudar, Ema. Mas a mudança só acontece quando estamos dispostos a abrir nossos corações e mentes. Ele pode estar precisando da sua orientação, da sua força. E você, minha menina, tem uma luz dentro de si que pode iluminar o caminho dele.
Assinto, sentindo um pouco da minha resistência se desfazer. Levanto-me da mesa e ajusto minha postura, preparando-me para enfrentar mais um encontro com Mark.
— Obrigada, Tere. Eu vou tentar.
Saio da cozinha e caminho em direção à varanda, onde Mark está esperando. Ele se vira ao me ouvir se aproximar, seus olhos carregando uma mistura de esperança e apreensão. Paro a alguns passos dele, cruzando os braços.
— O que você quer, Mark? — pergunto, tentando manter minha voz firme.
— Eu quero aprender, Ema. Eu quero entender este lugar, as pessoas, a terra. Quero fazer algo que realmente importe, quero transformar as terras que comprei nesta região em um grande negócio agropecuário. E sei que você me quer longe, mas preciso da sua ajuda para isso.
Suspiro profundamente e, colocando as mãos no bolso de trás da minha calça jeans, digo:
— Vamos, Mark. Vamos dar uma caminhada no rancho e você me diz mais sobre seus planos.
Ele assente e me acompanha enquanto caminhamos. Olho para Lucas e tio Joaquim, assentindo a eles que está tudo bem.
— E então você pode me ensinar? Eu pago, Ema. Pago o que for preciso a você — diz ele, me olhando.
Enquanto a luz da manhã nos contempla, uma leve brisa balança meus cabelos soltos.
— Calma aí, não estamos falando de dinheiro. Quero que me conte o que pretende com isso, pois até dias atrás você queria comprar meu rancho e transformar tudo em um shopping. O que mudou, Mark?
Mark suspira, olhando para o horizonte por um momento antes de voltar a me encarar.
— Muito mudou, Ema. Eu vi a paixão que você tem por essa terra, pela sua gente. E também tive uma espécie de epifania... Algo que me fez perceber que estou no caminho errado. Eu cresci cercado de ambição e negócios, mas nunca parei para entender o que realmente importa. Agora, quero construir algo que respeite a natureza e beneficie as pessoas daqui. Algo que eu possa me orgulhar.
Paro e o olho mais de perto, tentando avaliar a sinceridade em suas palavras. Ele parece genuíno, e algo dentro de mim quer acreditar.
— Tudo bem, Mark. Vou te dar uma chance. Mas saiba que isso não será fácil. Se você realmente quer aprender, terá que se comprometer de verdade. Vamos começar do zero. E não é apenas sobre aprender a trabalhar a terra, mas sobre entender o que significa fazer parte deste lugar.
Mark sorri, aliviado e determinado.
— Obrigado, Ema. Eu prometo que vou dar o meu melhor.
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Atualizado até capítulo 47
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