Mark
E aqui estou eu, ao lado de Gerald, na feira desta cidade. O local está movimentado com várias barracas coloridas, exibindo uma grande quantidade de produtos artesanais dos produtores da região. Crianças correm de um lado para o outro, suas risadas reverberando no ar, mas neste instante, eu procuro uma pessoa em específico no meio dessa multidão.
Então, meus olhos a capturam. Ela está ao lado de uma senhora negra e daquele garoto que neste momento coloca várias caixas na barraca. Meus olhos analisam Ema com precisão. É a primeira vez que a vejo de vestido, e não consigo desviar os olhos. Ela está simplesmente perfeita.
Enquanto Gerald compra algumas coisas nas barracas próximas, meus olhos permanecem fixos nela.
— Ema... — sussurro ainda a olhando.
É como se minhas palavras fossem carregadas pela brisa da tarde até ela. Ema me olha no exato momento, fica paralisada por um segundo, mas logo volta a atender as pessoas que chegam à sua barraca, me ignorando por completo.
— Vamos, Gerald, até lá — digo, apontando para a barraca dela.
Gerald se aproxima com algumas sacolas e me diz com seu tom calmo:
— Senhor, acho que pode não ser uma boa ideia. A senhorita pediu para o senhor ficar longe dela, como o senhor mesmo disse. Ir até lá pode causar confusão.
— Bobagem, isso é uma feira, e eles são vendedores, e nós, compradores. Não estou fazendo nada de errado — digo confiante.
Gerald assente, entregando as sacolas aos seguranças atrás de nós, e caminhamos até a barraca de Ema. Meus passos são decididos. "Você não vai se livrar de mim assim tão fácil, Ema", penso enquanto me aproximo.
— Boa tarde! — digo, parando na frente da barraca.
A senhora me olha com olhos que parecem querer me estilhaçar, assim como o garoto.
— Pois não, o que deseja? — diz a senhora em um tom visivelmente ríspido.
Mas meus olhos se fixam em Ema, que tenta a todo custo não olhar para mim. Ela está em um canto da barraca vendendo o que parecem ser geleias em pote.
— Essas geleias parecem deliciosas, quero comprar uma — digo, olhando em sua direção.
O garoto se apressa, respondendo com certa brusquidão:
— Eu pego para você.
— Não. Quero ser atendido por ela — aponto para Ema.
— Olha aqui, seu infeliz, não ouse... — ele começa a dizer, mas é interrompido por Ema.
— Está tudo bem, Lucas. Eu o atendo sem problemas.
Ela lança um olhar significativo para a senhora, que assente. E então se vira para mim.
— Então, o que vai ser? Qual sabor vai querer?
Me encaminho mais para o lado dela, meus olhos buscando os seus a todo momento.
— Tem alguma sugestão? — digo, tentando captar a atenção dela.
Ema respira fundo, tentando manter a compostura. Finalmente, ela levanta os olhos e os fixa nos meus.
— A de amora é a mais popular. E a de goiaba, minha preferida — diz ela, num tom profissional, mas não consegue esconder a tensão na sua voz.
— Vou querer a de goiaba então. Se é sua preferida, deve ser muito boa — respondo, ainda tentando manter o contato visual.
Ema pega um pote de geleia de goiaba e o entrega a mim. Nossos dedos se tocam por um breve momento, e sinto uma corrente elétrica percorrer meu corpo. Ela, no entanto, mantém a expressão neutra, como se fosse apenas mais uma venda.
— Aqui está. Vai querer mais alguma coisa? — pergunta, evitando olhar diretamente para mim.
— Não, isso é tudo por enquanto. Obrigado, Ema — digo, colocando o dinheiro na mesa e segurando o pote de geleia.
Enquanto me afasto, me junto a Gerald e os seguranças, atentos a qualquer sinal de problema. Eu ainda sinto o olhar da senhora e do garoto, Lucas, em mim, mas mantenho a cabeça erguida. Não vou desistir tão facilmente.
Enquanto caminho, sinto um misto de satisfação e frustração. Satisfação por tê-la visto, por tê-la feito me notar, mas frustração porque sei que isso é apenas o começo.
Gerald se aproxima, olhando-me com preocupação.
— Tudo bem, senhor?
— Sim, Gerald. Tudo bem. Vamos continuar — respondo, tentando esconder a turbulência interna que a breve interação com Ema provocou.
O restante da feira passa em um borrão de cores e sons, mas meu foco permanece nela, mesmo quando estamos longe de sua barraca. Essa pequena interação me deu um vislumbre de esperança, mas também me fez perceber que Ema é mais forte e determinada do que eu imaginava. Isso só a torna mais fascinante.
De repente, em determinado momento, enquanto observo o garoto e a senhora atenderem algumas pessoas, vejo Ema sair correndo por entre a multidão. Olho para Gerald, que está pedindo ajuda aos seguranças com as sacolas, e aproveito a distração para sair sem ser notado. Começo a correr atrás de Ema, mas percebo que ela não está fugindo, parece estar seguindo alguém.
Vejo ela desaparecer entre as árvores, entrando na floresta densa que circunda a cidade. Paro por um momento, ofegante, ao perceber que já estou bem longe do movimento da feira. Mas, determinado, continuo e adentro a floresta também.
O caminho entre as árvores é estreito e sinuoso, e a vegetação densa dificulta a passagem. A luz do sol é filtrada pelas copas das árvores, criando um ambiente sombrio e misterioso. Ouço o som das folhas secas e galhos quebrando sob meus pés, mas continuo avançando, seguindo a trilha deixada por Ema.
A floresta se aprofunda, e o som distante da feira desaparece completamente, deixando apenas o som da natureza ao meu redor. Meus pensamentos se concentram em Ema. Por que ela entrou aqui? O que ela está procurando?
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Atualizado até capítulo 47
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