(DIA SEGUINTE)
Ema
Aqui estou eu, fechando a fivela do meu cinto. Já é noite e me preparo para o tal jantar com Mark. Escolhi uma calça jeans com cinto e uma camiseta preta simples. Calço minha pequena botina e deixo meus cabelos soltos. Me olhando no espelho, murmuro:
— Perfeito.
Já pronta e saindo do quarto, meus olhos vagueiam para meu canivete na mesinha. Pondero se devo levá-lo ou não, e acabo pegando-o, colocando-o na cintura de forma discreta.
— Droga, Ema! — digo para mim mesma, saindo do quarto.
Ao chegar na sala, encontro Tere, Lucas e tio Joaquim me olhando preocupados.
— Tome cuidado, minha menina — diz Tere, enquanto eu assinto.
— Filha, não é melhor o Lucas ir com você? — pergunta tio Joaquim, me olhando.
— Está tudo bem, pessoal, não se preocupem, eu sei me defender.
— Ema, por favor, me deixe ir junto. Eu posso ficar na caminhonete te esperando, mas me deixe ir. Eu não confio naquele engomadinho de merda — diz Lucas, me olhando profundamente e visivelmente preocupado.
— Não, eu não sou criança, Lucas. Sei me virar sozinha. Até mais, pessoal — digo, já saindo, ansiosa para acabar logo com isso.
Assim que saio para fora, o ar gélido da noite me envolve, enquanto ouço o som de sapos cantando ao longe. A noite parece estar levemente agitada. Olho para o céu estrelado acima de mim e dou um leve suspiro, encaminhando-me sem demora para minha caminhonete prata. Adentro o veículo e dou partida logo em seguida.
A estrada de terra é iluminada apenas pelos faróis da caminhonete, e o caminho até a fazenda que agora pertence a Mark parece mais longo do que nunca. Minha mente vaga, pensando no que me espera neste jantar. Mark é um enigma, e não sei bem o que esperar.
Chegando à entrada da fazenda, noto a grande casa iluminada à distância. Respiro fundo, tentando acalmar meus nervos. Desço da caminhonete, sentindo o ar fresco da noite. A brisa suave mexe nos meus cabelos, e o som dos grilos cria uma sinfonia ao meu redor.
Caminho em direção à entrada da casa, cada passo ecoando na minha mente. Ao me aproximar, vejo Mark parado na varanda, me esperando. Ele sorri ao me ver, um sorriso que parece sincero, mas ainda assim, mantenho minhas reservas.
— Boa noite, Ema. Fico feliz que tenha vindo — ele diz, descendo os degraus para me encontrar.
— Boa noite, Mark. Vamos logo com isso — respondo, tentando manter a compostura.
Ele me conduz até a porta, abrindo-a, e assim que adentramos, vejo uma sala de jantar elegantemente arrumada. A iluminação suave e a disposição cuidadosa da mesa criam uma atmosfera acolhedora e sofisticada. Assim que nos aproximamos, noto um senhor alto parado próximo à mesa.
— Este é Gerald, meu mordomo — diz Mark, apresentando o senhor.
— Boa noite, senhorita. É um prazer finalmente conhecê-la e tê-la conosco esta noite. Por favor, sente-se; o jantar já será servido — diz Gerald com uma voz profunda e polida, logo se retirando para preparar o serviço.
Assinto, e Mark, apressado, vem até mim, afastando a cadeira para eu me sentar.
— Vamos, sente-se, Ema — diz ele, me olhando atentamente.
Sento-me, ainda um pouco desconfiada, enquanto Mark se posiciona à minha frente. Ele sorri, tentando criar uma atmosfera de conforto.
— Espero que você goste da refeição. Pedi para o chef preparar algo especial — diz ele, enquanto Gerald retorna com uma garrafa de vinho, servindo nossas taças com precisão.
— À paz e ao entendimento — diz Mark, erguendo sua taça.
— À paz — respondo, tocando minha taça na dele.
O primeiro prato é servido: uma salada caprichada, com ingredientes frescos e um molho delicioso. Enquanto como, minha mente continua analisando cada detalhe da noite.
— Então, Ema, me conte mais sobre sua vida no rancho — diz Mark, tentando iniciar uma conversa.
— Bem, a vida no rancho é trabalho duro, mas é gratificante. Cada dia é diferente, e cada estação traz seus próprios desafios — respondo, ainda cautelosa.
— Deve ser muito trabalho. Imagino que não tenha muito tempo para relaxar — comenta ele, interessado.
— É verdade. Mas eu amo o que faço, então não me importo — respondo, sentindo-me um pouco mais à vontade.
Gerald retorna com o prato principal: um suculento filé mignon acompanhado de vegetais assados. O aroma é irresistível, e não posso deixar de apreciar o cuidado com que foi preparado.
— Isso parece incrível — digo, enquanto começo a comer.
— Fico feliz que esteja gostando — responde Mark, sorrindo.
Conforme a noite avança, a conversa flui de maneira mais natural. Falo sobre meus pais, sobre como eles me ensinaram a amar a terra e a valorizar o trabalho duro. Mark escuta atentamente, compartilhando suas próprias histórias.
— Entendo, Ema. Meu pai também foi quem me ensinou tudo sobre o ramo imobiliário, no qual atuo hoje. Após sua morte, fiquei desolado, mas tive que ser forte e tocar os negócios com pulso firme. Isso só fez com que a empresa se expandisse ainda mais. Minha mãe, por outro lado, vive viajando. Mas não a culpo, ela já fez muito por mim.
Sinto um misto de empatia e surpresa ao ouvir isso. Mark, com toda sua fachada de empresário frio, também tem suas dores e desafios. As camadas começam a se desfazer, revelando a humanidade que ele esconde por trás da imagem de homem de negócios.
— Imagino que não deve ter sido fácil para você — digo, tentando demonstrar compreensão.
Ele balança a cabeça, pensativo.
— Não foi. A responsabilidade era enorme, e muitas vezes me senti sobrecarregado. Mas também me ensinou a ser resiliente e a lutar pelo que quero.
Gerald retorna com a sobremesa: uma torta de maçã quente, acompanhada de sorvete de baunilha. O aroma doce e reconfortante preenche a sala, e não posso deixar de sorrir.
— Espero que goste — diz Mark, notando minha expressão.
— Certamente irei — admito, pegando uma colherada.
O silêncio confortável que se segue é preenchido apenas pelo som das colheres contra os pratos. A sobremesa é deliciosa, e a atmosfera parece mais leve, menos carregada de tensão.
No entanto, o silêncio confortável da sala é abruptamente interrompido por Mark, que, após pigarrear levemente, pergunta:
— Aquele matu... digo, aquele garoto é seu namorado?
Meus olhos se arregalam no exato momento em que levo uma colherada da sobremesa à boca, o que me faz quase engasgar. Começo a tossir e tomo rapidamente um pouco de água para me recompor. Ainda atordoada, respondo apressadamente:
— Por Deus, não. O Lucas é como um irmão para mim. Crescemos juntos no rancho.
Percebo algo estranho na expressão de Mark e, o olhando de maneira avaliativa, digo:
— Espera aí, o que isso tem a ver? Por que está perguntando da minha vida pessoal? Isso não te interessa.
Ele dá um sorrisinho de canto, leva a taça de vinho à boca e, após um gole, me olha fixamente, dizendo:
— Na verdade, me interessa e muito. É interessante ver esse seu outro lado, a maneira como ficou nervosa. Você pode até ser determinada e astuta para os negócios, Ema, mas creio que na vida pessoal e íntima é apenas um bichinho assustado. Acertei?
Meu coração se acelera, minha boca seca, e é como se eu pudesse ouvir as batidas frenéticas do meu próprio coração diante de suas palavras provocativas. Sem raciocinar muito, literalmente arranco meu canivete da cintura e me lanço por cima da mesa, derrubando nós dois no chão.
Fico por cima dele, pressionando o canivete contra seu pescoço, e digo ríspida:
— Nunca mais, nunca mais fale da minha vida como se me conhecesse. Eu devia suspeitar que todo esse teatrinho estava bem orquestrado, não é? Não pense que me conhece, porque você não conhece, seu babaca.
Mark não parece assustado; na verdade, ele sorri, um sorriso perigoso.
— Calma, Ema. Eu só queria ver a verdadeira você. E parece que consegui.
Minha raiva só aumenta com a calma dele. Aperto o canivete um pouco mais contra a pele de seu pescoço, e neste instante minhas mãos tremem quando vejo sangue sobre o meu canivete.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
🌹
😂😂😂
2024-08-25
0
Nadja
caramba
2024-08-14
1