O corredor à frente era estreito e escuro, suas paredes sujas parecendo se aproximar à medida que avançavam. Anne, Paulo e Júlia seguiram em silêncio, iluminando o caminho com suas lanternas. O zumbido constante que ouviam sugeria que algum tipo de maquinário ainda estava em funcionamento, mas a origem do som era incerta.
"Acho que estamos nos aproximando de algo importante," disse Paulo, sua voz reverberando nas paredes do corredor. "Esses túneis não foram feitos para acessos comuns. Devem levar a algum tipo de instalação crítica."
Anne apenas assentiu, seus olhos fixos na escuridão à frente. O que quer que fosse, estava prestes a se revelar.
Depois de vários minutos de caminhada, o corredor começou a se alargar, levando a uma nova sala. Esta era muito maior do que qualquer outra que haviam visto até agora, com uma estrutura de metal e vidro que dominava o centro. As luzes no teto piscavam intermitentemente, lançando sombras estranhas por toda parte.
"Isso parece um centro de comando," disse Júlia, apontando para os vários monitores e painéis de controle que cobriam as paredes. Alguns estavam quebrados, outros ainda emitiam uma fraca luz verde. No centro da sala, uma grande mesa de comando exibia um mapa digital da cidade e arredores, pontilhado por pequenos pontos vermelhos e azuis.
"Esses pontos... parecem ser marcadores de atividade," observou Anne, aproximando-se da mesa. "Azul para zonas seguras e vermelho para áreas perigosas."
"Mas olhem aqui," disse Paulo, apontando para um ponto específico no mapa. "Este lugar onde estamos... está marcado em vermelho."
O trio se entreolhou, a preocupação crescendo em seus rostos. Se o local em que estavam era considerado perigoso, significava que algo estava errado ou estava prestes a acontecer.
"Precisamos entender o que isso significa," disse Anne, começando a vasculhar os monitores e papéis espalhados pela sala.
Júlia se aproximou de um painel que parecia diferente dos outros. Era maior e mais complexo, com vários botões e alavancas. No topo, havia uma inscrição que dizia: "Ativação da Contenção Primária."
"O que você acha que isso faz?" perguntou Júlia, olhando para Anne e Paulo.
"Pode ser um sistema de defesa," sugeriu Paulo, estudando o painel. "Ou algo que controle as saídas da instalação."
"Mas é arriscado ativar qualquer coisa sem saber o que faz," ponderou Anne, seus dedos pairando sobre os botões. "Podemos acabar piorando a situação."
"Olhem isso!" exclamou Júlia, chamando a atenção dos outros para um monitor que exibia uma sequência de arquivos. Ela tocou a tela, ativando o que parecia ser um vídeo de segurança gravado semanas antes.
No vídeo, pessoas vestindo trajes de proteção estavam correndo para dentro da sala de comando, suas vozes abafadas por máscaras e o som de alarmes. Um dos homens, aparentemente o líder, começou a digitar freneticamente no painel de controle.
"Precisamos fechar tudo!" gritava ele, sua voz desesperada. "Se não conseguirmos conter, vai se espalhar para toda a cidade!"
"O que você está sugerindo?" perguntou uma mulher ao lado dele, visivelmente assustada.
"Ativar a Contenção Primária," respondeu o homem, com uma expressão sombria. "É nossa única chance de conter o desastre. Mas... é irreversível."
O vídeo cortou abruptamente, deixando o trio em um silêncio tenso.
"Então... eles ativaram a contenção," disse Paulo, a voz baixa. "Mas não sabemos o que isso realmente significa."
"Talvez o que quer que eles estavam tentando conter ainda esteja aqui," sugeriu Júlia, olhando ao redor com mais cautela.
"Se isso é verdade, então precisamos descobrir o que estamos enfrentando," disse Anne, determinada. "E a única maneira de fazer isso é explorar o restante desta instalação."
**A Decisão Difícil**
Enquanto continuavam a investigar a sala de comando, Anne encontrou um dossiê guardado em uma gaveta trancada. Dentro, havia vários documentos que detalhavam os experimentos que estavam sendo realizados na instalação. Os documentos faziam referência a algo chamado "Projeto Herança", que envolvia o desenvolvimento de super-humanos através de experimentos genéticos.
"Isso foi muito além do que imaginávamos," disse Anne, folheando os documentos. "Eles estavam tentando criar seres humanos aprimorados, mas parece que algo deu terrivelmente errado."
"Esses experimentos... podem ter causado a contaminação que varreu a cidade," sugeriu Paulo, sua expressão preocupada. "E as criaturas lá fora... podem ser o resultado dessas experiências fracassadas."
"Mas se é assim, por que a contenção não foi suficiente?" perguntou Júlia. "Se eles tinham um plano para conter o desastre, por que falhou?"
"Talvez a contenção não tenha sido ativada a tempo," respondeu Anne. "Ou talvez os experimentos já tivessem progredido a um ponto em que não podiam mais ser controlados."
"De qualquer forma, isso não nos ajuda a sair daqui," disse Paulo, olhando para o mapa da cidade. "Se ficarmos aqui, corremos o risco de sermos pegos por seja lá o que for que eles estavam tentando conter."
"O que nos leva de volta àquela porta pesada," disse Anne. "Precisamos descobrir o que está por trás dela. Pode ser nossa única chance de entender completamente o que aconteceu aqui e, talvez, encontrar uma saída."
Com essa decisão tomada, o grupo voltou ao corredor principal e entrou na sala onde a porta pesada os aguardava, agora entreaberta. Anne, com a chave em mãos, avançou na frente, pronta para descobrir o que estava escondido ali.
**O Fim da Linha**
O que encontraram atrás da porta pesada era inesperado. Um longo corredor levava a uma câmara ampla e circular, iluminada por uma luz artificial suave que parecia emanar das paredes. No centro da câmara, havia um grande cilindro de vidro, preenchido com um líquido verde-azulado e contendo o que parecia ser um corpo humano suspenso dentro.
"Meu Deus," sussurrou Júlia, parando abruptamente na entrada da câmara. "O que é isso?"
Anne e Paulo se aproximaram com cautela, examinando a estrutura. O corpo dentro do cilindro estava flutuando, suas feições indistinguíveis, cobertas por tubos e dispositivos que monitoravam seus sinais vitais.
"Deve ser um dos 'super-humanos' que estavam tentando criar," disse Anne, analisando o painel de controle ao lado do cilindro. "Parece que ele está em algum tipo de estado suspenso."
"Mas por que o deixariam aqui?" perguntou Paulo, sua voz carregada de inquietação. "E por que está tão bem preservado enquanto o resto da instalação está caindo aos pedaços?"
"Talvez porque ele seja a chave para tudo isso," sugeriu Anne. "Esse cilindro pode ser a fonte de energia que mantém a instalação ativa. Ou, pior ainda, ele pode ser o centro do que quer que esteja acontecendo aqui."
"O que fazemos agora?" perguntou Júlia, nervosa. "Destruímos isso? Tentamos acordá-lo? Ou saímos daqui antes que seja tarde demais?"
Anne hesitou, sua mente correndo para considerar todas as opções. Sabia que qualquer decisão que tomassem ali poderia ter consequências irreversíveis.
"Precisamos entender mais antes de fazermos qualquer coisa," disse ela finalmente. "Vamos ver se há mais informações nos arquivos ou em algum outro lugar da instalação."
Antes que pudessem se mover, um alarme estridente começou a soar pela instalação, e as luzes da câmara piscaram freneticamente. O cilindro de vidro começou a emitir um som profundo, como um ronco mecânico.
"Estamos sem tempo!" exclamou Paulo, correndo para o painel de controle. "Algo está acontecendo!"
Anne olhou para Júlia e Paulo, e, por um breve momento, seus olhos encontraram os de cada um deles. Não havia uma escolha fácil.
"Vamos sair daqui!" ordenou ela. "Precisamos voltar ao refúgio e avisar os outros!"
O trio correu em direção à saída, o alarme ecoando em seus ouvidos e o som metálico crescendo a cada passo. Não sabiam o que haviam desencadeado, mas uma coisa era certa: a contenção estava prestes a falhar, e tudo o que eles descobriram até agora estava prestes a vir à tona.
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Atualizado até capítulo 62
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