Eles alcançaram o topo da escadaria sem olhar para trás, mas o som do que quer que estivesse se aproximando no subsolo ainda ecoava em suas mentes. O grupo sabia que tinham pouco tempo antes de aquilo ou quem estivesse atrás deles os alcançasse.
“Fechem essa porta!” David ordenou, a voz carregada de urgência. Paulo, que estava mais próximo, virou-se rapidamente para empurrar a pesada porta de metal da escadaria. Com um esforço tremendo, ele conseguiu fechá-la, mas o barulho do trinco ecoou alto demais no corredor.
“Isso não vai segurá-los por muito tempo,” Marta murmurou, olhando para o grupo, a ansiedade claramente visível em seu rosto.
“Não precisamos que segure para sempre,” David respondeu, já conduzindo o grupo em direção ao saguão de onde vieram. “Só precisamos de tempo suficiente para sair daqui.”
O grupo correu pelos corredores, agora bem conscientes de que a tranquilidade que encontraram no hospital era apenas temporária. Anne liderava o caminho, guiando os outros em direção à saída, enquanto o som distante de algo — ou alguém — tentando abrir a porta na escadaria começava a ecoar pelo hospital.
“Temos que sair pela porta principal,” Anne disse, enquanto corriam pelo corredor. “É a única saída que conhecemos.”
“E se estiverem lá fora, esperando por nós?” Júlia perguntou, tentando esconder o pânico em sua voz.
“Não temos escolha,” David respondeu. “Precisamos sair deste prédio antes que eles nos encurralem.”
Quando finalmente alcançaram o saguão, o ambiente parecia diferente. O silêncio opressivo de antes agora era substituído pelo som de seus próprios passos apressados e respirações pesadas. Eles não tinham tempo para hesitar; seguiram direto para a porta de entrada, a luz do dia lá fora parecia uma promessa de salvação.
David foi o primeiro a alcançar a porta de vidro estilhaçada, parando brevemente para verificar o lado de fora. O que ele viu foi um alívio misturado com terror. Não havia sinal de contaminados, mas o perigo parecia estar em cada sombra.
“Está limpo,” ele disse, abrindo a porta o suficiente para que os outros passassem. “Mas fiquem juntos.”
O grupo saiu rapidamente, a luz do sol banhando-os enquanto atravessavam a entrada quebrada e pisavam no asfalto rachado da avenida. O hospital, uma vez um refúgio de esperança, agora se erguia atrás deles como um monumento de um passado que não existia mais.
“Para onde vamos agora?” Paulo perguntou, a respiração pesada enquanto ajudava Marcos a manter o ritmo.
Anne olhou ao redor, os olhos escaneando as ruas quase desertas, tentando formular um plano rápido. Eles tinham conseguido os suprimentos que precisavam, mas agora estavam novamente expostos, sem nenhum lugar seguro para se abrigar.
“Precisamos encontrar um lugar para descansar e avaliar o que conseguimos,” ela disse. “Mas precisamos ficar longe do hospital. Se há contaminados dentro, logo eles estarão nas ruas.”
“Ali,” Marta apontou para um prédio residencial a algumas quadras de distância. “Podemos tentar lá. Se conseguirmos chegar até o andar superior, podemos barricar as portas e ter uma visão clara de quem se aproxima.”
David assentiu. “Vamos. Quanto mais rápido chegarmos lá, melhor.”
O grupo começou a se mover pela avenida, mantendo-se próximos uns dos outros e atentos a qualquer sinal de movimento nas ruas desertas. Os edifícios ao redor estavam silenciosos, mas cada janela quebrada e cada porta aberta parecia um portal para o perigo. Anne não conseguia evitar a sensação de que estavam sendo observados, embora não visse ninguém.
Enquanto caminhavam, a mente de Anne voltava-se constantemente para a jornada que ainda tinham pela frente. Mesmo tendo conseguido alguns suprimentos, isso era apenas o começo. A cidade estava cheia de perigos, e a cada passo eles se aproximavam mais do coração do caos.
Chegaram ao prédio residencial sem incidentes, mas a tensão era palpável. David testou a porta de entrada, que estava trancada, mas depois de alguns minutos de luta com uma barra de metal encontrada no chão, ele conseguiu forçar a abertura.
“Subam,” ele disse, segurando a porta aberta para que os outros passassem.
Dentro do prédio, o ar era pesado, com o cheiro de poeira e abandono. As escadas de concreto eram escuras e estreitas, mas o grupo subiu com determinação, ansiosos para encontrar um lugar onde pudessem finalmente respirar com um pouco mais de segurança.
Eles pararam no terceiro andar, onde encontraram um apartamento que parecia intacto, com a porta apenas encostada. David empurrou a porta, revelando um pequeno espaço que, apesar de estar coberto de poeira e detritos, parecia seguro.
“Isso deve servir por enquanto,” ele disse, entrando para verificar os cômodos. “Vamos nos acomodar aqui.”
O grupo entrou no apartamento, exausto e aliviado por terem encontrado um lugar para descansar. Anne se aproximou da janela, olhando para a rua lá embaixo. A visão era desoladora — carros abandonados, lixo espalhado pelo vento, e nenhuma alma viva à vista. Mesmo assim, a sensação de perigo iminente não a abandonava.
David juntou todos na sala principal. “Precisamos rever o que conseguimos e planejar nossos próximos passos. Não podemos ficar aqui por muito tempo, mas pelo menos temos um pouco de comida e medicamentos para continuar.”
“Quantos dias isso pode nos manter?” Paulo perguntou, olhando para a pequena pilha de suprimentos que haviam coletado.
“Talvez alguns dias, se racionarmos bem,” Anne respondeu, contando mentalmente as latas e pacotes que trouxeram. “Mas precisamos encontrar mais, e talvez armas, se tivermos sorte.”
“Temos que ter cuidado,” Marta interveio. “As ruas não são seguras, e o hospital mostrou que os contaminados podem estar em qualquer lugar.”
“O hospital também nos mostrou que precisamos ser mais rápidos e mais cuidadosos,” David acrescentou. “Não podemos mais nos dar ao luxo de perder tempo. Cada movimento precisa ser preciso e calculado.”
Júlia, que estava sentada no chão perto da janela, abraçando os joelhos, olhou para David com os olhos arregalados. “O que vamos fazer se não conseguirmos sair da cidade? E se... não houver uma saída?”
David se agachou ao lado dela, tentando encontrar as palavras certas. “Vamos sair, Júlia. De alguma forma, vamos encontrar uma maneira de sair daqui. Mas precisamos acreditar nisso e, acima de tudo, precisamos lutar.”
Anne sentiu um nó na garganta ao ver o medo nos olhos de Júlia. Todos ali estavam no limite, mas tinham que se manter fortes. A fragilidade da esperança era assustadora, mas a determinação era tudo o que lhes restava.
“Certo,” Anne disse, tentando mudar o foco para algo mais prático. “Vamos nos organizar. Precisamos de turnos para vigiar, enquanto os outros descansam. Precisamos ter certeza de que ninguém nos pega de surpresa.”
O grupo concordou e começou a se preparar para passar a noite no apartamento. David, como sempre, tomou o primeiro turno de vigia, mantendo-se perto da janela para observar qualquer movimento na rua lá embaixo. Anne, Marta e Paulo dividiram o restante da noite entre si, enquanto Júlia e Marcos, ainda fracos, receberam a tarefa de descansar.
Enquanto todos se ajeitavam para tentar dormir, Anne sentiu o peso da responsabilidade sobre seus ombros aumentar. Não havia garantias de que sobreviveriam ao próximo dia, mas enquanto pudessem lutar, continuariam. Ela se deitou em um canto da sala, o chão frio contra seu corpo exausto, e fechou os olhos, tentando bloquear os pensamentos sombrios que insistiam em surgir.
O silêncio no apartamento era apenas quebrado pelo ocasional som de metal batendo ao vento, ou pelo som distante de algo movendo-se nas ruas. Anne tentou não pensar no que poderia estar lá fora, focando apenas na respiração constante e no batimento regular de seu coração.
Mas mesmo enquanto seus olhos se fechavam e a exaustão começava a dominá-la, a determinação em seu interior continuava forte. O mundo lá fora havia desmoronado, mas enquanto tivessem uns aos outros, enquanto tivessem algo pelo qual lutar, ainda havia uma chance. Anne se agarrou a essa ideia, sabendo que no fundo, era tudo o que os mantinha vivos.
E com isso, ela finalmente caiu em um sono leve, ainda alerta, mas pelo menos um pouco em paz, sabendo que o grupo estava reunido, e que juntos enfrentariam o próximo desafio. Amanhã traria novas dificuldades, mas também, talvez, novas oportunidades de sobrevivência.
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Atualizado até capítulo 62
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