A Travessia

O grupo desceu as escadas do prédio com cautela, cada um atento a qualquer sinal de perigo. A luz do sol, agora mais forte, iluminava os corredores sombrios, mas isso não dissipava a tensão. O silêncio que envolvia o prédio era opressivo, quebrado apenas pelo som dos passos cuidadosos de Anne, David, Marta, Paulo, Júlia e Marcos.

Ao alcançarem o térreo, David parou brevemente na entrada do edifício, espiando pela porta entreaberta. A rua parecia vazia, mas eles sabiam que o perigo podia estar à espreita em qualquer esquina, em qualquer beco. Com um gesto sutil, ele indicou para que os outros o seguissem.

Assim que pisaram na calçada, a luz do sol os atingiu em cheio, uma sensação estranha após tanto tempo na penumbra. O calor suave da manhã proporcionava um conforto mínimo, mas a realidade ao redor logo lembrava-os de que não podiam baixar a guarda.

“O plano é seguir para a periferia, certo?” Marta perguntou, verificando novamente o mapa enquanto caminhavam em direção ao norte.

“Sim,” respondeu David. “Se conseguirmos encontrar um veículo, melhor. Mas se não, continuamos a pé até sairmos da cidade.”

“O que nos espera na periferia?” Júlia perguntou, com a voz trêmula. “Não sabemos o que tem lá fora.”

“É justamente por isso que precisamos sair daqui,” David respondeu com firmeza. “O centro da cidade está cheio de perigos. Quanto mais longe conseguirmos ir, maiores serão nossas chances.”

Anne, que caminhava ao lado de David, observava cada esquina, cada prédio ao redor. “Precisamos de uma rota que nos dê cobertura, mas que não seja um labirinto. Se formos encurralados em uma rua sem saída...”

“Não vamos,” David interrompeu, os olhos fixos à frente. “Vamos ficar em ruas abertas, mas atentos a lugares onde possamos nos abrigar rapidamente se necessário.”

Eles avançaram pela avenida principal, agora um cenário de destruição e abandono. Carros virados, vitrines quebradas, e pilhas de detritos enchiam as ruas, mas não havia sinal de vida — pelo menos, não visível. O grupo manteve o ritmo, os corações batendo acelerados, com a certeza de que qualquer movimento estranho poderia ser fatal.

Após várias quadras, o som distante de algo metálico caindo os fez parar. Todos se congelaram, trocando olhares tensos. Marta apertou a arma improvisada em suas mãos — um pedaço de cano que haviam encontrado no hospital — enquanto Paulo olhava freneticamente ao redor, tentando identificar a origem do som.

“Foi só o vento?” Júlia sussurrou, sem muita convicção.

“Pode ser,” Anne respondeu, embora seus olhos ficassem fixos na direção de onde o som veio. “Ou pode ser algo mais.”

“Vamos continuar, mas com cuidado,” David disse, dando o sinal para que voltassem a andar. Eles sabiam que, parados no meio da rua, eram alvos fáceis. Precisavam se mover.

Enquanto caminhavam, Anne não conseguia se livrar da sensação de que estavam sendo observados. Ela olhava por cima dos ombros de tempos em tempos, mas não via nada além de ruínas e desolação. Ainda assim, a paranoia era inevitável. Neste novo mundo, confiar nos próprios instintos era a diferença entre a vida e a morte.

Cerca de dez minutos depois, quando começaram a dobrar uma esquina, algo finalmente se moveu. Um vulto passou correndo entre dois carros estacionados, rápido demais para ser identificado claramente. Todos pararam instantaneamente, os corações batendo mais rápido.

“Vocês viram isso?” Marcos sussurrou, o medo evidente em sua voz.

“Sim,” David respondeu em voz baixa. “Fiquem juntos.”

“Pode ser um deles?” Paulo perguntou, a voz rouca de ansiedade.

“Não sei,” Anne disse, olhando atentamente na direção de onde o vulto surgiu. “Mas não vamos esperar para descobrir.”

Eles começaram a andar mais rápido, mas com cuidado. Agora, a possibilidade de que não estavam sozinhos aumentava a tensão no ar. Continuaram em silêncio, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos sombrios, esperando que o próximo movimento fosse o correto.

Enquanto se afastavam do centro, as ruas começavam a se tornar menos familiares, mas também mais abertas, o que era uma faca de dois gumes. Embora isso lhes desse uma visão clara ao redor, também significava que estariam mais expostos.

Após algum tempo, David apontou para um posto de gasolina abandonado, um pouco à frente. “Ali,” disse ele. “Podemos verificar se há algum veículo que ainda funcione. Precisamos tentar.”

O grupo se dirigiu ao posto, cruzando o asfalto rachado e coberto de pedaços de vidro e metal. A área estava deserta, mas havia sinais de que alguém havia estado ali recentemente — talvez saqueadores ou outros sobreviventes. As bombas de gasolina estavam destruídas, como se alguém tivesse tentado retirar o combustível à força.

David foi o primeiro a se aproximar dos carros abandonados. Testou as portas de dois veículos, mas ambos estavam trancados. O terceiro, uma caminhonete velha, estava destrancada, mas quando ele tentou girar a chave que ainda estava na ignição, o motor não deu sinal de vida.

“Sem sorte,” ele murmurou, frustrado.

“Podemos procurar pelo tanque, ver se sobrou alguma gasolina,” Marta sugeriu, olhando ao redor com cautela.

“Vale a pena tentar,” David concordou.

Enquanto ele e Marta se ocupavam com a caminhonete, Anne ficou de vigia, observando as ruas ao redor. O posto de gasolina estava posicionado em uma interseção de quatro vias, oferecendo uma boa visão de qualquer aproximação. Júlia e Marcos, visivelmente esgotados, sentaram-se ao lado da bomba destruída, enquanto Paulo inspecionava um carro próximo, à procura de qualquer coisa útil.

“O tanque está vazio,” Marta anunciou, após verificar sob o veículo. “Não temos sorte.”

David balançou a cabeça em resignação. “Não podemos perder mais tempo aqui. Precisamos continuar.”

Antes que pudessem sair, no entanto, o som distante de vozes chegou até eles. David congelou, levantando a mão para sinalizar silêncio. Todos ficaram imóveis, os sentidos aguçados.

“Vocês ouviram isso?” Júlia sussurrou.

“Sim,” David respondeu, os olhos estreitando-se enquanto tentava determinar a origem do som. “Estão vindo dessa direção.”

As vozes se aproximavam, acompanhadas de passos pesados. Anne fez um gesto para o grupo se mover para trás dos veículos, usando-os como cobertura. Eles se abaixaram, tentando se manter fora de vista.

“Precisamos sair daqui,” David murmurou. “Agora.”

“E se forem outros sobreviventes?” Marta perguntou em voz baixa.

“Ou podem ser saqueadores,” Anne contrapôs. “Não podemos correr o risco.”

O grupo começou a se mover cuidadosamente para longe do posto, mantendo-se agachados para não serem vistos. As vozes estavam cada vez mais próximas, e logo os passos ficaram nítidos o suficiente para distinguir que eram várias pessoas.

Finalmente, quando as vozes estavam quase em cima deles, David fez sinal para que o grupo se esgueirasse pela lateral do posto, em direção à rua de trás. A adrenalina corria pelas veias de todos enquanto se moviam em silêncio, tentando ao máximo não fazer nenhum barulho que pudesse revelar sua presença.

Assim que dobraram a esquina do posto, finalmente puderam avistar a origem das vozes — um grupo de cinco pessoas, todas carregando armas improvisadas, vasculhava o posto de gasolina. Eram homens e mulheres, suas roupas desgastadas e sujas, parecendo estar na mesma luta pela sobrevivência.

“Não parecem ser contaminados,” Marta sussurrou.

“Mas também não parecem amigáveis,” Anne respondeu, avaliando a situação. “Temos que seguir em frente antes que nos vejam.”

David assentiu, conduzindo o grupo pela rua lateral, afastando-se o máximo possível sem atrair a atenção do outro grupo. O coração de todos estava disparado, cada som parecia mais alto do que realmente era, mas conseguiram manter a calma e seguir adiante.

Assim que estavam longe o suficiente, eles se permitiram respirar um pouco mais aliviados. No entanto, o incidente serviu como um lembrete doloroso de que a cidade estava cheia de perigos, e nem todos eram causados pelos contaminados.

“Agora temos certeza de uma coisa,” David disse, sem diminuir o ritmo. “Não estamos sozinhos nessa cidade. E isso significa que precisamos ser ainda mais cuidadosos.”

Anne olhou para ele e depois para os outros. A expressão em seus rostos era de cansaço, mas também de uma determinação renovada. Eles sabiam que o caminho à frente era perigoso, mas o desejo de sobreviver e encontrar uma saída os mantinha em movimento.

E assim, continuaram a atravessar a cidade devastada, cada passo um ato de desafio contra o destino sombrio que os cercava.

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Cecilia geralda Geralda ramos

Cecilia geralda Geralda ramos

tomara que consigam um carro e saiam da cidade

2024-11-22

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Capítulos
1 O Início do Desastre
2 Primeira Noite
3 Busca Por Suprimentos
4 Desafios na Escuridão
5 Aliados Inesperados
6 Primeira Luz
7 Desespero do Hospital
8 A Vigília
9 A Travessia
10 Encruzilhada
11 A Sombra que se Aproxima
12 Nas Sombras da Estrada
13 Vigília na Escuridão
14 Um Novo Refúgio
15 Estranho Perigo
16 A Chegada ao Refúgio Desconhecido
17 A Revelação no Sótão
18 Os Segredos Sob a Terra
19 Exploração na Sala Subterrânea
20 O Segredo Revelado
21 A Corrida Contra o Tempo
22 O Longo Caminho de Volta
23 Decisão de Sobreviver parte 1
24 Decisão de Sobreviver parte 2
25 No Limiar da Esperança
26 Caçados nas Sombras
27 Rumo ao Desconhecido
28 A Promessa Silenciosa
29 O Infiltrado
30 O sacrifício
31 O fim da Trégua
32 O Último Encontro
33 A Retirada Temporária
34 O Armazém Abandonado
35 Planos e Dilemas
36 A Primeira Armadilha
37 O Peso da Vitória
38 Alianças Improváveis
39 Caminhos Entre Sombras
40 A Marcha para o Norte
41 A Estratégia para a Invasão
42 O Início da Invasão
43 O Caos Após a Queda
44 O Contra-Ataque
45 A Linha entre a Vida e a Morte
46 A Confrontação Final
47 Um Novo Começo
48 Sombras do Passado
49 Ecos de Esperança
50 Noite Sem Retorno
51 Ecos do Passado
52 Luz nas Trevas
53 Contra o Relógio
54 Retorno ao Refúgio
55 O Amanhecer da Batalha
56 A Luz da Esperança
57 O Alvorecer
58 Um Novo Mundo
59 Um Passo No Desconhecido
60 Sombras no Horizonte
61 O Caminho Para a Fábrica
62 Ecos de Metal
Capítulos

Atualizado até capítulo 62

1
O Início do Desastre
2
Primeira Noite
3
Busca Por Suprimentos
4
Desafios na Escuridão
5
Aliados Inesperados
6
Primeira Luz
7
Desespero do Hospital
8
A Vigília
9
A Travessia
10
Encruzilhada
11
A Sombra que se Aproxima
12
Nas Sombras da Estrada
13
Vigília na Escuridão
14
Um Novo Refúgio
15
Estranho Perigo
16
A Chegada ao Refúgio Desconhecido
17
A Revelação no Sótão
18
Os Segredos Sob a Terra
19
Exploração na Sala Subterrânea
20
O Segredo Revelado
21
A Corrida Contra o Tempo
22
O Longo Caminho de Volta
23
Decisão de Sobreviver parte 1
24
Decisão de Sobreviver parte 2
25
No Limiar da Esperança
26
Caçados nas Sombras
27
Rumo ao Desconhecido
28
A Promessa Silenciosa
29
O Infiltrado
30
O sacrifício
31
O fim da Trégua
32
O Último Encontro
33
A Retirada Temporária
34
O Armazém Abandonado
35
Planos e Dilemas
36
A Primeira Armadilha
37
O Peso da Vitória
38
Alianças Improváveis
39
Caminhos Entre Sombras
40
A Marcha para o Norte
41
A Estratégia para a Invasão
42
O Início da Invasão
43
O Caos Após a Queda
44
O Contra-Ataque
45
A Linha entre a Vida e a Morte
46
A Confrontação Final
47
Um Novo Começo
48
Sombras do Passado
49
Ecos de Esperança
50
Noite Sem Retorno
51
Ecos do Passado
52
Luz nas Trevas
53
Contra o Relógio
54
Retorno ao Refúgio
55
O Amanhecer da Batalha
56
A Luz da Esperança
57
O Alvorecer
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Um Passo No Desconhecido
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O Caminho Para a Fábrica
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