David seguiu o olhar de Anne e viu o que a fez parar. À frente, na esquina da rua, havia uma figura curvada sobre um corpo. À primeira vista, parecia um sobrevivente tentando ajudar alguém, mas algo estava errado. O movimento era irregular, e o som que vinha da figura era perturbador, como um rosnado baixo e contínuo.
“Não pode ser…”, murmurou David, os olhos arregalados em choque.
A figura levantou a cabeça, revelando um rosto deformado, com a pele rachada e olhos vazios. O que estava ali não era mais humano, mas um dos contaminados. Ao perceber a presença de Anne e David, a criatura soltou um grito agudo e animalístico, antes de se levantar com movimentos descoordenados e começar a correr na direção deles.
“Corre!”, gritou David, puxando Anne para longe.
Eles dispararam pela rua, o som das passadas da criatura se aproximando a cada segundo. O medo pulsava nas veias de Anne, cada batida do coração ecoando em seus ouvidos. As ruas pareciam um labirinto interminável de escombros, e cada esquina que viravam parecia levar a outra rua deserta, sem saída aparente.
“Ali!”, David apontou para uma porta de aço entreaberta em um prédio à frente. Eles correram em direção à entrada, e David forçou a porta a se abrir um pouco mais, permitindo que ambos passassem por ela.
Uma vez dentro, ele fechou a porta com um estrondo, trancando-a com todas as forças. Anne caiu de joelhos, ofegante, enquanto o som de pancadas do outro lado da porta indicava que a criatura estava tentando entrar.
“Temos que nos afastar daqui!”, disse David, puxando Anne para o interior do prédio.
Eles correram por um corredor estreito e escuro, os passos ecoando nas paredes úmidas. O prédio parecia uma fábrica antiga, com maquinário enferrujado e caixas de madeira empilhadas em todos os cantos. O cheiro de mofo e óleo velho invadia o ar, tornando a respiração ainda mais difícil.
“Precisamos achar um lugar onde possamos nos esconder até isso passar”, disse David, olhando ao redor com pressa.
“Lá em cima!”, Anne apontou para uma escada de metal que levava a um andar superior.
Eles subiram correndo a escada, que rangia sob o peso deles, e encontraram uma pequena sala no topo, cheia de arquivos e móveis antigos. David empurrou uma grande estante para bloquear a porta, enquanto Anne tentava acalmar sua respiração.
“Isso foi por pouco”, disse Anne, ainda tentando processar o que havia acabado de acontecer.
David assentiu, esfregando as têmporas como se tentasse afastar o cansaço. “Essas coisas… estão ficando mais rápidas. Não podemos mais subestimar o quão perigosos eles são.”
Anne olhou pela janela suja, que dava para a rua abaixo. A criatura ainda estava lá, batendo inutilmente na porta de aço, como se sua única missão fosse alcançá-los. O que antes era uma pessoa agora era um monstro, completamente dominado pela contaminação.
“Precisamos de um plano melhor”, disse Anne, virando-se para David. “Não podemos continuar correndo assim. Temos que encontrar um lugar onde possamos nos organizar, pensar em como realmente sair daqui.”
David suspirou, sentando-se no chão, exausto. “Eu sei. Mas onde? A cidade inteira está um caos, e não sabemos quão longe essa contaminação se espalhou.”
Anne mordeu o lábio, pensando. “Talvez... se conseguirmos chegar a uma zona militar ou uma base de pesquisa, possamos encontrar informações ou até ajuda. Eles devem ter tentado conter isso de alguma forma.”
David considerou a ideia. “Pode ser. Mas precisamos de mais suprimentos antes de fazer uma jornada assim. Não sabemos quanto tempo vai levar para encontrar um lugar seguro.”
“Então vamos começar aqui”, Anne decidiu, já se levantando. “Vamos explorar este prédio. Talvez encontremos algo útil. E também precisamos ver se conseguimos achar um mapa da cidade, para planejar uma rota de fuga.”
David assentiu, sentindo um renovado senso de propósito. “Certo. Vamos começar pelo andar de baixo e ver o que encontramos.”
Eles desceram a escada com cautela, o som dos passos ecoando pelos corredores silenciosos. Cada sala que verificavam era como uma cápsula do tempo, abandonada no momento em que o caos começou. Encontraram algumas ferramentas, como uma chave de fenda e um canivete, que David guardou em sua mochila. Mas comida e água eram escassas.
Quando chegaram ao porão do prédio, encontraram algo inesperado: uma sala trancada com cadeado, com uma placa que dizia “ARMAZÉM”.
“Isso pode ser bom ou ruim”, disse David, examinando o cadeado.
“Não sabemos até tentar”, respondeu Anne, entregando-lhe a chave de fenda que haviam encontrado.
David tentou forçar o cadeado, mas ele era resistente. Após alguns minutos de esforço, ele finalmente conseguiu quebrá-lo. Anne empurrou a porta devagar, e uma onda de poeira foi lançada no ar, fazendo-a tossir.
O interior do armazém estava escuro e apertado, com prateleiras abarrotadas de caixas. Anne tateou até encontrar um interruptor e ligou a luz, que piscou antes de acender completamente.
“Meu Deus…”, sussurrou Anne, seus olhos se arregalando ao ver o que havia dentro.
As prateleiras estavam cheias de suprimentos: caixas de alimentos enlatados, garrafas de água, medicamentos e até algumas armas e munições. Era um verdadeiro tesouro, algo que eles nunca esperaram encontrar.
“Isso pode nos manter vivos por um bom tempo”, disse David, ainda atordoado pela sorte inesperada.
Anne se aproximou de uma das prateleiras, passando a mão por uma lata de comida. “Isso pode ser a chance de sobreviver até encontrarmos uma saída.”
Eles começaram a inspecionar o que havia disponível, separando o que poderiam levar consigo. Cada item era um lembrete de que, apesar do caos, ainda havia esperança. Ainda havia uma chance de sobreviver, de lutar por uma vida fora daquela cidade desolada.
Enquanto enchiam as mochilas, Anne encontrou algo que a fez parar. Era um mapa, enrolado em um canto da prateleira. Ela o desenrolou e o colocou sobre uma mesa de madeira, chamando David para ver.
“É um mapa da cidade”, disse ela, os olhos correndo pelas ruas e bairros marcados.
David se aproximou, examinando-o atentamente. “Aqui está o hospital onde estivemos. E aqui está o prédio onde estamos agora.”
Anne seguiu o dedo de David enquanto ele traçava uma rota no mapa. “Se seguirmos para o norte, podemos tentar alcançar o perímetro da cidade. Se conseguirmos passar por aqui”, ele apontou para um parque próximo, “talvez possamos evitar as áreas mais contaminadas.”
Anne assentiu, vendo pela primeira vez uma rota clara para sair dali. “Parece arriscado, mas é nossa melhor chance.”
“Vamos descansar um pouco, e depois seguiremos esse plano”, decidiu David, fechando a mochila. “Precisamos estar preparados para o que quer que esteja lá fora.”
Eles voltaram para a sala no andar superior, que agora parecia um pouco mais segura sabendo que tinham suprimentos e um plano. Enquanto se preparavam para descansar, Anne não pôde deixar de pensar em quantas outras pessoas estariam tentando fazer o mesmo — lutando para sobreviver em meio ao caos.
Mas, por enquanto, eles tinham uma chance. E isso era tudo o que precisavam.
Ao cair da noite, a cidade lá fora parecia ainda mais sombria, mas a pequena sala onde Anne e David se abrigavam estava cheia de uma determinação silenciosa. Sabiam que o caminho à frente seria difícil, mas estavam prontos para enfrentá-lo. Juntos.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Hoa xương rồng
Eu já li tudo que você postou! Mais agora, por favor!
2024-08-22
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