A estrada se estendia diante deles como uma linha interminável, e o cansaço começava a pesar sobre cada membro do grupo. David dirigia com foco, mas seu corpo doía de tensão acumulada. Os outros, em silêncio, tentavam processar o que tinham acabado de enfrentar. As criaturas que os atacaram não eram apenas contaminados comuns — havia algo mais sombrio e perturbador por trás delas, algo que desafiava qualquer explicação racional.
"Não podemos continuar assim," murmurou Anne, mais para si mesma do que para os outros. Ela estava sentada no banco do passageiro, olhando para a estrada que se desenrolava à frente. "Precisamos encontrar um lugar onde possamos nos reorganizar e pensar no que fazer a seguir."
"Eu sei," respondeu David, sua voz carregada de exaustão. "Mas onde? Parece que a cidade inteira está contaminada, e os arredores não são muito melhores."
"Temos que tentar," insistiu Anne. "Não podemos continuar correndo para sempre."
Júlia, que estava encolhida no banco de trás, finalmente quebrou o silêncio que a envolvia desde o ataque. "O hospital... nós ainda não verificamos todo o hospital. Se conseguirmos voltar, talvez encontremos algum lugar seguro por lá. Ainda há partes do edifício que não exploramos."
Marta assentiu, agarrando-se a essa esperança. "Podemos encontrar suprimentos lá também. Água, comida, talvez até medicamentos."
Paulo, que até agora havia mantido o silêncio, ponderou a sugestão. "É arriscado voltar, mas concordo que pode ser nossa melhor opção por enquanto. Sabemos que o hospital é grande o suficiente para que possamos nos esconder, pelo menos temporariamente."
David lançou um olhar para Anne, que parecia estar pesando as opções. Finalmente, ela assentiu. "Certo, vamos tentar. Mas precisamos ser rápidos e evitar chamar atenção. Se aquelas criaturas ainda estiverem por perto, não podemos nos arriscar."
A van fez uma curva, mudando de direção e seguindo de volta para a cidade devastada. O hospital, que eles haviam deixado para trás anteriormente, agora parecia ser sua melhor chance de sobrevivência. O caminho de volta estava carregado de incerteza, mas o grupo não tinha outra escolha.
Horas depois
O hospital apareceu no horizonte como uma silhueta sombria contra o céu noturno. As janelas quebradas e a fachada desgastada contavam a história de um lugar que havia sido abandonado e esquecido, mas que agora se tornava um farol de esperança para os sobreviventes. A van desacelerou enquanto se aproximavam, o motor emitindo um ronco baixo que parecia ecoar nas ruas vazias.
"Estamos aqui," anunciou David, parando o veículo a uma distância segura do edifício. "Vamos a pé daqui. Precisamos ser silenciosos."
Eles desceram da van, cada um segurando suas armas improvisadas. O ar ao redor estava denso e silencioso, como se o mundo estivesse prendendo a respiração em antecipação ao que estava por vir.
"Vamos nos dividir e explorar os andares inferiores primeiro," sugeriu Anne, assumindo a liderança. "Precisamos garantir que o lugar esteja seguro antes de pensarmos em nos instalar."
O grupo concordou e, cautelosamente, avançaram em direção ao hospital. A entrada principal estava aberta, e o saguão deserto se estendia diante deles, um labirinto de sombras e ruínas. O cheiro de mofo e decadência preenchia o ar, misturado com a lembrança persistente de medicamentos e desinfetantes que um dia definiram o ambiente hospitalar.
"Vocês dois vão pela direita, e nós vamos pela esquerda," David disse a Marta e Paulo. "Verifiquem cada sala e ouçam por qualquer som estranho. Se encontrarem algo, voltem imediatamente."
Marta e Paulo assentiram, seguindo as instruções. O grupo se separou, com Anne e David indo pelo corredor oposto. A tensão era palpável, e cada pequeno ruído parecia amplificado, fazendo seus corações saltarem.
Anne abriu a porta da primeira sala que encontraram, uma antiga sala de exames. As luzes fluorescentes haviam falhado há muito tempo, deixando o espaço na escuridão total, exceto pela fraca luz das lanternas que eles carregavam.
"Não parece haver nada aqui," Anne murmurou, inspecionando os armários e gavetas vazias. "Tudo foi saqueado ou deixado para trás."
"Vamos continuar," David disse, movendo-se para a próxima porta.
Eles continuaram a avançar pelo corredor, verificando sala após sala. Tudo parecia estar em silêncio, como se o hospital estivesse aguardando sua própria morte. Mas em cada esquina, Anne não podia evitar a sensação de que estavam sendo observados. A mesma sensação que a havia incomodado na estrada agora se intensificava.
Finalmente, chegaram a uma sala maior, talvez um antigo depósito de suprimentos. As prateleiras estavam vazias, exceto por alguns itens esquecidos: pacotes de gaze, garrafas de soro fisiológico, e algumas caixas de medicamentos.
"Podemos usar isso," disse David, recolhendo os itens mais úteis. "Não é muito, mas é melhor do que nada."
Enquanto Anne o ajudava a empacotar o que podiam carregar, ouviram um som distante — passos ecoando pelos corredores vazios. Ambos congelaram, trocando olhares de preocupação.
"Os outros," sussurrou Anne. "Será que encontraram algo?"
"Vamos descobrir," respondeu David, segurando a faca mais firmemente.
Eles saíram da sala e começaram a seguir o som, que parecia vir do andar superior. Subiram as escadas com cuidado, tentando não fazer barulho. Quando chegaram ao segundo andar, os passos cessaram.
"Marta? Paulo?" Anne chamou, tentando manter a voz baixa.
Nenhuma resposta. O silêncio era sufocante. Eles continuaram avançando, os olhos varrendo o corredor escuro. E então, à distância, viram uma figura cambaleando pelo corredor.
"Paulo?" Anne chamou novamente, mas dessa vez havia um tom de urgência em sua voz.
A figura se virou, revelando não ser Paulo, mas uma criatura — uma das que os haviam atacado antes. Seus olhos amarelados brilharam na escuridão, e ela soltou um grunhido baixo, cheio de hostilidade.
"Corra!" David gritou, puxando Anne para trás.
Eles correram pelo corredor, mas a criatura estava atrás deles, se movendo mais rápido do que deveriam ser capazes. David conseguiu bater a porta de uma das salas atrás deles, bloqueando temporariamente a passagem da criatura.
"Estamos encurralados," disse Anne, tentando recuperar o fôlego.
"Precisamos sair daqui," David respondeu, olhando ao redor, procurando uma saída.
De repente, ouviram outro som, vindo de uma sala próxima. Era Marta, gritando por ajuda. Anne e David trocaram olhares e correram em direção ao som, encontrando Marta e Paulo presos em uma pequena sala de cirurgia. Outra criatura estava tentando arrombar a porta, mas o grupo conseguiu chegar a tempo de afastá-la.
"Precisamos sair do hospital, agora!" David gritou, enquanto lutavam para manter as criaturas afastadas.
Com muito esforço, o grupo conseguiu retornar ao andar inferior, lutando contra as criaturas que pareciam surgir de todos os cantos. Finalmente, chegaram à entrada e correram para a van, sem olhar para trás.
David ligou o motor e acelerou, deixando o hospital para trás mais uma vez. Mas o medo que agora carregavam consigo era maior do que antes. Eles sabiam que não havia mais refúgio seguro, e que a luta pela sobrevivência só estava começando.
Enquanto a van se afastava, Anne olhou para o horizonte, onde a cidade se estendia em ruínas. "Precisamos encontrar outro lugar... antes que seja tarde demais."
E assim, com a esperança diminuindo e o perigo se aproximando, o grupo seguiu em frente, em busca de um novo refúgio em um mundo que parecia ter perdido toda a sanidade.
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Atualizado até capítulo 62
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