O ar dentro do galpão estava denso, carregado de poeira e umidade. Todos sabiam que não poderiam ficar ali por muito tempo, mas os minutos que se seguiam eram cruciais para recuperarem o fôlego e, mais importante, organizarem seus pensamentos.
David caminhava de um lado para o outro, sua mente a mil. O que eles haviam acabado de enfrentar era algo muito pior do que os contaminados normais. Aquela criatura parecia um híbrido, uma aberração dos experimentos que haviam causado tanto caos. Cada vez mais, ele sentia que o tempo estava se esgotando para eles. Precisavam de um plano claro, uma rota segura para fora da cidade. Mas para onde iriam? E como garantiriam que estariam seguros do lado de fora?
Paulo quebrou o silêncio primeiro. “Precisamos encontrar um veículo. Algo que nos tire daqui rápido e com segurança. Não podemos continuar andando a pé por essas ruas.”
“Concordo,” respondeu Anne, ainda ofegante, tentando controlar a onda de adrenalina que corria em seu corpo. “Mas não vai ser fácil. A maioria dos veículos que vimos até agora estão destruídos ou sem combustível.”
“E se encontrarmos outro grupo no caminho?” Júlia perguntou, ainda pálida de medo. “O que vamos fazer? E se forem hostis?”
Marta olhou para Júlia, sua expressão suave, mas firme. “Acho que a única coisa que podemos fazer é avaliar a situação na hora. Não podemos prever todos os perigos, mas também não podemos nos isolar de todos. Precisamos de aliados, de recursos.”
David parou de andar e se aproximou do grupo, todos os olhos voltados para ele. “Marta está certa. Precisamos avaliar cada situação com cuidado, mas também temos que ser rápidos e decisivos. Nossa prioridade agora é sair da cidade. Se encontrarmos outros sobreviventes no caminho, observamos, mas nosso foco deve ser a nossa segurança. Precisamos encontrar um veículo e uma rota segura.”
“E se...”, começou Marcos, hesitante. Ele era o mais novo do grupo e frequentemente permanecia em silêncio, mas agora parecia que algo o perturbava profundamente. “E se não houver mais lugar seguro? E se tudo estiver assim, lá fora?”
A pergunta pairou no ar, ecoando na mente de todos. Era um pensamento que nenhum deles queria admitir, mas que rondava seus pesadelos desde que tudo começara. E se não houvesse escapatória? E se todo o mundo estivesse tomado por aquilo?
“Não podemos pensar assim,” disse Anne, determinada. “Nós vamos encontrar um lugar seguro. Vamos sobreviver, de um jeito ou de outro. Já enfrentamos tanto até agora, e estamos aqui. Temos que acreditar que há algo além desse pesadelo.”
David assentiu, apoiando as palavras de Anne. “Ela tem razão. Não podemos perder a esperança. Mas para encontrar esse lugar, precisamos agir rápido. Primeiro, encontramos um veículo. Depois, decidimos a rota.”
Marta voltou a pegar o mapa, agora manchado e gasto pelo uso. Ela o desdobrou novamente e apontou para uma área que ainda não haviam explorado. “Aqui, na zona industrial. É o lugar mais provável para encontrarmos um veículo grande o suficiente e em boas condições. Talvez uma van, um caminhão pequeno... Algo que possa nos levar para fora daqui e que possa suportar uma longa viagem.”
“Mas também pode ser um dos lugares mais perigosos,” David ponderou, analisando o mapa. “Muita gente pode ter pensado a mesma coisa. Pode ser um ponto de conflito.”
“Precisamos arriscar,” disse Paulo, resoluto. “Não temos outra escolha.”
David concordou, e todos começaram a se preparar para deixar o galpão. As mochilas foram ajustadas, as poucas armas improvisadas conferidas. Cada movimento era feito com precisão e pressa, pois sabiam que o tempo estava contra eles.
O grupo saiu do galpão, retomando sua jornada pelas ruas desoladas da cidade. O caminho até a zona industrial seria longo e perigoso, e eles estavam conscientes de que essa poderia ser a última chance de encontrar um meio de escapar.
Enquanto caminhavam em silêncio, todos estavam em alerta máximo. Os olhos de Anne varriam constantemente o horizonte, atentos a qualquer movimento, enquanto David liderava com passos firmes, tentando encontrar a melhor rota.
O som distante de tiros fez com que todos parassem abruptamente. O barulho ecoava pelas ruas desertas, reverberando nas paredes dos prédios caídos. Eles se entreolharam, e David fez um gesto para que todos se abaixassem atrás de um carro abandonado.
“O que foi isso?” sussurrou Marta, apertando a alça da mochila com força.
“Não sei,” David respondeu, olhando na direção de onde o som parecia vir. “Mas não podemos ficar aqui parados.”
O grupo continuou se movendo, agora mais silenciosamente, tentando evitar qualquer contato com a fonte do barulho. Após alguns minutos, o som dos tiros cessou, mas a tensão no ar permaneceu.
Ao se aproximarem da zona industrial, os sinais de batalha eram mais evidentes. Carros destruídos bloqueavam várias das ruas, e marcas de explosões cobriam o asfalto. O ar cheirava a fumaça e óleo queimado. O lugar estava deserto, mas ainda assim, parecia que a qualquer momento poderiam ser emboscados.
Finalmente, avistaram um grande pátio cercado por uma cerca de arame farpado, onde vários veículos estavam estacionados. A maioria estava danificada, mas alguns pareciam em condições razoáveis.
“Ali,” disse David, apontando para uma van intacta no canto do pátio. “Vamos tentar aquela.”
Eles se aproximaram cautelosamente, verificando os arredores antes de entrar no pátio. A van estava trancada, mas Paulo conseguiu abrir a porta com uma barra de ferro que encontraram pelo caminho. Anne entrou primeiro, verificando o interior.
“Parece que está em boas condições,” ela disse, observando os bancos e o painel. “Mas precisamos verificar se tem combustível.”
David encontrou o tanque e abriu a tampa, verificando o nível de combustível. Para a surpresa de todos, estava quase cheio. “Estamos com sorte,” ele disse, um alívio evidente em sua voz.
“Vamos nos apressar,” disse Marta, já entrando na van. “Precisamos sair daqui antes que alguém ou alguma coisa nos encontre.”
Todos entraram rapidamente, e David assumiu o volante. Com um giro da chave, o motor roncou, e o som foi um alívio para todos. Sem perder tempo, David manobrou a van para fora do pátio e começou a dirigir em direção à periferia.
À medida que deixavam a zona industrial para trás, a sensação de perigo iminente não desaparecia. Todos olhavam para fora das janelas, atentos ao menor sinal de ameaça.
“Para onde vamos agora?” perguntou Júlia, a voz trêmula. “Temos um veículo, mas para onde?”
David olhou para o mapa no painel. “Vamos em direção ao leste, tentar sair da cidade pelas estradas menos movimentadas. Se houver algum lugar seguro, provavelmente estará fora das rotas principais.”
Anne concordou, e os outros assentiram em silêncio. Era um plano incerto, mas era o melhor que tinham. A van seguia em alta velocidade pelas ruas vazias, deixando para trás o que restava da cidade devastada.
Enquanto o sol começava a se pôr no horizonte, banhando tudo em uma luz dourada, o grupo se preparava para mais uma noite de incertezas. As sombras se alongavam, e a escuridão se aproximava rapidamente, trazendo consigo novos perigos. Mas agora, com um veículo e um rumo, eles tinham uma nova esperança. Uma esperança frágil, sim, mas suficiente para mantê-los em movimento.
O motor roncava como um lembrete de que, apesar de tudo, ainda havia uma chance. E enquanto eles tivessem essa chance, continuariam lutando. Cada quilômetro que deixavam para trás era um passo mais perto da sobrevivência — ou do desconhecido.
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Atualizado até capítulo 62
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