Paulo tentou inserir a chave na fechadura da porta pesada, mas, para sua decepção, a chave não se encaixou. Ele suspirou, frustrado, e olhou para Anne e Júlia.
"Essa chave não é daqui," disse ele, retirando a chave e olhando ao redor, como se procurasse outra opção.
Anne franziu o cenho e se aproximou da porta, examinando-a mais de perto. "Essa porta parece ser mais moderna do que o restante da estrutura," observou. "Talvez tenha sido instalada depois que esse lugar foi construído."
"Então, como vamos abri-la?" perguntou Júlia, passando a mão pela parede ao lado da porta, como se procurasse algum tipo de painel oculto ou mecanismo que pudesse destravá-la.
"Precisamos encontrar outra maneira," disse Anne, recuando um passo para avaliar a situação. "Talvez haja algo mais nesta sala que possa nos ajudar a entender o que está acontecendo aqui."
Os três começaram a explorar a sala com mais atenção, iluminando cada canto com suas lanternas. Paulo se concentrou na estrutura metálica, tentando descobrir seu propósito ou se havia alguma forma de ligá-la. Júlia continuou a examinar o painel de controle, enquanto Anne se dirigiu para uma mesa no canto da sala, onde avistou alguns papéis empoeirados.
Ela pegou os papéis e começou a folheá-los, soprando a poeira que cobria as páginas. Havia diagramas técnicos, anotações em códigos que ela não conseguia decifrar, e algumas cartas que pareciam ter sido escritas às pressas. Uma das cartas chamou sua atenção.
_"A operação está em andamento, mas o tempo é curto. A ameaça se aproxima, e não sabemos se conseguiremos terminar a instalação a tempo. Se não conseguirmos, que Deus tenha misericórdia de todos nós. As instruções foram deixadas na sala de monitoramento, junto com a última chave. Se alguém encontrar isso, siga as instruções. Isso é tudo o que podemos fazer."_
Anne sentiu um calafrio ao ler a carta. "Há uma sala de monitoramento," disse ela em voz alta, chamando a atenção de Paulo e Júlia. "E parece que é lá que encontraremos a última chave e as instruções sobre o que fazer."
"Mas onde fica essa sala de monitoramento?" perguntou Paulo, olhando ao redor como se esperasse ver uma porta que não haviam notado antes.
Anne voltou sua atenção para o mapa que haviam encontrado no sótão. Ela o abriu novamente e o examinou à luz da lanterna, procurando qualquer indicação de uma sala de monitoramento. Depois de alguns momentos, ela encontrou uma marcação que não havia percebido antes, perto da área onde estavam.
"Aqui," disse ela, apontando para o mapa. "Parece que a sala de monitoramento está localizada em algum lugar próximo ao final deste túnel. Precisamos continuar em frente e ver se conseguimos encontrá-la."
"Não temos outra escolha," concordou Júlia. "Se esse lugar foi construído para algum tipo de operação, a sala de monitoramento pode nos dar as respostas que precisamos."
Com um novo senso de urgência, os três seguiram em frente, saindo da sala ampla e voltando ao túnel. As paredes ao redor pareciam cada vez mais claustrofóbicas à medida que avançavam, e o ar parecia mais denso, quase difícil de respirar.
Finalmente, após caminhar por alguns minutos, eles chegaram a outra porta, menor e mais simples do que a anterior, mas igualmente trancada. Paulo tentou girar a maçaneta, mas a porta não cedeu.
"Talvez essa seja a sala de monitoramento," disse Anne, olhando novamente para o mapa para confirmar sua localização.
"Precisamos abrir essa porta," disse Paulo, sua voz carregada de determinação. "Se realmente há instruções lá dentro, isso pode ser a chave para sairmos vivos daqui."
Júlia começou a vasculhar as paredes próximas, tentando encontrar algum mecanismo escondido. "Pode haver um painel de acesso ou algo assim," disse ela, batendo nas paredes ocas com as mãos.
Enquanto os outros procuravam, Anne percebeu uma pequena abertura no teto acima da porta. "Aqui em cima!" chamou ela, apontando a lanterna para a abertura. "Parece que há uma entrada de ventilação ou algo assim."
Paulo olhou para a abertura e depois para Anne. "Talvez seja nossa única maneira de entrar. Você consegue subir?"
Anne assentiu, guardando sua lanterna no cinto e começando a procurar uma maneira de escalar a parede. Com a ajuda de Paulo, ela conseguiu se erguer até a abertura. A passagem era estreita, mas larga o suficiente para que ela pudesse se espremer.
"Eu vou tentar abrir a porta por dentro," disse Anne, desaparecendo na escuridão da passagem.
Os minutos que seguiram pareceram horas para Paulo e Júlia. O silêncio do túnel era opressor, e cada som, por menor que fosse, ecoava como um grito. Finalmente, ouviram o som de um trinco se movendo e a porta se abriu lentamente, revelando Anne do outro lado.
"Consegui," disse ela, ofegante. "Vamos entrar."
A sala de monitoramento era pequena e cheia de equipamentos antigos, a maioria dos quais cobertos de poeira e fora de uso. Havia telas quebradas e uma mesa cheia de papéis e cadernos, mas o que mais chamou a atenção foi um painel de controle no centro da sala, ainda com algumas luzes fracas piscando.
Anne se aproximou do painel, onde encontrou um conjunto de chaves penduradas ao lado de um bilhete curto, escrito com a mesma caligrafia da carta que havia lido antes.
_"Se você está lendo isso, então conseguimos adiar o inevitável. A chave principal está aqui. Use-a no painel para ativar o sistema de emergência. Não há mais tempo. Boa sorte."_
Anne pegou a chave principal e olhou para os outros. "Acho que isso é o que precisamos para abrir aquela porta pesada," disse ela.
"Mas o que o sistema de emergência faz?" perguntou Júlia, olhando desconfiada para o painel.
"Não sei," admitiu Anne. "Mas acho que precisamos descobrir."
Com a chave em mãos, eles voltaram para a sala onde a porta pesada permanecia fechada. Paulo inseriu a chave na fechadura e a girou. Houve um clique alto, seguido por um zumbido mecânico. A porta começou a se abrir lentamente, revelando um corredor escuro à frente.
"Aqui vamos nós," disse Anne, acendendo sua lanterna mais uma vez. "Não sabemos o que vamos encontrar lá dentro, mas estamos mais perto das respostas."
O grupo entrou no corredor escuro, ciente de que estavam se aproximando de algo que poderia mudar tudo o que sabiam sobre aquele lugar, sobre as criaturas que os perseguiam e sobre a verdadeira natureza da ameaça que enfrentavam.
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Atualizado até capítulo 62
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