A van avançava pelas estradas desertas, o motor roncando suavemente enquanto David mantinha os olhos fixos na estrada à frente. O sol já havia se posto completamente, e a noite trouxe consigo uma escuridão quase palpável, quebrada apenas pelos faróis do veículo. Dentro da van, o silêncio era denso, mas carregado de uma tensão que todos sentiam.
Anne estava no banco do passageiro, observando o horizonte. As ruas pareciam intermináveis, com nada além de escombros e escuridão à frente. Ela sabia que o pior poderia estar esperando a qualquer momento, e sua mente trabalhava constantemente, tentando antecipar o próximo perigo.
"Estamos indo na direção certa?", perguntou Marta, quebrando o silêncio. Ela estava sentada no banco de trás, ao lado de Júlia, que não conseguia esconder sua ansiedade.
"Até onde sabemos, sim", respondeu David sem tirar os olhos da estrada. "Se continuarmos assim, devemos sair da cidade nas próximas horas. Depois disso, só resta encontrar um lugar seguro para passarmos a noite."
Júlia suspirou, olhando pela janela para a escuridão do lado de fora. "Mas e se não houver mais lugar seguro? E se tudo estiver destruído, como aqui?"
A pergunta pairou no ar, trazendo de volta os medos que todos tentavam suprimir. Era um pensamento constante que cada um deles carregava desde o início, mas verbalizá-lo fazia parecer ainda mais real.
Anne virou-se para trás e olhou para Júlia com uma expressão séria, mas reconfortante. "Nós não sabemos o que vamos encontrar, mas desistir agora não é uma opção. Enquanto estivermos juntos, podemos enfrentar o que vier."
Paulo, que estava sentado ao lado de Marta, assentiu. "Temos que acreditar que há algo além disso. Um lugar onde possamos reconstruir, onde possamos estar a salvo."
"Precisamos continuar nos movendo", David interrompeu, tentando manter o foco do grupo. "Ficar parado nos tornará alvos fáceis. Vamos nos concentrar em sair daqui primeiro."
O som do motor da van era quase hipnótico, e por um momento, o grupo caiu novamente em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Mas a calma durou pouco.
De repente, uma sombra atravessou a estrada à frente da van, passando rapidamente diante dos faróis. David freou bruscamente, fazendo a van derrapar alguns metros antes de parar completamente.
"O que foi isso?" Paulo perguntou, tentando olhar pela janela, mas a escuridão do lado de fora era impenetrável.
"Não sei", respondeu David, os olhos fixos na estrada à frente. "Mas seja lá o que for, está bem perto."
Todos ficaram imóveis, tentando escutar qualquer som que pudesse indicar a presença de algo ou alguém. O silêncio era quase ensurdecedor, mas o ar estava carregado de tensão.
"Precisamos sair daqui", sussurrou Anne, sentindo o perigo iminente. "Não podemos ficar parados."
David assentiu, pronto para acelerar novamente, mas antes que pudesse agir, algo bateu com força contra o lado da van, balançando o veículo e provocando um grito sufocado de Júlia.
"Segurem-se!" David gritou, tentando manter o controle enquanto o veículo balançava violentamente.
Outro impacto atingiu o lado oposto da van, seguido por um som que parecia de metal sendo arranhado. Marta puxou Júlia para mais perto, tentando protegê-la enquanto Paulo se agarrava ao banco com todas as forças.
"Estamos cercados!" gritou Paulo, tentando olhar pelas janelas, mas a escuridão escondia qualquer ameaça.
David acelerou a van, tentando escapar da situação, mas as forças externas continuavam a bater contra o veículo, como se estivessem sendo atacados por algo invisível e feroz.
"Temos que sair daqui agora!" Anne gritou, sentindo a urgência crescente. "Não vamos aguentar mais um ataque desses!"
A van acelerou, ganhando velocidade na tentativa desesperada de escapar do que quer que estivesse lá fora. O veículo balançava de um lado para o outro, mas David conseguiu mantê-lo na estrada, o motor rugindo enquanto fugiam do perigo.
Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, os impactos pararam, e o som metálico desapareceu. O grupo permaneceu em silêncio, os corações disparados, enquanto a van continuava sua corrida pela estrada escura.
Finalmente, David reduziu a velocidade, respirando fundo, tentando controlar a adrenalina que ainda corria por seu corpo. "Acho que conseguimos... nos livramos deles."
"Mas o que era aquilo?" Marta perguntou, a voz tremendo de medo. "Não parecia ser os contaminados. Era algo... diferente."
"Nós não sabemos", respondeu David, olhando brevemente para Anne. "Mas não podemos nos dar ao luxo de parar e descobrir. Precisamos continuar até estarmos longe o suficiente."
O grupo concordou, ainda em choque pelo ataque repentino. Mas sabiam que a cidade e seus arredores estavam cheios de perigos, muitos dos quais eles ainda nem sequer compreendiam. E enquanto avançavam na escuridão, o pensamento de que estavam apenas começando a entender a extensão do que estava acontecendo se instalou em suas mentes.
Após mais alguns minutos de viagem, David avistou uma pequena construção ao lado da estrada, meio escondida entre as árvores e parcialmente coberta de vegetação. "Ali, vamos parar lá. Pode ser um bom lugar para descansarmos e verificar a van."
Anne olhou pela janela, tentando avaliar o local. "Parece que está abandonado. Pode ser seguro por enquanto."
David conduziu a van até a construção, parando ao lado do que parecia ser uma antiga garagem. O grupo desceu, os sentidos ainda alertas, enquanto examinavam o local. A construção estava desgastada pelo tempo, mas parecia sólida. As janelas estavam quebradas, e a porta da frente estava parcialmente aberta.
"Vamos entrar, mas com cuidado", disse David, sacando uma faca improvisada que havia mantido consigo desde o início. Anne pegou um pedaço de tubo de metal, e os outros seguiram o exemplo, prontos para qualquer surpresa.
Ao entrarem, foram recebidos por um ambiente empoeirado e frio, mas aparentemente deserto. Havia sinais de que alguém esteve ali há muito tempo — móveis velhos, latas de comida vazias, e até mesmo um cobertor sujo jogado em um canto.
"Não parece haver ninguém aqui", Marta comentou, tentando acalmar seus nervos. "Podemos descansar um pouco antes de seguir em frente."
"Mas precisamos de turnos de vigília", disse David, ainda cauteloso. "Não sabemos o que pode estar lá fora, ou se eles nos seguiram."
O grupo concordou, dividindo as tarefas. Enquanto alguns descansavam, os outros ficavam de guarda, atentos a qualquer som ou movimento.
Anne ficou com a primeira vigília, seus olhos varrendo a escuridão lá fora enquanto o resto do grupo tentava dormir, apesar do medo constante. Ela sabia que o que quer que estivesse lá fora era diferente, mais perigoso do que os contaminados. E isso só tornava a missão de sobrevivência ainda mais difícil.
Conforme as horas passavam, Anne se encontrou perdida em pensamentos, lembrando-se de como tudo havia começado. Antes da queda, antes da contaminação, quando a vida era diferente, normal. Mas esse tempo parecia um sonho distante agora, algo que ela mal conseguia recordar com clareza.
De repente, um movimento fora da janela chamou sua atenção. Ela se levantou lentamente, tentando ver melhor através da escuridão. Por um momento, pensou ter visto uma figura se movendo entre as árvores, mas quando piscou, a figura havia desaparecido.
Anne franziu a testa, sentindo um arrepio subir pela espinha. Aproximou-se da janela, tentando escutar qualquer som, mas a noite estava mortalmente silenciosa.
Decidiu não alarmar os outros, não sem ter certeza. Mas seu coração batia mais rápido, e ela sabia que a noite ainda não havia acabado — nem os perigos que ela trazia.
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Atualizado até capítulo 62
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