O dia começava a clarear, trazendo consigo uma sensação frágil de segurança. A luz da manhã, embora fraca e filtrada pelas nuvens densas, proporcionava algum alívio ao grupo. Após a longa noite de fuga, todos estavam exaustos, mas a visão de uma nova paisagem à frente lhes dava um breve vislumbre de esperança.
A estrada havia se transformado em um caminho de terra, ladeado por árvores altas e densas que pareciam ter sobrevivido ao caos que se abateu sobre o mundo. O silêncio ao redor era quase total, exceto pelo som das folhas se movendo suavemente ao vento e o zumbido distante de insetos. Não havia sinais das criaturas que os haviam perseguido anteriormente, o que era um alívio.
"Estamos muito longe da cidade agora," disse David, aliviado. "Eu acho que finalmente conseguimos uma pausa."
Anne olhou para a estrada à frente, ainda cautelosa. "Precisamos encontrar um lugar para descansar. Um lugar que seja seguro, onde possamos nos reorganizar e decidir nossos próximos passos."
"Você tem alguma ideia de onde estamos?" perguntou Paulo, que tentava analisar a paisagem ao redor.
"Não exatamente," admitiu David. "Mas lembro-me de que havia algumas vilas pequenas nesta área, antes de tudo acontecer. Talvez possamos encontrar uma delas e ver se ainda existe alguma coisa."
Júlia, que estava sentada no banco traseiro, parecia distante, perdida em pensamentos. Mas ao ouvir a conversa, levantou os olhos e falou. "Eu li sobre um lugar por aqui. Era uma antiga comunidade agrícola, isolada do resto das cidades. Se ainda estiver de pé, pode ser o lugar ideal para nos escondermos."
David ponderou por um momento e então assentiu. "Vale a pena tentar. Vamos continuar dirigindo por mais um tempo, e se encontrarmos algo, paramos para investigar."
O grupo concordou, e a van seguiu em frente, atravessando a floresta que parecia se fechar ao redor deles, como se estivessem entrando em um mundo à parte. O tempo parecia passar mais lentamente, cada quilômetro percorrido era uma pequena vitória na batalha pela sobrevivência.
Quando o sol estava alto no céu, a van finalmente avistou um sinal de vida. Entre as árvores, puderam ver o que pareciam ser os restos de uma antiga cerca de madeira, coberta de musgo e parcialmente caída. Mais adiante, havia algumas construções simples, pequenas casas que pareciam quase fundidas à natureza ao redor.
"Essa deve ser a comunidade de que Júlia falou," disse David, estacionando a van a uma distância segura.
O grupo saiu do veículo, olhando ao redor com cautela. As casas pareciam abandonadas, mas ainda estavam de pé, o que era mais do que podiam esperar de muitos lugares por onde passaram.
"Vamos investigar," disse Anne, liderando o caminho em direção à primeira casa.
A porta rangeu ao ser aberta, e uma onda de cheiro de madeira úmida e vegetação invadiu suas narinas. O interior da casa estava empoeirado, mas não havia sinais de destruição ou luta. Parecia que as pessoas que viveram ali haviam partido há muito tempo, deixando para trás apenas o essencial.
"Não há ninguém aqui," disse Marta, aliviada. "Parece seguro."
David começou a explorar outras casas próximas, encontrando mais do mesmo — construções simples, mas ainda habitáveis. "Podemos ficar aqui por um tempo," disse ele. "Há espaço suficiente para todos e, com um pouco de esforço, podemos tornar o lugar mais seguro."
Anne assentiu, já pensando em como organizar o grupo. "Precisamos de uma estratégia. Vamos reforçar as portas e janelas e, depois, procurar suprimentos nas casas ao redor. Se tivermos sorte, poderemos encontrar algo útil."
O grupo se dispersou, cada um assumindo uma tarefa diferente. Anne e Paulo começaram a reforçar as janelas com tábuas de madeira encontradas nas outras casas, enquanto David e Júlia exploravam a área ao redor, em busca de qualquer sinal de perigo ou de possíveis recursos. Marta se encarregou de procurar alimentos e verificar a condição dos poços ou fontes de água da comunidade.
As horas se passaram, e o lugar começou a tomar a forma de um refúgio. As casas, antes abandonadas, agora tinham suas entradas fortificadas, e o grupo conseguiu reunir uma quantidade razoável de suprimentos, o que incluía comida enlatada, água e alguns medicamentos básicos.
Quando o sol começou a se pôr, todos se reuniram na casa maior, que haviam decidido usar como base principal. O crepitar de uma fogueira improvisada no centro da sala trazia um conforto inesperado. Pela primeira vez em muito tempo, sentiram-se relativamente seguros.
"Conseguimos," disse David, sentando-se pesadamente em uma cadeira velha. "Pelo menos por agora."
"Mas por quanto tempo?" questionou Júlia, a incerteza ainda presente em sua voz. "E se as criaturas nos encontrarem aqui? O que faremos então?"
Anne, que estava quieta até então, levantou a cabeça. "Não podemos prever o que acontecerá, mas temos que estar prontos. Este lugar nos dá uma chance de descansar, nos reagrupamos e pensamos em um plano de longo prazo. Mas devemos sempre estar preparados para o pior."
Paulo, que estava mexendo na fogueira, assentiu. "Precisamos organizar turnos de vigília durante a noite. Não podemos deixar nada ao acaso."
Todos concordaram, e a noite começou a cair sobre o refúgio recém-descoberto. Cada um assumiu sua posição, com um alívio cauteloso tomando conta deles. Eles sabiam que este lugar, por mais temporário que fosse, oferecia um momento de respiro em um mundo que havia se tornado insuportavelmente perigoso.
A noite estava em seu auge, e o silêncio da floresta ao redor era profundo. Anne estava em seu turno de vigília, sentada perto da fogueira que agora estava quase apagada, as brasas ainda brilhando fracamente. Ela segurava sua arma improvisada em uma das mãos, os olhos atentos à escuridão além das janelas reforçadas.
Ela sabia que não podia relaxar. Sabia que, mesmo em um lugar aparentemente seguro como aquele, o perigo ainda espreitava. As memórias das criaturas que os haviam perseguido ainda estavam frescas em sua mente, e o medo de que pudessem voltar nunca desaparecia completamente.
Enquanto ela vigiava, ouviu um som suave, quase imperceptível. Seu corpo enrijeceu, os sentidos aguçados pela adrenalina. Ela se levantou lentamente, tentando localizar a origem do som.
Mas o som desapareceu tão rapidamente quanto começou. Anne ficou parada por um momento, os ouvidos atentos, mas tudo o que ouviu foi o suave farfalhar das árvores lá fora.
"Provavelmente só o vento," murmurou para si mesma, voltando ao seu lugar.
Mas, por mais que tentasse se convencer de que estava segura, o medo persistente em seu peito não a deixava em paz. Ela sabia que, embora estivessem temporariamente a salvo, o mundo lá fora ainda era implacável. E em algum lugar, na escuridão que cercava o refúgio, o perigo continuava a rondar, aguardando o momento certo para atacar.
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Atualizado até capítulo 62
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