A van avançava pela estrada em meio a uma escuridão que parecia se estender infinitamente. O motor roncava de maneira constante, mas o silêncio dentro do veículo era quase absoluto, com cada membro do grupo perdido em seus próprios pensamentos. O fracasso no hospital ainda pesava sobre eles, e a incerteza sobre o que fazer a seguir tornava tudo mais difícil.
Anne olhava pela janela, vendo as árvores passarem rapidamente, sombras disformes que se misturavam no breu. Ela estava exausta, mas sabia que não poderia se permitir descansar. O perigo que enfrentavam era constante e implacável.
David, ao volante, mantinha a atenção dividida entre a estrada e o retrovisor, como se temesse que as criaturas que os atacaram ainda estivessem atrás deles. Seus dedos apertavam o volante com tanta força que as juntas estavam brancas.
"Precisamos parar em algum lugar," disse Júlia finalmente, quebrando o silêncio. Sua voz estava baixa, quase um sussurro, mas carregava o peso do cansaço e da necessidade. "Não podemos continuar assim, dirigindo sem rumo. Precisamos descansar, pelo menos por algumas horas."
"Ela está certa," concordou Paulo, ainda ofegante dos eventos no hospital. "Se não descansarmos, acabaremos cometendo algum erro. E não podemos nos dar ao luxo de errar."
David não respondeu de imediato, mas finalmente assentiu. "Se encontrarmos um lugar seguro para parar, eu concordo. Mas não podemos nos arriscar a parar em qualquer lugar."
Anne pensou por um momento, tentando lembrar de qualquer lugar seguro nas redondezas. "Há um antigo posto de gasolina a alguns quilômetros daqui," ela sugeriu. "Fica na estrada, mas é isolado o suficiente para que talvez não tenha sido descoberto. Podemos verificar e, se parecer seguro, parar lá por um tempo."
David considerou a sugestão. "Pode ser uma boa ideia. Vamos em frente. Mas, se algo parecer errado, seguimos em frente."
O grupo concordou, e a van continuou seu caminho pela estrada deserta. O silêncio voltou a reinar, apenas interrompido pelos ruídos ocasionais do motor e pelos pensamentos inquietos de cada um.
**Minutos depois**
Finalmente, as luzes apagadas do posto de gasolina apareceram à distância. O lugar estava mergulhado na escuridão, as bombas de combustível enferrujadas e o pequeno prédio parcialmente destruído. No entanto, a área ao redor parecia deserta, sem sinais de movimento ou qualquer indicativo de que o local tivesse sido usado recentemente.
David desacelerou a van, aproximando-se cautelosamente. "Eu vou verificar," disse ele, desligando o motor e pegando sua faca. "Anne, você vem comigo. Os outros, fiquem aqui e fiquem atentos a qualquer coisa."
Anne assentiu, pegando sua própria arma improvisada, e os dois saíram do veículo, movendo-se em direção ao posto. O ar estava pesado e o cheiro de óleo antigo e gasolina pairava no ar, misturado com o odor da natureza que estava lentamente reivindicando o espaço.
A porta do pequeno edifício estava parcialmente aberta, pendendo em suas dobradiças. David empurrou-a lentamente, fazendo um rangido agudo que ecoou pelo lugar. A lanterna em suas mãos varreu o interior, revelando prateleiras vazias e um balcão quebrado. Restos de embalagens e latas de comida estavam espalhados pelo chão, mas nada parecia fora do comum.
"Está vazio," murmurou Anne, verificando os cantos escuros do espaço. "Parece que ninguém esteve aqui há muito tempo."
David concordou, mas ainda estava cauteloso. "Vamos verificar os fundos. Pode haver algo lá que não estamos vendo."
Eles se moveram para os fundos do prédio, onde encontraram uma pequena sala que um dia havia servido como depósito. Algumas caixas estavam empilhadas, mas a maioria estava vazia ou cheia de itens sem valor. No entanto, em um canto, David encontrou algumas garrafas de água ainda fechadas e algumas latas de comida em conserva.
"Isso pode nos ajudar," disse ele, pegando as garrafas. "Não é muito, mas pelo menos temos algo."
Anne estava prestes a responder quando ouviu um ruído baixo, como um gemido distante. Ela congelou, os olhos se arregalando. "Você ouviu isso?"
David parou, os sentidos em alerta. "Sim," respondeu, a voz baixa. "Vem lá de fora."
Eles se moveram de volta para a entrada do posto, saindo para o ar noturno. O som continuava, um gemido contínuo que parecia vir de algum lugar próximo, mas fora do campo de visão.
"Temos que voltar para a van," disse David, apressado. "Algo está vindo."
Eles correram de volta para o veículo, onde Paulo e Marta já estavam alertas, prontos para qualquer sinal de perigo.
"O que houve?" perguntou Paulo, vendo a expressão tensa de David.
"Algo está lá fora," disse David, ligando o motor novamente. "Precisamos sair daqui, agora."
Mas antes que pudessem se mover, o som dos gemidos aumentou, se tornando um coro de vozes distorcidas que ecoavam ao redor deles. Criaturas emergiram das sombras ao redor do posto de gasolina, seus olhos brilhando na escuridão. Eram semelhantes às que os atacaram no hospital, mas em maior número, movendo-se de maneira errática e ameaçadora.
David acelerou a van, tentando se afastar rapidamente, mas as criaturas já estavam sobre eles, batendo nas janelas e tentando forçar a entrada.
"Estamos cercados!" gritou Marta, segurando uma barra de metal e tentando manter uma das portas fechadas.
Anne olhou para a estrada à frente, tentando encontrar uma rota de fuga. "A estrada está bloqueada! Precisamos encontrar outra saída!"
David girou o volante, tentando manobrar a van para longe das criaturas. "Segurem-se!"
O veículo avançou em alta velocidade, derrubando algumas das criaturas que bloqueavam o caminho. As janelas estremeceram, mas resistiram ao ataque, enquanto a van se afastava cada vez mais rápido.
Por um momento, pareceu que eles haviam escapado, mas então um forte impacto sacudiu a van, quase fazendo-a sair da estrada. Uma das criaturas havia saltado sobre o veículo, agarrando-se ao teto e tentando penetrar a estrutura.
"Não podemos continuar assim!" Paulo gritou, desesperado. "Elas vão nos derrubar!"
Anne, agindo rapidamente, abriu a janela lateral e, com todas as suas forças, golpeou a criatura com sua arma improvisada. O impacto fez a criatura soltar um grito agudo e cair para trás, finalmente se desprendendo da van.
Com o caminho livre, David acelerou ainda mais, dirigindo em direção à saída mais próxima da cidade, enquanto as criaturas ficavam para trás, cada vez menores no espelho retrovisor.
Finalmente, quando a estrada estava livre novamente e o perigo parecia ter passado, David diminuiu a velocidade, respirando fundo.
"Isso foi por pouco," disse ele, a voz ainda tremendo de adrenalina.
"Mas para onde vamos agora?" perguntou Júlia, ainda tentando se acalmar. "Não temos mais opções."
Anne olhou para a estrada escura à frente e respondeu com determinação: "Vamos continuar dirigindo até encontrarmos algo... qualquer coisa. Não podemos desistir. Não ainda."
E assim, o grupo continuou sua fuga, sabendo que o perigo estava sempre presente, mas se recusando a ceder ao desespero. As estradas sombrias que percorriam eram uma metáfora para a jornada que enfrentavam, incerta e cheia de perigos desconhecidos. Mas enquanto permanecessem juntos, ainda havia uma chance, por menor que fosse, de sobrevivência.
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Atualizado até capítulo 62
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