O sol mal havia nascido quando Anne despertou os outros. As poucas horas de sono não foram suficientes para aliviar o cansaço que sentiam, mas era o melhor que podiam fazer. Os primeiros raios de luz atravessavam as janelas cobertas, lançando sombras longas nas paredes desgastadas da casa.
"Precisamos explorar mais a área hoje," disse David enquanto tomava um gole de água. "Ontem, conseguimos reforçar as defesas, mas ainda não sabemos o que mais pode haver por aqui."
"Concordo," respondeu Anne, ajeitando a mochila nas costas. "Vamos nos dividir novamente. Alguns ficam aqui para continuar fortificando o refúgio, enquanto outros saem para ver se encontram mais suprimentos ou alguma pista sobre o que aconteceu com as pessoas que viviam aqui."
Júlia, que estava de pé ao lado da janela, observava a floresta lá fora. "Eu vou com você, Anne," disse ela, virando-se para o grupo. "Podemos verificar aquelas casas mais ao norte que não conseguimos ver ontem."
"Eu também vou," Paulo se voluntariou. "Três pessoas devem ser suficientes para cobrir uma boa área."
"Certifique-se de que o rádio está funcionando," disse David, entregando o dispositivo a Anne. "Qualquer sinal de problema, avisem imediatamente."
Anne assentiu, pegando o rádio e verificando rapidamente sua funcionalidade. "Vamos lá," disse ela, saindo pela porta da frente, seguida por Júlia e Paulo.
Enquanto isso, David, Marta e Carlos ficaram no refúgio, reforçando as defesas e verificando o interior da casa principal para ver se algo havia sido deixado para trás pelos antigos moradores.
Anne, Júlia e Paulo avançaram pela floresta, o ar frio da manhã acariciando seus rostos. O caminho era acidentado, mas a vegetação ao redor parecia surpreendentemente intacta, como se o caos que havia tomado conta das cidades não tivesse chegado até ali.
"Você acha que essas pessoas conseguiram escapar antes que tudo isso acontecesse?" perguntou Paulo enquanto eles se aproximavam da primeira casa ao norte.
"Talvez," respondeu Júlia, pensativa. "Mas o que me preocupa é o que poderia ter acontecido com elas. Se este lugar era tão isolado, por que elas sairiam?"
"Vamos descobrir," disse Anne, movendo-se rapidamente para a porta da casa e testando a maçaneta.
A porta estava destrancada, mas parecia pesada, como se não tivesse sido aberta há muito tempo. Anne empurrou-a com força, e a porta se abriu com um rangido prolongado. O interior da casa era semelhante ao que haviam encontrado antes: móveis antigos cobertos de poeira, prateleiras vazias e um silêncio que parecia gritar a ausência de vida.
"Vamos nos separar e verificar tudo," disse Anne, puxando sua lanterna para iluminar os cantos escuros. "Procurem qualquer coisa que possa nos dar uma pista."
Paulo foi para a cozinha, onde começou a abrir os armários e gavetas, enquanto Júlia se dirigiu para o que parecia ser um quarto. Anne ficou na sala principal, examinando as paredes e móveis.
"Não há nada aqui," disse Paulo, desanimado, ao voltar da cozinha. "Parece que as pessoas que viviam aqui levaram tudo o que podiam."
"Encontrei algumas roupas velhas no quarto, mas nada que nos ajude a entender o que aconteceu," disse Júlia, voltando ao lado de Anne.
Anne estava prestes a concordar quando algo chamou sua atenção. No canto da sala, perto de uma velha estante, havia uma escada que levava a um sótão. Era uma passagem estreita, quase escondida, que passaria despercebida se não fosse pela pequena abertura no teto.
"Vamos verificar o sótão," disse Anne, apontando para a escada. "Pode haver algo lá em cima que não vimos."
Júlia e Paulo assentiram, e os três se aproximaram da escada. Paulo foi o primeiro a subir, seguido por Anne e Júlia. O sótão era escuro e abafado, mas a luz das lanternas revelou um espaço apertado cheio de caixas antigas e móveis quebrados.
"Olhem isso," disse Paulo, puxando uma das caixas para o centro do sótão. Ele abriu a tampa, revelando o interior cheio de papéis, fotografias antigas e cadernos.
Anne pegou um dos cadernos, soprando a poeira da capa antes de abri-lo. As páginas estavam amareladas pelo tempo, mas as palavras ainda eram legíveis. Era um diário, escrito à mão, detalhando os últimos dias de quem havia vivido naquela casa.
"O dono deste diário era um dos moradores daqui," disse Anne, enquanto folheava as páginas. "Ele descreve como a comunidade começou a enfrentar problemas depois que as notícias sobre o caos nas cidades começaram a se espalhar."
"Ele menciona alguma coisa sobre as criaturas?" perguntou Júlia, inclinando-se para olhar por cima do ombro de Anne.
"Não exatamente," respondeu Anne. "Mas ele fala sobre o medo crescente entre os moradores e como, eventualmente, alguns decidiram sair para procurar ajuda. O que é estranho, porque eles pareciam saber que algo perigoso estava se aproximando, mas não sabiam exatamente o quê."
"Então, pode ser que eles tenham deixado o lugar antes que as criaturas chegassem até aqui," sugeriu Paulo.
"Ou talvez tenham sido forçados a sair," disse Anne, ainda lendo. "Há uma parte aqui em que ele menciona ouvir ruídos estranhos à noite, mas não consegue identificar o que é. Ele descreve isso como 'sussurros nas árvores' e 'olhos na escuridão'."
Júlia sentiu um calafrio subir pela espinha. "Isso não soa nada bom."
"Definitivamente não," concordou Anne. "Mas isso confirma que eles sabiam que estavam em perigo, mesmo sem entender completamente o que estava acontecendo."
Enquanto Anne continuava a ler, Paulo começou a vasculhar outra caixa no sótão, encontrando alguns utensílios de metal e ferramentas antigas. "Talvez possamos usar algumas dessas ferramentas para reforçar ainda mais o refúgio," disse ele, tentando aliviar a tensão que sentia.
Júlia, no entanto, estava mais interessada em um grande baú que estava escondido sob uma pilha de roupas velhas. Ela puxou as roupas para o lado e tentou abrir o baú, mas estava trancado.
"Este baú está trancado," disse ela, chamando a atenção de Anne e Paulo.
"Vamos abrir," disse Anne, fechando o diário e guardando-o na mochila. "Pode haver algo importante dentro."
Paulo pegou uma das ferramentas que havia encontrado e começou a trabalhar na fechadura enferrujada. Depois de alguns minutos de esforço, ele conseguiu abrir o baú, revelando seu conteúdo.
Dentro, havia mais cadernos, junto com uma caixa de metal menor e alguns objetos pessoais que pareciam ser de grande valor sentimental. Anne pegou a caixa de metal e a abriu cuidadosamente. Dentro, encontrou o que parecia ser um mapa, juntamente com uma chave pequena e um bilhete.
O bilhete era curto, escrito apressadamente:
_"Para quem encontrar isto: o refúgio é seguro, mas a verdadeira ameaça está abaixo. Não confiem na terra que pisam."_
Anne franziu a testa ao ler as palavras. "A verdadeira ameaça está abaixo? O que isso significa?"
"Talvez haja algo subterrâneo por aqui," sugeriu Paulo, olhando para o mapa. "Algum tipo de estrutura que não conhecemos."
"Isso explicaria os 'sussurros nas árvores' que o morador mencionou," disse Júlia. "Talvez haja algo... ou alguém... vivendo sob a terra."
Anne guardou o bilhete e a chave, sentindo um peso novo em seus ombros. "Precisamos voltar e contar ao resto do grupo. Temos que descobrir o que isso significa antes de decidir qualquer coisa."
"Concordo," disse Paulo, fechando o baú. "E temos que ser rápidos. Não podemos ficar muito tempo em um lugar que pode ser mais perigoso do que pensamos."
Com os novos achados guardados, o grupo desceu do sótão e voltou para a van, levando consigo as pistas recém-descobertas. À medida que se afastavam da casa, o silêncio da floresta parecia cada vez mais opressivo, como se algo ou alguém estivesse observando-os, esperando pelo momento certo para atacar.
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Atualizado até capítulo 62
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