A Vigília

David estava de pé, imóvel ao lado da janela, os olhos fixos na rua lá embaixo. A escuridão da noite era uma cortina impenetrável, obscurecendo qualquer movimento nas sombras. Ele sabia que deveria se concentrar em qualquer som, qualquer pista de que algo estava se aproximando, mas seus pensamentos estavam distraídos. O peso da responsabilidade sobre seus ombros era sufocante, e a exaustão física e mental começava a cobrar seu preço.

Anne estava encolhida em um canto da sala, tentando descansar, mas David sabia que ela não estava dormindo profundamente. Ninguém no grupo conseguia realmente relaxar; o medo e a tensão constante eram como uma segunda pele, sempre presentes, sempre apertando.

Ele suspirou, afastando-se da janela por um momento para esticar as pernas. Olhou para os outros, todos espalhados pelo chão do apartamento. Marta estava acordada, sentada contra a parede com os joelhos dobrados e o olhar perdido. Júlia e Marcos estavam deitados em um canto, dormindo o sono leve dos exaustos. Paulo tinha o rosto parcialmente coberto por uma jaqueta velha, tentando se manter aquecido.

David sabia que eles não podiam ficar ali por muito tempo. O prédio era seguro por enquanto, mas era apenas uma questão de tempo até que precisassem se mover novamente. A ideia de sair, de voltar para as ruas cheias de perigos, o enchia de um misto de medo e determinação. Eles não tinham outra escolha. Precisavam encontrar uma saída da cidade e, mais importante, uma razão para continuar lutando.

Ele voltou para a janela, varrendo a rua mais uma vez com os olhos. Nada se movia, nenhum som além do sussurro distante do vento entre os edifícios. David apertou a lanterna em suas mãos, girando-a nervosamente. Não podia relaxar, nem por um segundo. Os contaminados poderiam aparecer de repente, vindos de qualquer direção.

O tempo parecia se arrastar, cada minuto uma eternidade. David sentiu suas pálpebras pesadas, o corpo pedindo descanso, mas ele se forçou a continuar atento. Sabia que em breve seria substituído por Marta, mas até lá, precisava manter-se vigilante.

A sala estava mergulhada em um silêncio desconfortável, quebrado apenas pelo ocasional ruído dos edifícios ao redor. Marta, que até então estava em silêncio, finalmente se levantou e aproximou-se de David. Ela se agachou ao seu lado, sussurrando para não acordar os outros.

"Você deve descansar um pouco," ela disse suavemente. "Eu assumo a vigia."

David balançou a cabeça. "Ainda não. Quero garantir que estamos seguros até o amanhecer. E depois... decidimos o que fazer."

Marta o estudou por um momento, percebendo a tensão em seu rosto. "Você não pode fazer isso sozinho, David. Todos estamos no limite, mas precisamos um do outro. Se você não descansar, não vai conseguir nos guiar amanhã."

Ele sabia que ela tinha razão, mas a ideia de fechar os olhos, mesmo que por alguns minutos, o assustava. "Eu sei," respondeu finalmente, a voz baixa. "Mas é difícil desligar."

Marta assentiu, compreendendo. Ela também estava lidando com seus próprios medos e incertezas, mas sabia que a sobrevivência deles dependia de suas forças combinadas. "Estamos juntos nisso, lembra? Ninguém aqui precisa carregar tudo sozinho."

David soltou um suspiro, forçando um pequeno sorriso. "Eu sei. Obrigado, Marta."

Ela se levantou, pegando a lanterna da mão de David. "Agora, vá deitar-se por um tempo. Eu cuido da vigília."

Relutante, David finalmente cedeu e caminhou até um canto da sala, onde se sentou com as costas contra a parede. Seus olhos ainda estavam fixos na janela, mas o peso da exaustão começou a dominá-lo. Ele sabia que precisava descansar, mesmo que apenas por alguns minutos, então finalmente permitiu que seus olhos se fechassem.

Marta assumiu a posição ao lado da janela, a lanterna em mãos. Ela sabia que a vigília seria longa e solitária, mas estava determinada a manter todos seguros. Não era apenas uma questão de sobrevivência física, mas também de manter a esperança viva. Cada um deles dependia do outro para continuar, e ela faria o que fosse necessário para garantir que atravessassem a noite.

O tempo passou lentamente enquanto Marta observava a rua silenciosa. O vento aumentou, assobiando entre os prédios e fazendo as janelas tremerem. De vez em quando, ela achava ver um movimento nas sombras, mas era apenas sua mente pregando peças.

O cansaço também começou a se instalar em Marta, mas ela lutou contra isso, mantendo-se em movimento, andando de um lado para o outro na pequena sala. Ela pensou em sua vida antes de tudo desmoronar — nos momentos simples que antes eram dados como garantidos. Agora, cada minuto de segurança era um tesouro, cada pequena vitória, uma conquista.

Quando o primeiro sinal de luz começou a surgir no horizonte, Marta sentiu um alívio sutil. O amanhecer estava próximo, e com ele, a promessa de um novo dia. O grupo precisaria de toda a energia possível para o que viesse a seguir.

Assim que o céu começou a clarear, ela decidiu que era hora de acordar os outros. Aproximou-se de David primeiro, tocando seu ombro suavemente. Ele abriu os olhos rapidamente, o olhar alerta voltando quase instantaneamente.

"Já é de manhã," Marta disse, apontando para o céu que começava a clarear. "Precisamos nos preparar para o que vem a seguir."

David se levantou, ainda um pouco grogue, mas recuperando rapidamente a compostura. "Obrigado por cuidar disso," ele disse a Marta, reconhecendo o esforço dela.

"Estamos juntos nisso, lembra?" ela respondeu com um leve sorriso.

Os outros foram acordados logo em seguida. Júlia e Marcos ainda pareciam fracos, mas estavam prontos para continuar. Paulo esfregava os olhos, tentando se livrar da sonolência, enquanto Anne, sempre alerta, já estava de pé, verificando os suprimentos e se preparando para o próximo movimento.

"Precisamos decidir para onde vamos," Anne disse, olhando para o mapa da cidade que Júlia tinha encontrado no hospital. "O hospital foi um risco, mas conseguimos alguns suprimentos. Agora, precisamos de um plano mais seguro e sustentável."

David pegou o mapa das mãos dela, estudando-o atentamente. "Podemos tentar seguir para a periferia da cidade. Talvez encontremos menos contaminados e possamos achar um veículo para sair daqui."

"Isso se houver combustível disponível," Paulo apontou, ainda cético. "A maioria dos carros que vimos estavam abandonados, e pode ser que não tenham gasolina."

"É um risco que precisamos correr," Marta disse, tentando manter a moral elevada. "Ficar aqui não é uma opção, então temos que seguir em frente."

"Concordo," disse David. "Precisamos nos manter em movimento e ficar um passo à frente. Vamos nos preparar e sair assim que o sol estiver mais alto. Com a luz do dia, temos mais chances de ver o que nos espera e reagir a tempo."

O grupo rapidamente começou a arrumar suas coisas, dividindo os suprimentos e certificando-se de que todos estivessem prontos para partir. O apartamento que havia lhes dado um breve descanso agora parecia claustrofóbico e inseguro. Era hora de sair e enfrentar o desconhecido mais uma vez.

Enquanto faziam os preparativos finais, Anne se aproximou de David, seus olhos cheios de uma determinação que espelhava a dele. "Vamos conseguir sair daqui," ela disse, como uma afirmação mais do que uma pergunta.

David olhou para ela, sentindo a força em suas palavras. "Vamos," ele respondeu, com a voz firme. "Não temos outra escolha."

Quando finalmente estavam prontos, o grupo se reuniu na porta do apartamento, um momento de silêncio antes de voltarem para o mundo exterior. David foi o primeiro a sair, seguido por Anne e os outros. O sol da manhã iluminava a cidade devastada, mas também trazia uma nova esperança.

Eles não sabiam o que encontrariam pela frente, mas juntos, estavam preparados para enfrentar qualquer coisa.

Capítulos
1 O Início do Desastre
2 Primeira Noite
3 Busca Por Suprimentos
4 Desafios na Escuridão
5 Aliados Inesperados
6 Primeira Luz
7 Desespero do Hospital
8 A Vigília
9 A Travessia
10 Encruzilhada
11 A Sombra que se Aproxima
12 Nas Sombras da Estrada
13 Vigília na Escuridão
14 Um Novo Refúgio
15 Estranho Perigo
16 A Chegada ao Refúgio Desconhecido
17 A Revelação no Sótão
18 Os Segredos Sob a Terra
19 Exploração na Sala Subterrânea
20 O Segredo Revelado
21 A Corrida Contra o Tempo
22 O Longo Caminho de Volta
23 Decisão de Sobreviver parte 1
24 Decisão de Sobreviver parte 2
25 No Limiar da Esperança
26 Caçados nas Sombras
27 Rumo ao Desconhecido
28 A Promessa Silenciosa
29 O Infiltrado
30 O sacrifício
31 O fim da Trégua
32 O Último Encontro
33 A Retirada Temporária
34 O Armazém Abandonado
35 Planos e Dilemas
36 A Primeira Armadilha
37 O Peso da Vitória
38 Alianças Improváveis
39 Caminhos Entre Sombras
40 A Marcha para o Norte
41 A Estratégia para a Invasão
42 O Início da Invasão
43 O Caos Após a Queda
44 O Contra-Ataque
45 A Linha entre a Vida e a Morte
46 A Confrontação Final
47 Um Novo Começo
48 Sombras do Passado
49 Ecos de Esperança
50 Noite Sem Retorno
51 Ecos do Passado
52 Luz nas Trevas
53 Contra o Relógio
54 Retorno ao Refúgio
55 O Amanhecer da Batalha
56 A Luz da Esperança
57 O Alvorecer
58 Um Novo Mundo
59 Um Passo No Desconhecido
60 Sombras no Horizonte
61 O Caminho Para a Fábrica
62 Ecos de Metal
Capítulos

Atualizado até capítulo 62

1
O Início do Desastre
2
Primeira Noite
3
Busca Por Suprimentos
4
Desafios na Escuridão
5
Aliados Inesperados
6
Primeira Luz
7
Desespero do Hospital
8
A Vigília
9
A Travessia
10
Encruzilhada
11
A Sombra que se Aproxima
12
Nas Sombras da Estrada
13
Vigília na Escuridão
14
Um Novo Refúgio
15
Estranho Perigo
16
A Chegada ao Refúgio Desconhecido
17
A Revelação no Sótão
18
Os Segredos Sob a Terra
19
Exploração na Sala Subterrânea
20
O Segredo Revelado
21
A Corrida Contra o Tempo
22
O Longo Caminho de Volta
23
Decisão de Sobreviver parte 1
24
Decisão de Sobreviver parte 2
25
No Limiar da Esperança
26
Caçados nas Sombras
27
Rumo ao Desconhecido
28
A Promessa Silenciosa
29
O Infiltrado
30
O sacrifício
31
O fim da Trégua
32
O Último Encontro
33
A Retirada Temporária
34
O Armazém Abandonado
35
Planos e Dilemas
36
A Primeira Armadilha
37
O Peso da Vitória
38
Alianças Improváveis
39
Caminhos Entre Sombras
40
A Marcha para o Norte
41
A Estratégia para a Invasão
42
O Início da Invasão
43
O Caos Após a Queda
44
O Contra-Ataque
45
A Linha entre a Vida e a Morte
46
A Confrontação Final
47
Um Novo Começo
48
Sombras do Passado
49
Ecos de Esperança
50
Noite Sem Retorno
51
Ecos do Passado
52
Luz nas Trevas
53
Contra o Relógio
54
Retorno ao Refúgio
55
O Amanhecer da Batalha
56
A Luz da Esperança
57
O Alvorecer
58
Um Novo Mundo
59
Um Passo No Desconhecido
60
Sombras no Horizonte
61
O Caminho Para a Fábrica
62
Ecos de Metal

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