Vigília na Escuridão

Anne se afastou lentamente da janela, a mente fervilhando com pensamentos sobre o que poderia estar lá fora. O silêncio ao redor parecia mais ameaçador a cada segundo, e ela sentia o peso da responsabilidade de manter o grupo seguro. Sabia que não poderia permitir que o medo a paralisasse. Não agora.

"Está tudo bem?" A voz de David soou baixinho atrás dela, fazendo-a dar um pequeno salto. Ele havia se aproximado silenciosamente enquanto os outros dormiam.

"Não tenho certeza," Anne respondeu em um sussurro, sem tirar os olhos da escuridão lá fora. "Acho que vi algo... ou alguém... se movendo entre as árvores."

David se aproximou da janela, tentando enxergar o que Anne havia visto. Ele franziu a testa, os olhos estreitados na tentativa de penetrar a escuridão, mas não conseguiu distinguir nada de concreto.

"Pode ter sido só sua imaginação, Anne. Estamos todos no limite, e essa estrada não tem sido fácil. Mas, ao mesmo tempo, não podemos baixar a guarda."

Anne assentiu, sabendo que David estava certo. "Mesmo assim, precisamos estar preparados para qualquer coisa. Essas últimas horas foram um lembrete de que o perigo está em todos os lugares, até nos que parecem mais tranquilos."

David concordou, mas antes que pudesse responder, um som baixo e contínuo cortou o ar. Era difícil dizer de onde vinha, mas ambos se viraram rapidamente em direção à origem do som. Parecia ser algum tipo de sussurro, algo inumano e inquietante.

"Você ouviu isso?" Anne perguntou, o coração acelerado.

"Sim," David respondeu, puxando a faca improvisada de seu cinto. "Mas não consigo identificar de onde vem. Precisamos acordar os outros, mas sem alarmá-los."

Anne assentiu novamente e, com cuidado, começou a sacudir levemente Marta e Paulo, que estavam mais próximos. "Acordem, mas fiquem em silêncio," ela sussurrou para eles. "Tem algo lá fora."

Marta acordou rapidamente, o medo em seus olhos tornando-se evidente, mas ela manteve a calma. Paulo, ainda meio sonolento, demorou um pouco mais para processar a situação, mas logo estava alerta, segurando firmemente a barra de metal que usava como arma.

Enquanto isso, David despertava Júlia, que teve dificuldade em disfarçar o medo, mas seguiu as instruções, levantando-se lentamente.

"O que vamos fazer?" Marta perguntou, a voz baixa, mas carregada de ansiedade.

"Primeiro, vamos tentar entender o que está acontecendo lá fora," respondeu David, sempre o estrategista do grupo. "Precisamos saber com o que estamos lidando."

O grupo se movimentou silenciosamente até a janela, mantendo-se ocultos pelas sombras dentro do pequeno prédio. O som estranho havia cessado, mas a sensação de que estavam sendo observados persistia.

De repente, uma figura emergiu das sombras das árvores. Era humanoide, mas havia algo muito errado com ela. Seus movimentos eram erráticos, e a pele parecia pálida e doentia, como se tivesse sido corroída pelo tempo e pela contaminação. As roupas estavam esfarrapadas, pendendo em tiras, e os olhos... Os olhos brilhavam com um tom amarelado doentio.

"É um deles," sussurrou Paulo, sentindo um nó se formar em seu estômago.

"Não... é diferente," murmurou Anne, tentando manter a calma. "Olhem para os olhos. Não é como os outros que vimos antes."

"Será que... será que é um dos super-humanos?" Marta sugeriu, a voz trêmula. A possibilidade trouxe um novo medo ao grupo. Se aquela criatura era realmente um dos super-humanos, isso significava que o projeto havia falhado de uma forma ainda mais terrível do que imaginavam.

"Se for, estamos em grande perigo," disse David. "Precisamos decidir agora se vamos enfrentar isso ou tentar fugir."

Antes que pudessem tomar uma decisão, a criatura soltou um grito agonizante, alto e estridente, que ecoou pela escuridão. Era um som tão aterrorizante que fez Júlia cobrir os ouvidos e os outros recuarem instintivamente. O grito parecia um chamado, e logo outros sons surgiram na floresta ao redor — passos arrastados, galhos quebrando, como se mais daquelas coisas estivessem se aproximando.

"Temos que sair daqui, agora!" Anne ordenou, a urgência em sua voz inegável.

David correu para a van, seguido pelos outros. Enquanto corriam, o som dos passos arrastados se intensificava, e as criaturas começaram a surgir das sombras, uma a uma, cercando o grupo.

Com as mãos trêmulas, David tentou ligar a van, mas o motor não deu sinal de vida. "Não acredito, não podemos ficar presos aqui!" Ele gritou, tentando novamente.

O motor finalmente roncou, mas o tempo parecia estar se esgotando. As criaturas estavam quase alcançando o veículo. Paulo e Anne tentavam manter as portas fechadas enquanto as criaturas batiam contra elas com força.

"Vamos, vamos!" gritava Júlia, o pânico tomando conta de sua voz.

David finalmente conseguiu engatar a marcha, e a van saiu em disparada, arrancando da pequena construção. As criaturas ainda tentavam alcançar o veículo, mas foram deixadas para trás rapidamente.

O grupo respirou aliviado, mas a tensão não havia desaparecido completamente. Eles sabiam que estavam sendo caçados e que cada parada poderia ser a última.

"Para onde vamos agora?" perguntou Marta, ainda tentando se acalmar.

"Precisamos de um novo plano," respondeu David, os olhos fixos na estrada à frente. "Mas primeiro, precisamos encontrar um lugar seguro para reavaliar nossa situação. A cidade é grande, e deve haver outros pontos que ainda não foram explorados. Talvez até encontrarmos outros sobreviventes."

Anne olhou para trás, observando as sombras que se afastavam lentamente enquanto a van acelerava. "A questão é, se encontrarmos outros sobreviventes, eles estarão dispostos a nos ajudar ou seremos mais um alvo a ser eliminado?"

"Nesse ponto, qualquer um pode ser uma ameaça," disse Paulo, a voz carregada de tristeza. "Mas não podemos simplesmente fugir para sempre. Precisamos nos reagrupar, encontrar uma maneira de resistir."

A van continuava seu caminho pela estrada, cada quilômetro deixando a noite anterior para trás, mas carregando o peso das decisões difíceis que ainda precisavam ser tomadas.

O grupo sabia que a estrada à frente não seria fácil, mas estavam determinados a sobreviver, mesmo que o futuro fosse incerto e cheio de perigos que eles mal podiam entender. Enquanto avançavam, o que restava da esperança os mantinha unidos, mas o verdadeiro teste ainda estava por vir.

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Comments

Alcilene Lima

Alcilene Lima

Cada capítul eu me aprofundo mais na história,como se eu tivesse lá...tô aqui trabalhando e morrendo de medo 😅🤣🤣

2025-01-23

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Capítulos
1 O Início do Desastre
2 Primeira Noite
3 Busca Por Suprimentos
4 Desafios na Escuridão
5 Aliados Inesperados
6 Primeira Luz
7 Desespero do Hospital
8 A Vigília
9 A Travessia
10 Encruzilhada
11 A Sombra que se Aproxima
12 Nas Sombras da Estrada
13 Vigília na Escuridão
14 Um Novo Refúgio
15 Estranho Perigo
16 A Chegada ao Refúgio Desconhecido
17 A Revelação no Sótão
18 Os Segredos Sob a Terra
19 Exploração na Sala Subterrânea
20 O Segredo Revelado
21 A Corrida Contra o Tempo
22 O Longo Caminho de Volta
23 Decisão de Sobreviver parte 1
24 Decisão de Sobreviver parte 2
25 No Limiar da Esperança
26 Caçados nas Sombras
27 Rumo ao Desconhecido
28 A Promessa Silenciosa
29 O Infiltrado
30 O sacrifício
31 O fim da Trégua
32 O Último Encontro
33 A Retirada Temporária
34 O Armazém Abandonado
35 Planos e Dilemas
36 A Primeira Armadilha
37 O Peso da Vitória
38 Alianças Improváveis
39 Caminhos Entre Sombras
40 A Marcha para o Norte
41 A Estratégia para a Invasão
42 O Início da Invasão
43 O Caos Após a Queda
44 O Contra-Ataque
45 A Linha entre a Vida e a Morte
46 A Confrontação Final
47 Um Novo Começo
48 Sombras do Passado
49 Ecos de Esperança
50 Noite Sem Retorno
51 Ecos do Passado
52 Luz nas Trevas
53 Contra o Relógio
54 Retorno ao Refúgio
55 O Amanhecer da Batalha
56 A Luz da Esperança
57 O Alvorecer
58 Um Novo Mundo
59 Um Passo No Desconhecido
60 Sombras no Horizonte
61 O Caminho Para a Fábrica
62 Ecos de Metal
Capítulos

Atualizado até capítulo 62

1
O Início do Desastre
2
Primeira Noite
3
Busca Por Suprimentos
4
Desafios na Escuridão
5
Aliados Inesperados
6
Primeira Luz
7
Desespero do Hospital
8
A Vigília
9
A Travessia
10
Encruzilhada
11
A Sombra que se Aproxima
12
Nas Sombras da Estrada
13
Vigília na Escuridão
14
Um Novo Refúgio
15
Estranho Perigo
16
A Chegada ao Refúgio Desconhecido
17
A Revelação no Sótão
18
Os Segredos Sob a Terra
19
Exploração na Sala Subterrânea
20
O Segredo Revelado
21
A Corrida Contra o Tempo
22
O Longo Caminho de Volta
23
Decisão de Sobreviver parte 1
24
Decisão de Sobreviver parte 2
25
No Limiar da Esperança
26
Caçados nas Sombras
27
Rumo ao Desconhecido
28
A Promessa Silenciosa
29
O Infiltrado
30
O sacrifício
31
O fim da Trégua
32
O Último Encontro
33
A Retirada Temporária
34
O Armazém Abandonado
35
Planos e Dilemas
36
A Primeira Armadilha
37
O Peso da Vitória
38
Alianças Improváveis
39
Caminhos Entre Sombras
40
A Marcha para o Norte
41
A Estratégia para a Invasão
42
O Início da Invasão
43
O Caos Após a Queda
44
O Contra-Ataque
45
A Linha entre a Vida e a Morte
46
A Confrontação Final
47
Um Novo Começo
48
Sombras do Passado
49
Ecos de Esperança
50
Noite Sem Retorno
51
Ecos do Passado
52
Luz nas Trevas
53
Contra o Relógio
54
Retorno ao Refúgio
55
O Amanhecer da Batalha
56
A Luz da Esperança
57
O Alvorecer
58
Um Novo Mundo
59
Um Passo No Desconhecido
60
Sombras no Horizonte
61
O Caminho Para a Fábrica
62
Ecos de Metal

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