CAPÍTULO 19

Eu subi direto para as dependências do apartamento de Isabella, o silêncio do lugar contrastando com o tumulto da noite. O cansaço pesava sobre mim como um manto, e acabei me acomodando no sofá, planejando apenas descansar por um momento enquanto esperava seu retorno. No entanto, o sono me venceu e adormeci profundamente.

Acordei na manhã seguinte com a luz do sol invadindo a sala, seus raios atravessando as cortinas semi-abertas e batendo diretamente no meu rosto, causando um desconforto imediato. Pisquei várias vezes, tentando ajustar meus olhos à claridade. As minhas costas estavam rígidas e doloridas por causa da posição desconfortável, e minha cabeça latejava de exaustão e das emoções não resolvidas da noite anterior.

Suspirei profundamente, sentindo o peso das últimas horas ainda sobre mim. Levantei-me lentamente, esticando os músculos enrijecidos, e olhei ao redor. Tudo estava quieto, o silêncio quase palpável. A sensação de isolamento era intensa, como se o mundo lá fora estivesse a milhas de distância.

Me aproximei do quarto de Isabella, os passos leves e cautelosos no corredor silencioso. A porta estava semiaberta, uma fresta revelando apenas um vislumbre do interior. Meu coração gelou ao pensar que Benjamin poderia estar ali, trazendo consigo toda a confusão e tensão da noite passada.

Encostei minha mão na porta, empurrando-a suavemente. Ela cedeu com um breve rangido, rompendo o silêncio sepulcral. Respirei fundo e entrei, o coração batendo acelerado.

A visão que encontrei era inesperada e tocante. Isabella estava deitada na cama, o corpo encolhido em posição fetal, abraçada a um urso de pelúcia. Seus cabelos estavam espalhados sobre o travesseiro, e seu rosto, mesmo no sono, exibia traços de tristeza e exaustão. As roupas da noite anterior ainda estavam nela, amassadas e desalinhadas.

Minhas sobrancelhas se levantaram, surpreendidas com a cena. A imagem de vulnerabilidade contrastava com a intensidade da dor que ela havia demonstrado na noite anterior. Isabella agora parecia uma criança perdida, buscando consolo em algo tão simples e inocente quanto um ursinho de pelúcia.

Mantive-me em silêncio, não querendo perturbar seu sono. A luz suave do amanhecer entrava pelas cortinas, banhando o quarto em um brilho cálido e reconfortante.

O tempo voltou a passar quando peguei o celular para ver as horas. Me surpreendi com o número de ligações não atendidas. Eram todas de Benjamin.

Decidi que não iria retornar. Não naquele momento, pelo menos.

As horas se arrastaram. Preparei o café da manhã, o aroma do café fresco preenchendo a cozinha, e me sentei no sofá para assistir um pouco do noticiário. As notícias eram um borrão, incapazes de prender minha atenção.

Finalmente, ouvi passos suaves vindo do corredor. Isabella surgiu do quarto, os cabelos desgrenhados, olhos inchados de sono e tristeza. Ela parecia um espectro de si mesma, movendo-se com uma lentidão que evidenciava a carga emocional que carregava.

Ela parou na entrada da sala, hesitante, como se não soubesse bem como começar a conversa. Eu mantive meus olhos na TV, fingindo surpresa quando ela finalmente falou.

— Não sei se quero ficar mais com Alex — disse ela, a voz quebrada, carregada de incerteza e dor.

Desliguei a TV e me virei para ela, forçando uma expressão de surpresa.

— Como assim, Isabella? — Perguntei, tentando manter o tom de voz o mais neutro possível, mesmo que por dentro estivesse satisfeita com o progresso.

Ela suspirou, passando a mão pelos cabelos em um gesto nervoso. — Depois de tudo que vi ontem... Não consigo mais olhar para ele do mesmo jeito. Aquela cena, no clube... Foi como um soco no estômago.

Permaneci sentada no sofá, imóvel. As palavras de Isabella ecoavam no silêncio da sala.

— Você precisa pensar bem nisso. Também precisa estar preparada para a reação dele.

Isabella olhou para o chão, pensativa, antes de finalmente erguer o olhar para mim.

— Eu acho que já tomei a minha decisão, Helena. Conversei com Benjamin, e bem... Acho que nós três encaramos a situação no clube como uma traição.

Fitei-a com atenção, sentindo uma pontada de desconfiança. Era claro que Benjamin tinha influenciado sua decisão.

— Você conversou com Benjamin ontem? Eu pensei que tinha vindo direto para cá. Tanto é que adormeci te esperando — me fiz de desentendida.

Ela assentiu lentamente, seus olhos brilhando com uma emoção mista de tristeza e gratidão.

— Sim, eu conversei com ele. Nós falamos por horas, Helena. Ele foi tão compreensivo, tão gentil. Disse que eu merecia alguém que realmente me valorizasse e que nunca me faria passar por algo assim. 

Havia um brilho quase adorador em seus olhos enquanto falava de Benjamin, algo que me fez apertar os punhos discretamente.

— Benjamin sempre esteve ao meu lado — continuou ela. — Desde que nos conhecemos, ele sempre cuidou de mim, independente da situação. Sempre me apoiou, me ouviu... Ele é diferente, Helena. Ele me faz sentir segura.

Meus olhos se estreitaram, mas tentei disfarçar minha reação.

— Acredito que você precise conversar com alguém da sua família também. Seria bom tomar um conselho de alguém mais próximo, por mais que confie em Benjamin.

Isabella suspirou, sua expressão ficando mais sombria.

— Meu irmão está viajando para fora a negócios. Ele é a minha única família. Meus pais... — Ela fez uma pausa, parecendo perdida em pensamentos dolorosos. — Eles já se foram. Ela desviou o olhar, a tristeza dominando suas feições — Meu irmão e Alexsander eram minha única família. Mas agora... agora só tenho Benjamin como alguém de confiança.

Isabella levantou os olhos e me olhou com uma expressão mista de vulnerabilidade e gratidão.

— E, mesmo conhecendo você há pouco tempo, Helena, sinto que posso confiar em você também. Você é a pessoa mais próxima de uma família que tenho agora. 

Senti como se tivesse sido atingida por um soco no estômago. Uma mistura de sensações tumultuava dentro de mim. A vontade de sair correndo se acumulava com a de rir e chorar diante daquelas palavras tão sinceras e ingênuas.

Aquilo me fez ter pena daquela moça. Se ela me considerava alguém de confiança, estava em uma situação crítica, com poucos recursos e sem noção do perigo que a cercava.

Confiar em mim era um erro de iniciante.

Engoli em seco, tentando encontrar as palavras certas para responder.

— Fico feliz em ouvir isso, Bella. Também gosto muito de você, por pouco tempo que seja. Agora, vamos mudar de assunto. Você não iria me levar na empresa hoje?

Bella parecia aliviada com a mudança de foco da conversa.

— Ah, era hoje mesmo. Com essa loucura toda, esqueci disso. Mas acho que seria bom sair um pouco, dar uma respirada. Você está certa, Helena. Vamos nos arrumar e ir para lá. Pode ser bom para clarear um pouco a mente.

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