Eu não sou fã de apresentações. Na verdade, detesto me apresentar. Prefiro que minhas ações falem por mim.
Helena. Conhecida como "Dama da Noite". Ou, para os íntimos, a maior ladra que já cruzou os becos sombrios de Nova York.
Mãos leves como plumas, olhos afiados como adagas e movimentos tão sutis que até mesmo o vento hesita em revelar meu caminho.
Olá, mundo. Aqui estou eu.
Mais precisamente na sala de Lorenzo Moretti, um dos barões do submundo de Nova York, rodeada de telas de pintura, onde vejo uma réplica cara da Monalisa. Da Vinci ficaria surpreso em saber que sua obra chegou até os gostos do submundo. Que detalhe cômico.
Ainda mais cômico em saber que ele deixou objetos de luxo assim, tão confortáveis diante da presença de uma ladra. As porcelanas encrustadas com diamantes refletem a minha imagem. Cabelos e olhos castanhos e blá, blá, blá. Tudo aquilo que já estamos acostumados.
Mas tudo que sei é que minhas mãos coçam quando coloco meus olhos nessas belezinhas. Que tentação.
Mas eu não poderia sucumbir. As câmeras olham para mim, e é como se sorrissem. "Ei, estou de olho em você!" Os movimentos sussurram para mim.
Mas o que posso fazer? Sorrio e jogo um beijo para elas.
Em algum momento, o mordomo viria. Bem, era o que eu esperava. Estava impaciente, e minhas pernas estavam me matando. Além disso, o salto começava a maltratar meus pés.
Ah, como é difícil manter a classe!
Os sons de passos se aproximando interromperam meus devaneios. Pensei que seria Alfredo, o mordomo, ou algo do tipo. Mas quando olhei para a porta, fui surpreendida ao ver Lorenzo Moretti, o próprio, entrando na sala com um sorriso confiante nos lábios.
— Ora, se não é a própria Dama da Noite! — ele se aproxima, enquanto fita os meus olhos.
Meus sentidos aguçam instantaneamente ao vê-lo se aproximar, sua presença preenchendo a sala com autoridade e charme. Seus olhos escuros brilham com uma mistura de admiração e curiosidade, como se ele estivesse tentando decifrar um enigma diante de si.
Eu mantenho minha expressão impassível, mas por dentro, meu coração acelera com a proximidade dele. Lorenzo Moretti, o lendário barão do submundo de Nova York, não é alguém para ser subestimado. Seus modos polidos e sua reputação temida o precedem, tornando-o tanto um adversário formidável quanto uma figura de respeito entre os que estão no negócio.
— Surpreso em me ver aqui? — questiono, mantendo minha voz firme e controlada, apesar do leve formigamento de nervosismo que começa a se insinuar.
Lorenzo sorri, um sorriso que sugere que ele sabe mais do que está deixando transparecer.
— Nem um pouco, minha cara. Afinal, onde há tesouros, há sempre uma sombra à espreita, pronta para reivindicá-los.
Seus olhos brilham com malícia enquanto ele se aproxima ainda mais, enviando um arrepio por minha espinha. Eu me seguro para não recuar, mantendo-me firme diante dele, sabendo que neste jogo de gato e rato, só há espaço para um vencedor.
Mas eu não estava ali para vencer. Apenas para fazer o serviço dos ratos e recolher as informações úteis.
Com uma destreza calculada, retiro uma pasta da minha glamourosa bolsa, que "adquiri" de uma baranga dos salões de baile da alta sociedade. Ela deve até hoje se perguntar onde diabos sua bolsa foi parar. Coitada.
Então, estendo a pasta para o meu cliente, sorrindo como uma boa prestadora de serviço. Afinal, quando se trata de negócios, eu sou impecável, mesmo que minhas mãos estejam manchadas de segredos e traições.
Lorenzo aceita a pasta com um aceno de cabeça, seus olhos brilhando com antecipação enquanto ele abre o arquivo. Seus lábios se curvam em um sorriso satisfeito quando ele examina o conteúdo, e então ele solta uma risada baixa, mas carregada de ironia.
— Bem, bem, parece que temos aqui uma verdadeira joia — ele comenta, sua voz tingida de sarcasmo. — Você realmente se superou desta vez, Helena. Fiquei tão impressionado que quase esqueci que você provavelmente roubou todas essas informações.
Eu repondo com um sorriso igualmente sarcástico, mantendo meu tom leve e casual.
— Apenas fazendo meu trabalho, Lorenzo. Se você quiser um serviço de qualidade, terá que lidar com alguns "acréscimos" inevitáveis.
Ele balança a cabeça, ainda examinando o conteúdo da pasta com interesse.
— Ah, você é uma peça única, Helena. Uma verdadeira artista do submundo.
Eu me inclino levemente, jogando uma piscadela para ele.
— E você, Lorenzo, é o melhor cliente que uma artista como eu poderia pedir.
Lorenzo fecha a pasta com um sorriso satisfeito, seus olhos brilhando com uma mistura de admiração e malícia.
— Você é uma peça rara, Helena. E, como tal, adoraria tê-la em minha próxima festa. Estou certo de que você encontrará potenciais clientes lá que ficariam encantados com seus serviços.
Eu arqueio uma sobrancelha, considerando sua proposta.
— Uma festa, você diz? Não é exatamente o meu estilo, mas quem sabe? Pode ser divertido ver a alta sociedade em seu habitat natural.
Lorenzo ri novamente, sua voz tingida de diversão.
— Ótimo! Será uma festa para lembrar. Espero vê-la lá, Helena. E quem sabe, talvez possamos discutir alguns negócios mais tarde.
Eu dou de ombros, jogando uma piscadela para ele.
— Nunca se sabe, Lorenzo. Nunca se sabe.
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Atualizado até capítulo 93
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