CAPÍTULO 10

Eu passei os olhos na porta diante de mim. Era uma estrutura robusta e imponente, com entalhes elaborados que pareciam zombar da minha presença. Só poderia ser brincadeira.

Respirei fundo e bati. Sem resposta. Bati novamente, dessa vez com mais força.

Ninguém vem.

A caixa nas minhas mãos estava ficando mais pesada a cada segundo, e a mochila nas minhas costas me encurvava para trás. Merda, por que tinha que ser eu?

Finalmente, alguém atende a porta.

Isabella, com seu rabo de cavalo desgrenhado e uma expressão cansada, aparece na entrada. Seu sorriso se desfaz quando me vê. Eu também não estava exatamente feliz em vê-la, mas negócios são negócios. Só podia imaginar a mentira que Lorenzo inventara para me incluir ali, no covil das cobras.

— Prima do Lorenzo, hm? — ela disse, com um tom de desdém e um olhar desconfiado.

Eu forcei um sorriso, tentando manter a compostura, enquanto observava os olhos dela analisarem cada detalhe meu, buscando qualquer sinal de fraqueza.

— Olá, Isabella. Acredito que já fomos apresentadas antes — eu disse, sorridente, embora o sorriso não chegasse aos meus olhos.

Olha, esse negócio de ser simpática não era comigo. Eu queria enfiar aquela caixa em sua cara, passar por cima dela e entrar com tudo. Minha mente já traçava o plano: roubar seu homem, surrupiar os planos dele e depois pegar o dinheiro pelo serviço. Mas sabia que aquele era um negócio demorado, e as coisas não podiam ser resolvidas assim.

Ela me olhou com desdém, seus olhos escuros avaliando cada centímetro do meu rosto, como se procurasse uma rachadura na minha fachada. O silêncio entre nós era pesado, quase palpável, e eu podia sentir o peso da caixa aumentando a cada segundo.

— Então, a prima do Lorenzo, a que veio da Europa estudar negócios e aprender o mundo corporativo — repetiu ela, com um tom ácido, cruzando os braços.

Levantei uma sobrancelha, pensativa. Então a fachada era essa. Bom, então dançaríamos conforme a música.

— Isso mesmo — respondi, com um sorriso que não alcançava meus olhos. — Sempre fascinada pelo mundo dos negócios.

Ela não parecia convencida, mas também não tinha muito espaço para argumentar. Seus olhos faiscavam de desconfiança, e eu sabia que precisava manter a pose.

— Pode deixar suas coisas ali — disse, apontando com o queixo para um canto da sala. — O Lorenzo me pediu para te receber e garantir que você se sinta em casa. Ele acha que compartilhar um apartamento vai te ajudar em NY. Sempre foi uma pessoa muito doce.

Sorri em resposta, tentando esconder o desdém que sentia. Que dissimulada.

— Bella, quem está aí? — ouvi uma voz grave vindo de um cômodo distante. Isabella se endireitou na porta, visivelmente tensa.

— Ah... Bem, é minha nova companheira de apartamento. Ela já chegou com suas coisas — respondeu Isabella, com uma voz que tentava soar casual, mas carregava uma tensão inconfundível.

Então, Alexsander surgiu na nossa frente. O homem que estava no centro de todos os devaneios dos empresários. Ele parecia sair de uma revista de moda: alto, com cabelos castanho-claroa cuidadosamente penteados e olhos penetrantes. Trajava um terno impecável, que só realçava sua postura autoritária e confiante.

Olhando assim, nem parecia uma ameaça. Mas eu sabia melhor.

— Ah, então você, Helena — disse Alexsander, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Espero que esteja confortável.

— Claro, obrigada — respondi, mantendo o sorriso que agora parecia mais uma máscara do que uma expressão sincera. — Lorenzo falou muito bem de você.

— É mesmo? — ele arqueou uma sobrancelha, divertindo-se com a situação. — Acredito que posso ficar lisonjeado, então. É difícil ele elogiar alguém. Nada nunca está bom para ele.

Os olhos de Isabella iam de mim para Alexsander, claramente desconfiada da minha presença. Eu sabia que qualquer deslize poderia ser fatal, mas também sabia que tinha uma missão a cumprir.

Então, algo mudou. Como água e vinho, a expressão dura de Isabella deu lugar a uma aparência mais suave, quase infantil. Ela olhou para Alexsander com admiração, como uma menina apaixonada.

— Ah, Alexsander! Lorenzo sempre foi uma ótima pessoa. Assim, você assusta a garota.

Um sorriso malicioso brincou nos lábios de Alexsander antes de desaparecer rapidamente. Ele lançou um olhar sombrio para a garota, mas sua feição mudou de aspecto quase instantaneamente.

— Isso é o que você acha, Bellinha — ele murmurou, com um tom de voz que continha uma promessa, mas logo em seguida, sua expressão suavizou. — Mas bem, não vamos deixar sua hóspede esperando, não é? Entre, Helena, venha. Vou te ajudar aqui. Bella é uma ótima companheira, você vai amar morar com ela aqui.

Eu sorri em resposta, ocultando minhas verdadeiras intenções por trás de uma máscara de gratidão.

Alexsander estava certo. Eu iria amar aquilo. Aliás, já estava amando.

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