Eu encontrei Isabella já dentro do carro. Avistando a placa de longe, percebi que o motorista dela estava ficando impaciente por ficar tanto tempo ali, parado esperando. A hora parecia passar mais rápido dentro do clube, ou talvez eu tivesse demorado demais com Benjamin.
Quando finalmente entrei no veículo, ela estava lá, encolhida no banco de trás. Lágrimas de raiva e tristeza rolavam em seu rosto, criando pequenas trilhas brilhantes na pele pálida. Isabella não trocou uma palavra sequer comigo, nem mesmo levantou seu olhar. Sua postura era a de alguém devastado, com os ombros caídos e o corpo retraído como se quisesse se esconder do mundo.
A atmosfera dentro do carro era pesada, carregada com o peso de sua dor e a minha culpa silenciosa. Eu não sabia como me sentir naquele momento, mas lembrei que não estava ali para sentir ou achar algo. Minha missão era clara, e emoções eram um luxo que eu não podia me permitir.
— Isabella... — comecei, mas minha voz soou vazia até para mim.
Ela não reagiu, mantendo o olhar fixo em um ponto distante, perdida em seus pensamentos sombrios.
O motorista, sem saber o que se passava, olhou pelo retrovisor com uma expressão de preocupação, mas não disse nada. O silêncio entre nós era espesso, quase palpável.
Lentamente, fechei a porta e o carro começou a se mover, deixando para trás as luzes neon e o barulho ensurdecedor do clube. O contraste entre o ambiente frenético de onde viemos e a quietude dentro do carro era quase surreal. Toda a animação tinha morrido dentro daquela carro.
Enquanto passávamos pelas ruas, os semáforos iluminavam nossa trajetória com suas luzes intermitentes. Cada luz verde, amarela e vermelha parecia lançar um brilho estranho sobre nossos rostos. Olhei para as luzes, perguntando-me se elas poderiam, de alguma forma, dar-me uma resposta sobre o futuro. Quase podia ouvir uma voz fantasmagórica sussurrando: "Eu não sei".
Suspirei, meus pensamentos eram um turbilhão de dúvidas e incertezas. Isabella, ainda encolhida no banco traseiro, não mostrava sinais de sair daquele estado de torpor.
As ruas desertas refletiam nossa solidão, e as poucas pessoas que passavam eram apenas silhuetas nebulosas no fundo.
Finalmente, chegamos ao nosso destino. O carro parou suavemente e o motorista olhou para nós pelo retrovisor, esperando alguma instrução.
— Chegamos, Isabella — murmurei, tentando trazer alguma vida à minha voz.
Ela levantou os olhos pela primeira vez desde que entramos no carro. Seu olhar estava perdido, mas havia uma centelha de compreensão. Sem dizer uma palavra, ela abriu a porta e saiu.
— Boa noite, senhor — respondi em um tom educado.
— Boa noite, senhora. Se a senhorita Isabella precisar de outra corrida, é só avisar.
Assenti com a cabeça, agradecendo silenciosamente, e fechei a porta do carro. O veículo deu partida, e o vulto negro se afastou, desaparecendo nas ruas escurecidas.
Levantei os olhos, sentindo uma estranha quietude no ar. Como se a partida do carro tivesse revelado o que estava oculto até então, meus olhos se depararam com uma cena inesperada, que me fez ficar ali, paralisada, observando.
Há alguns metros de distância, diante da escadaria que levava até a recepção, estava Benjamin, abraçando Isabella. A imagem era quase surreal, destacando-se contra a escuridão ao redor. Isabella estava nos braços dele, como se estivesse buscando conforto, seu corpo tremendo levemente. Benjamin a segurava com uma firmeza protetora, mas seus olhos encontraram os meus com uma expressão enigmática.
Ele a envolvia com seus braços, murmurando algo que eu não conseguia ouvir, mas que claramente tinha um efeito calmante sobre ela. A cabeça de Isabella estava encostada no peito dele, os olhos fechados como se estivesse tentando se isolar de toda a dor que sentia.
Benjamin levantou uma das mãos, acariciando o cabelo de Isabella com uma suavidade inesperada. Havia algo quase possessivo em seu gesto, uma mistura de consolo e domínio que me fez apertar os punhos involuntariamente. Seus dedos deslizavam pelos fios de cabelo dela, como se ele estivesse reivindicando algo que julgava ser seu.
Ele olhou para mim novamente, mas dessa vez, seus olhos ficaram cravados em mim. Havia um brilho de desafio em seu olhar, uma clara mensagem de que ele estava no controle. Eu não me intimidei, mantendo meu olhar fixo nele, um silêncio pesado se instalando entre nós.
Ele sabia exatamente o que estava fazendo.
Com aquela informação que tinha, eu tive certeza: eu não queria vê-lo naquela noite.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 93
Comments