Após a nossa conversa, Lorenzo desviou o olhar para uma mulher loira que estava em uma das extremidades da sala. Ele murmurou algo sobre voltar logo e se afastou, deixando-me sozinha com meus pensamentos.
Aproveitei o momento para observar os outros convidados, enquanto saboreava minha bebida. O salão estava repleto de murmúrios e risadas, e pude captar trechos das conversas ao meu redor.
Um grupo de homens de terno discutia negócios em voz alta, enquanto suas esposas trocavam olhares furtivos e sussurravam entre si. Mais adiante, um casal dançava elegantemente ao som de uma música clássica, suas expressões radiantes de felicidade.
Havia também aqueles que estavam mais interessados em exibir sua riqueza do que em qualquer conversa significativa. Mulheres envoltas em vestidos deslumbrantes exibiam suas joias reluzentes com um ar de superioridade, enquanto os homens exibiam seus relógios de marca com orgulho.
Enquanto eu observava discretamente o salão, meus olhos foram atraídos para um canto onde Alexsander e Isabella estavam conversando. Ele estava tão perto dela, seus rostos inclinados um em direção ao outro, que era difícil ignorar a intimidade da cena.
Isabella irradiava uma feminilidade cativante, o tipo de beleza que parecia atrair todos os olhares ao seu redor. Seus gestos eram delicados, sua voz suave e seus olhos brilhavam com uma luz cativante. Era fácil entender por que Alexsander estava tão encantado por ela. Mas ao mesmo tempo, tudo aquilo parecia sintético. Não sabia explicar ao certo, mas tive que engolir a estranheza da cena.
Enquanto observava com uma expressão impassível, uma voz sarcástica sussurrava em minha mente, lembrando-me de que sentimentos como ciúmes não tinham lugar no mundo em que eu vivia.
— Se me permite dizer, senhorita, você é a mais bela flor deste jardim de intrigas e segredos — uma voz rouca ao meu lado me fez sobressaltar.
Virei-me rapidamente, preparando-me para uma possível confrontação, mas para minha surpresa, deparei-me com Benjamin, um dos amigos Lorenzo, com seu sorriso cativante e olhos penetrantes.
— Oh, peço desculpas. Não pretendia assustá-la. Apenas não pude deixar de notar sua presença encantadora nesta sala movimentada — disse ele, seu tom suave e melódico.
— Ah... Sou eu que peço desculpas. Minha cabeça está em outro lugar. Perdão.
— Não há problema algum, minha cara. Com toda essa agitação, é compreensível que nossos pensamentos possam vagar para longe — respondeu Benjamin, com um sorriso encantador que iluminava seu rosto.
Com um leve sorriso, abaixei os olhos para minha taça, agitando o líquido dourado enquanto tentava disfarçar meu desconforto. A atenção repentina de Benjamin me deixara ligeiramente desconcertada, mas eu precisava manter minha compostura.
— Então... Você é amigo do meu primo? Interessante — comentei, erguendo os olhos para encontrar os dele, um brilho de confiança reluzindo em meu olhar. Apesar de minha surpresa inicial, não havia espaço para fraqueza naquele ambiente. Eu precisava mostrar que estava no controle da situação, mesmo que por dentro eu estivesse um tanto perplexa com o rumo dos acontecimentos.
— De fato, sou um amigo próximo de Lorenzo. E devo dizer que estou encantado por finalmente ter a oportunidade de conhecê-la, Helena — respondeu ele com voz suave, seu olhar mantendo-se fixo no meu, como se estivesse hipnotizado pela minha presença.
Ele inclinou levemente a cabeça em minha direção, exalando charme e elegância. Seus olhos escuros brilhavam com uma mistura de admiração e curiosidade, como se ele estivesse genuinamente interessado em mim.
Eu retribuí o sorriso, mantendo uma expressão confiante, embora por dentro estivesse um tanto intrigada com a abordagem amistosa de Benjamin.
— O prazer é todo meu, Benjamin. Afinal, nunca é tarde para fazer novas amizades, não é mesmo? — respondi, jogando uma piscadela para ele, enquanto tomava um gole da minha bebida, tentando manter a compostura diante da situação inesperada.
— Com toda razão, Helena. Podemos conversar em um local mais... Reservado? — ele toca em meu braço com delicadeza, um gesto que me faz arrepiar levemente, e faz a menção de conduzir-me para longe da multidão.
Eu hesitei por um momento, ponderando sobre a proposta, mas acabei concordando com um aceno suave de cabeça.
— Claro. Seria um prazer.
— Tenho certeza de que o prazer não faltará. Vamos? — ele respondeu com um sorriso charmoso, oferecendo-me o braço como um verdadeiro cavalheiro.
Sorri para ele, embora minha mente estivesse em alerta máximo. Como uma rata experiente, aprendi que qualquer facilidade pode ser uma armadilha.
— Lidere o caminho — eu assenti prontamente, me preparando para pior.
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Atualizado até capítulo 93
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