Dentro do carro, Isabella olhou pela janela, tentando assimilar a informação que acabara de receber. Seus olhos escuros refletiam a incerteza enquanto observava os prédios que passavam por nós.
— Um clube? Que tipo de local é esse para fazer negócios? Achei que isso fosse feito em uma sala de reunião — ela disse, sua voz carregada de pensamentos.
Revirei os olhos, contendo a indignação diante da sua ingenuidade. Como era tola.
O carro seguia pelas ruas movimentadas de Nova York, deixando para trás os prédios de escritórios e adentrando áreas mais afastadas do centro. A noite começava a cair, e as luzes da cidade se acendiam, pintando um quadro de brilho e agitação.
À medida que nos aproximávamos do nosso destino, o cenário urbano começou a mudar. As fachadas elegantes dos prédios deram lugar a construções mais extravagantes e chamativas. Ruas estreitas e mal iluminadas se transformaram em avenidas movimentadas, onde pessoas se aglomeravam em frente a um edifício imponente.
Finalmente, o carro parou diante de um prédio de aparência deslumbrante, com luzes coloridas piscando e música pulsante emanando de seu interior. Uma grande placa na entrada anunciava o nome do estabelecimento: "Red Velvet Room ". Não havia como ignorar a presença do local, que se destacava entre os outros edifícios da rua.
Observando a cena agitada do lado de fora, percebi que Isabella parecia ainda mais desconcertada.
Enquanto a observava, não pude deixar de me questionar sobre como as coisas se desenrolavam diante dela. Ela parecia estar usando uma venda nos olhos, incapaz de enxergar além das aparências. Quem havia colocado essa venda nela? Seria Alexsander, tentando ocultar seus atos? Benjamin? Ou Lorenzo?
Algo dentro de mim se agitava com essas perguntas, pois eu queria que a verdade viesse à tona.
Além disso, havia outra questão que me intrigava: por que o fim do relacionamento dos dois era tão importante assim para Benjamin, ao ponto de acabar? O que ele sabia que eu não sabia? Seria essa a chave para desvendar todos os segredos que envolviam Alexsander e sua rede de influência?
Enquanto o carro avançava pela rua movimentada em direção ao Red Velvet Room, esses pensamentos martelavam em minha mente.
— Ei, Helena, já chegamos. Precisamos ir.
Voltei minha atenção para Isabella, sacudindo os pensamentos que me assombravam.
— Desculpe, Bella. Vamos indo, então.
Descemos do carro e combinamos com o motorista o horário da saída. Eu não esperava demorar, até porque Alexsander não poderia nos ver ali. Precisávamos ser rápidas e discretas.
— Temos que ser cuidadosas para você não sair prejudicada — murmurei entre a multidão, segurando o braço de Isabella.
O Red Velvet Room estava cheio de vida, com uma multidão diversa que parecia ter saído de um filme noir. Mulheres com roupas mínimas e brilhantes passavam por nós, rindo e lançando olhares sedutores. Homens com charutos nos dentes e sorrisos predatórios discutiam negócios em tons baixos, enquanto a música alta e vibrante preenchia o ar, fazendo o chão vibrar sob nossos pés. Luzes neon piscavam, lançando sombras e reflexos estranhos nas paredes, criando um ambiente ao mesmo tempo convidativo e perigoso.
— Eu não entendo o que Alex quer em um lugar como esse — Isabella murmurou, confusa e visivelmente desconfortável.
Engoli em seco, pensando no quão cega ela era para a verdadeira natureza de Alexsander. Ela não fazia ideia do tipo de homem com quem estava lidando, e isso só tornava meu trabalho mais fácil.
— Você acha que ele... que ele... está com uma dessas mulheres? — ela perguntou, a voz trêmula, enquanto seus olhos se arregalavam ao observar o ambiente repleto de decadência.
Olhei ao redor, absorvendo a cena. Mulheres com roupas mínimas, insinuantes e provocativas, dançavam em pole dances ou se misturavam entre os homens que fumavam charutos e trocavam sorrisos cúmplices. A música alta vibrava através do chão, e as luzes de néon piscavam, lançando sombras efêmeras nas paredes.
— Sabe, Bella, lugares como esse são perfeitos para encontros discretos. Alex pode estar se encontrando com alguém para negócios... ou para algo mais pessoal. — Fiz uma pausa dramática, observando a reação dela. — Por isso mesmo que viemos até aqui. Para descobrir a verdade.
Isabella olhou ao redor, seus olhos arregalados de medo e incerteza.
— Helena, eu... não sei se quero descobrir a verdade. E se for pior do que eu imagino? E se ele... — Ela engoliu em seco, sem conseguir completar a frase.
Senti um lampejo de satisfação. Era exatamente o que eu precisava para mantê-la vulnerável.
— Tarde demais, minha cara. — Disse com um tom que misturava ironia e seriedade, apontando discretamente para um canto mais reservado do clube. — O próprio Alex está diante de nós.
Ela seguiu meu olhar, e seu rosto empalideceu ao ver Alexsander.
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Atualizado até capítulo 93
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