Isabella andava de um lado para o outro, atônita. Seus passos rápidos ecoavam pelo apartamento, refletindo sua inquietação. Em silêncio, eu a observava de um canto da sala, mantendo-me discreta.
Ela mexia no celular, digitava um número, esperava ansiosamente por uma resposta que nunca chegava. Cada tentativa frustrada parecia aumentar sua angústia. Em seguida, gravava um áudio para alguma amiga ou então digitava algo furiosamente.
— Não acredito que ele vai fazer isso comigo! Ele não me atende — exclamou, sua voz carregada de frustração e incredulidade.
Era claro que ela se referia a Alexsander. Ele havia mencionado um compromisso do qual ela não poderia participar, e sua ausência estava claramente afetando Isabella. Será que isso havia sido suficiente para semear uma pontada de insegurança? Isso era ótimo.
Enquanto Isabella continuava a andar de um lado para o outro, eu refletia sobre a situação. Alexsander tinha a habilidade de fazer com que ela se sentisse tanto amada quanto descartável, uma combinação perigosa que poderia ser explorada. Sua ausência agora era uma oportunidade para plantar ainda mais dúvidas na mente de Isabella.
— Talvez ele esteja apenas ocupado, Bella — eu disse, tentando soar conciliadora. — Sabe como esses compromissos de negócios podem ser imprevisíveis.
Ela parou por um momento, olhando para mim com olhos cheios de lágrimas contidas. Seus lábios tremiam, e eu podia ver a batalha interna que ela travava entre o orgulho e a necessidade de consolo.
— Mas ele sempre me avisa quando chega, Helena. Sempre — respondeu ela, sua voz oscilando entre a raiva e o desespero. — Dessa vez, ele nem se deu ao trabalho. E já está tarde.
— Talvez ele só precise de um tempo para resolver alguma coisa importante — continuei, mantendo o tom calmo. — Às vezes, esses homens de negócios se perdem em suas próprias agendas.
Isabella suspirou, voltando a se sentar no sofá, exausta pela tensão. Eu sabia que precisava aproveitar esse momento de vulnerabilidade para fortalecer minha posição.
— Você sabe como ele é dedicado ao trabalho. Talvez isso seja só um mal-entendido — acrescentei, lançando um olhar de compreensão. — Mas...
— Mas o quê? — os olhos dela se acenderam, cheios de curiosidade e uma pontada de esperança.
— Se você não confiar totalmente nele, se ainda tiver uma fagulha de dúvida dentro de você, eu tenho uma ideia — sugeri, inclinando-me um pouco para frente, como se estivesse prestes a compartilhar um segredo. — Mas você precisa gostar de aventuras.
Isabella parou, a tensão em seu rosto sendo substituída por uma mistura de hesitação e curiosidade. Seus olhos fixaram-se nos meus, buscando alguma forma de segurança na minha proposta.
— Que tipo de ideia? — perguntou, tentando esconder o nervosismo em sua voz.
Eu sorri, adotando um tom conspirador. — Vamos sair e descobrir por nós mesmas o que ele está fazendo. Eu tenho uma suspeita de onde ele pode estar.
Ela franziu a testa, claramente intrigada, mas ainda hesitante. — Você acha que podemos encontrá-lo? E se ele nos vir?
— Isso faz parte da aventura — respondi, piscando para ela. — Além disso, ele não precisa saber que estamos lá. Podemos observar de longe, entender o que está acontecendo. Se ele não está fazendo nada de errado, então não há com o que se preocupar, certo?
Isabella mordeu o lábio, ponderando minhas palavras. Eu podia ver a batalha interna que ela travava, entre a desconfiança e o desejo de acreditar em Alexsander. Ela começou a balançar a cabeça lentamente, claramente relutante.
— Não sei, Helena... E se ele descobrir que estamos espiando? Isso pode piorar as coisas. — Sua voz tremia ligeiramente.
E então, como se percebesse algo, Isabella lançou seu olhar novamente para mim. Seus olhos se estreitaram, e pude ver a desconfiança dançar neles.
— E o que você vai ganhar com isso? Quer dizer, você acabou de chegar. Se é que você entende o que digo — disse ela, com uma ponta de sarcasmo.
— É claro que entendo, tolinha — toquei seu rosto com um tom de ironia. — Mas talvez é isso que falte para você. Algo novo, que te faça questionar algumas atitudes. Arrisque-se o suficiente para tentar, ou morra com a dúvida. Você que sabe.
Eu sorri para ela, tentando transmitir confiança, mesmo que minhas próprias dúvidas estivessem martelando em minha mente. Tomara que ela acreditasse nesse circo.
— Eu não sou nenhuma bobinha, Helena — ela tirou a minha mão do seu rosto, irritada. — E confio em Alex. Ele nunca faria nada de errado.
Eu suspirei, minha mente viajando em um argumento plausível. Era uma mentira óbvia, mas eu precisava dizer isso porque Isabella parecia tão determinada a acreditar nas mentiras de Alexsander.
— Eu pensava a mesma coisa quando tive meu primeiro namorado — fingi, deixando escapar um suspiro pesado. — Mas então, percebi que todos os homens são iguais quando o encontrei na cama com outra.
Eu vi uma sombra de dúvida passar pelos olhos de Isabella, mas ela rapidamente sacudiu a cabeça, como se estivesse tentando afastar meus comentários.
— Isso nunca vai acontecer comigo e Alex — ela insistiu, sua voz soando mais frágil do que antes.
— Faça o que quiser, Bella. Só não viva com o peso da ignorância na sua cabeça — respondi, minha voz suave, mas firme. — As pessoas costumam chamar isso de chifres.
Eu a vi engolir em seco, suas mãos tremendo ligeiramente ao seu lado. Talvez minhas palavras tenham atingido algum ponto dentro dela. Era isso que eu gostava.
— Tá bom, então. Vamos seguir Alex. Mas você tem que prometer que, se ele estiver com outra mulher, vai me ajudar a bater nela — disse Isabella, sua voz misturando determinação e um leve toque de desespero.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 93
Comments
Ana Maria Cabral Ferreira Dos Passos
a estória é um pouco complexa então eu estou analisando os personagens para ter uma noção
2024-06-05
1