Lorenzo pegou uma taça de champanhe e estendeu-a para mim com um sorriso enigmático.
— Você vai precisar disso, tome — disse ele, com um brilho travesso nos olhos.
Aceitei a taça com um sorriso agradecido, sentindo a efervescência das bolhas enquanto o líquido dourado tocava meus lábios. Levantei a taça em um brinde silencioso, reconhecendo o significado por trás daquele gesto aparentemente casual.
Enquanto nossos olhos se encontravam sobre a borda das taças, Lorenzo me guiou discretamente para um canto mais reservado da sala, longe dos ouvidos indiscretos. Eu percebi o olhar de Alexsander seguindo-nos, uma mistura de curiosidade e desconfiança em seus olhos azuis penetrantes.
Fiquei momentaneamente hipnotizada pela beleza de Alexsander, seus olhos azuis reluzindo à luz fraca. Era como se o tempo tivesse parado por um instante, e eu me vi perdida na intensidade do seu olhar.
Porém, logo me forcei a voltar minha atenção para Lorenzo, consciente de que não podíamos nos dar ao luxo de chamar a atenção naquele momento. Afinal, estávamos em meio a uma festa repleta de olhos curiosos e ouvidos atentos, onde qualquer deslize poderia ser fatal.
— Eu tenho um trabalho um tanto peculiar para você — ele disse, tomando um gole da bebida e vasculhando a sala com um olhar perspicaz — Preciso de alguém discreto e habilidoso para uma missão especial. Alguém que possa se infiltrar onde outros não podem e obter informações valiosas sem levantar suspeitas. E é por isso que pensei em você, minha querida. Sei que é capaz de lidar com situações delicadas e sair por cima. Estou disposto a pagar generosamente pelo seu trabalho, é claro. Então, o que me diz? Interessada em um desafio emocionante e lucrativo?
— Ah, Lorenzo, sempre com propostas tão tentadoras. Como poderia recusar? — Respondi com um sorriso travesso, apreciando o jogo de palavras que ele usava para mascarar a verdadeira natureza de sua oferta. Estava claro que esse trabalho seria arriscado, mas o pagamento prometido certamente compensaria qualquer inconveniente. Além disso, quem sou eu para recusar um desafio emocionante?
— Escute bem, não vai ser tão simples quanto os outros. Não se trata de documentos, jóias ou bens materiais — Lorenzo declarou, sua voz carregada de seriedade enquanto ele tomava um gole da bebida e vasculhava a sala com um olhar calculista.
Com um gesto elegante, limpei as gotículas da bebida no canto da minha boca, mantendo meu olhar fixo no dele, pronto para absorver cada palavra.
— Então não entendo o motivo da sua procura. Você sabe que pode contar comigo nas questões da rataria, mas como esse trabalho não se trata disso, eu não compreendo. No que posso ajudar?
Lorenzo inclinou-se ligeiramente na minha direção, sua expressão séria refletindo a gravidade da situação.
— Helena, minha cara, este trabalho é de uma natureza um tanto delicada — começou ele, escolhendo cuidadosamente suas palavras. — Como você sabe, tenho alguns... interesses específicos neste evento. E, bem, há alguém aqui que me deixou um tanto... desconfiado ultimamente.
Seu olhar sutilmente se desviou na direção de Alexsander, e eu segui sua indicação com um movimento imperceptível dos olhos.
— Não estou pedindo que você roube nada, Helena. Apenas preciso que você seja meus olhos e ouvidos, entende? — continuou ele, sua voz baixa, mas firme. — Quero que me informe sobre os passos desse indivíduo, e, se possível, descubra o que ele tem tramado nos bastidores. Algo me diz que as coisas não são tão claras quanto parecem.
— Você quer ter certeza de que ele não pise no seu território — disse, tomando um gole do champanhe e refletindo sobre a situação. — Entendo. Mas saiba que lidar com pessoas do nível de Alexsander não é tão fácil assim. Em qualquer suspeita, ele me manda direto para a cova.
Lorenzo assentiu, compreendendo o desafio que sua proposta representava.
— Sim, exatamente. Alexsander é astuto e não hesitará em eliminar qualquer ameaça ao seu império. É por isso que preciso de alguém tão habilidoso e discreto como você para essa tarefa. E quanto a Isabella... bem, ela é apenas uma peça no tabuleiro. Se ela se intrometer, você saberá lidar com ela, tenho certeza.
Eu considerei suas palavras por um momento, ponderando sobre os riscos e as possíveis recompensas. Por mais perigoso que fosse o trabalho, a oportunidade de ganhar a confiança de Lorenzo e garantir um futuro financeiro seguro era tentadora demais para recusar.
— Eu aceito, Lorenzo. Mas somente com condições.
— Condições, hum? Diga.
— Primeiro, qualquer coisa nessa vida tem riscos. Até os melhores planos, como os meus. Caso isso dê errado, eu preciso que você tenha um plano B. Ninguém quer morrer, tampouco eu. E você sabe como traidores são tratados no seu próprio meio. Segundo, não preciso citar sobre os pagamentos, não é? E terceiro, não faço a mínima ideia de como me inserir no círculo deste homem. Preciso de conexões.
Lorenzo concordou com minhas condições sem hesitação, um sorriso sutil dançando em seus lábios.
— Seu plano B já está em andamento, Helena. Você estará sob minha proteção em caso de qualquer imprevisto. Quanto aos pagamentos, não se preocupe, você será generosamente recompensada. E sobre sua entrada no círculo de Alexsander, posso abrir algumas portas para você. De resto é com você. Então, você aceita a minha proposta? Não posso colocar isso nas mãos de qualquer um. Precisa ser você.
Eu o encarei por um momento, ponderando sobre as palavras dele. Não era uma decisão a ser tomada levianamente, mas algo me dizia que esse trabalho valeria a pena. Com um sorriso confiante, eu assenti.
— Aceito. Pode contar comigo, Lorenzo. Sempre.
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Atualizado até capítulo 93
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