Benjamin me conduziu por um caminho ladeado de árvores iluminadas, a vegetação exuberante criando uma atmosfera quase mágica. À medida que avançávamos, a música e a conversa da festa se tornavam um murmúrio distante, substituídos pelo som suave do vento e o aroma das flores noturnas.
Chegamos a um local encantador, uma espécie de coreto com uma abóbada elegante, decorada com inúmeras flores que pendiam graciosamente do teto. No centro, um lustre magnífico iluminava o espaço, lançando um brilho suave e acolhedor. As flores ao redor, de cores vibrantes, adicionavam um toque de romance e beleza natural ao cenário.
Benjamin parou no centro do coreto, indicando uma das cadeiras delicadamente trabalhadas para que eu me sentasse.
— Este lugar é um dos meus favoritos — disse ele, sua voz carregada de um charme natural. — É perfeito para conversas mais íntimas, não acha?
Eu permaneci em pé, com meus olhos fixos no dele. Por mais que precisasse manter a pose de boa moça, eu não curvaria com tanta facilidade.
— Concordo — disse, estudando o local. — Gosto de conversas íntimas quando me convém. Mas ainda não entendi o motivo dessa.
Benjamin manteve seu olhar fixo no meu, um brilho enigmático dançando em seus olhos.
— Permita-me te contar uma história. — começou ele, sua voz baixa e envolvente — Ouvi os sussurros das paredes sobre a Dama da Noite. Ela era uma figura mítica, uma bela mulher que passa pelos bailes da alta sociedade, encantando os homens com seu charme e mistério. Diz-se que a Dama da Noite tem o poder de conceder desejos, mas a um custo: aqueles que se apaixonam por ela estão condenados a um destino incerto, uma mistura de êxtase e desespero.
Ele sabia quem eu era.
Enquanto Benjamin falava, ele se aproximou lentamente, cada palavra imbuída de uma intensidade quase hipnótica.
— A Dama da Noite, move-se graciosamente entre a multidão, nunca pertencendo a ninguém, mas deixando todos sob seu feitiço. Ela é uma ninfa, uma fada, uma bruxa... quem dirá? — Ele tocou levemente meus braços, a proximidade tornando suas palavras ainda mais carregadas de significado.
Eu permaneci em silêncio, mantendo meus olhos fixos nos dele. Meu intuito era jamais retroceder e demonstrar medo. Precisava exalar confiança. Caso contrário, ele se sentiria à vontade para fazer o que quisesse.
Não que eu estivesse a salvo, já que estava longe de tudo e todos. Mas uma sombra sempre tem suas artimanhas. E a minha estava presa na minha meia: uma adaga bem afiada e formidável.
Senti a pressão dos dedos de Benjamin sobre a minha pele, mas mantive minha postura firme. Ele podia estar a um sussurro de distância, mas meu espírito era inquebrável. Ele não conhecia meus segredos, e eu pretendia manter assim.
— Ou então... A Dama da Noite pode ser uma sombra. — ele murmurou, tocando meu rosto suavemente. Suas palavras fizeram meu coração quase parar. Benjamin sabia quem eu era. Ele sabia que estava da rata do submundo.
Sorri para ele, tentando esconder minha surpresa e tocando suavemente sua mão.
— Belo discurso. Você tem jeito com as palavras, mesmo que não entenda completamente o significado delas. Já pensou em escrever poesia? — disse, mantendo meu tom leve e sarcástico, mas com uma pontada de alerta.
Ele riu suavemente, seu olhar ainda fixo no meu.
— Talvez devesse considerar isso — respondeu ele, seu sorriso malicioso indicando que o jogo estava apenas começando — Mas é difícil pensar em poesia quando se tem uma mulher como você diante de mim.
— Assim você me deixa lisonjeada — respondi, mantendo o tom leve enquanto minha mente trabalhava freneticamente.
— E deveria mesmo ficar lisonjeada, minha cara. Sua fama corre pelos corredores. Uma sombra, uma gata, uma rata... Você tem muitas formas, e eu nunca imaginei que poderia ser essa. Tão linda e delicada — disse ele, a malícia em sua voz clara como cristal.
Seus olhos perfuravam os meus, como se procurassem decifrar meus segredos. Mantive meu sorriso, mas por dentro, cada fibra do meu ser estava em alerta.
— Realmente, você tem o dom das palavras. Mas não entendo o que quer com isso. Eu deveria seguir seu exemplo e recitar algum trecho de poesia? — provoquei, mantendo o tom despreocupado, embora minha mente estivesse alerta a cada movimento dele.
Benjamin se aproximou ainda mais, pegando-me pela nuca com uma firmeza que, se eu não estivesse em estado de alerta, poderia ter sido intoxicante. Seu toque era confiante, carregado de uma intenção que me fez prender a respiração por um instante.
— Você sabe muito bem o que desejo, Dama da Noite — sussurrou ele, sua voz tão suave quanto perigosa. — Realize meu desejo, assim como fizera com tantos homens antes de mim.
A proximidade de seu rosto, o calor de sua mão na minha nuca, tudo contribuía para a intensidade do momento. Mantive meu sorriso, mas por dentro, estava preparada para qualquer eventualidade.
— Quero que realize um serviço para mim, Dama da Noite. Vou te pagar mil vezes mais do que Lorenzo jamais poderia — continuou ele, seus olhos brilhando com uma promessa velada. — E, se deixar, posso te oferecer recompensas muito além do dinheiro.
A insinuação em sua voz era clara, um convite para um jogo perigoso. Eu sabia que teria de jogar minhas cartas com habilidade para sair dessa situação.
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Atualizado até capítulo 93
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