Com um último olhar para a porta fechada de Sofia, sentei-me no chão, sob a sombra da árvore. A escuridão da noite envolvia-me, e o zumbido incessante dos mosquitos irritava meus ouvidos. Enquanto meus pensamentos giravam em minha mente tumultuada, uma mistura de frustração, confusão e desespero se apoderou de mim.
"Fiquei horas e horas por baixo daquela árvore escura e cheia de mosquitos", murmurei para mim mesmo, esmagando um mosquito que teimava em me picar. "Não sei o que está se passando comigo... mais uma oportunidade deixei passar. Que raiva!"
Minha mente estava repleta de dúvidas e incertezas. Como poderia confessar meus sentimentos por Sofia, quando mal conseguia entender esses sentimentos por mim mesmo? O medo da rejeição apertava meu coração, e a ideia de que ela pudesse me dizer não era quase insuportável.
"Como posso contar para ela que a amo como nunca amei alguém?", sussurrei para o vazio da noite. "E se ela me disser não? Só de pensar nisso, meu coração dói..."
A luz da lua filtrava-se entre as folhas da árvore, lançando sombras dançantes ao meu redor. Eu me sentia perdido em meio à escuridão, sem saber para onde ir ou o que fazer. As vozes dos insetos noturnos pareciam zombar da minha agonia, ecoando minhas próprias dúvidas e medos.
"Que inferno!", resmunguei, batendo em outro mosquito que se aproximava. "Aqui também tem tantos mosquitos, vocês não dormem? Hem!"
Mas, por mais que eu tentasse afastar os mosquitos, não conseguia afastar os pensamentos que me atormentavam. Sofia ocupava cada canto da minha mente, sua imagem pairando sobre mim como um espectro indomável. Eu me perguntava se algum dia encontraria a coragem necessária para confessar meus verdadeiros sentimentos, ou se continuaria a vagar perdido nesse labirinto emocional.
A noite se arrastava lentamente, e eu permanecia ali, sob a árvore, lutando contra meus próprios demônios internos. O futuro parecia incerto e assustador, mas uma coisa era certa: eu não podia fugir para sempre. Eventualmente, teria que enfrentar meus medos e tomar uma decisão, mesmo que isso significasse enfrentar a possibilidade de um coração partido.
À medida que a noite avançava e eu continuava sob a sombra da árvore, meus pensamentos se voltavam para nossa longa história compartilhada. Sofia não era apenas uma conhecida; ela era minha amiga de infância, alguém que eu conhecia desde os tempos mais remotos da minha memória. Recordava-me das brincadeiras no rio, das aventuras pela fazenda, dos segredos sussurrados ao luar. Éramos cúmplices em todas as travessuras, confidentes de todas as confissões.
No entanto, à medida que o tempo passava e nos tornávamos adultos, algo mudou. Nossa amizade de infância deu lugar a sentimentos mais complexos e difíceis de compreender. A cada encontro, cada conversa, cada olhar trocado, eu me via mais e mais cativado por ela, envolto por uma teia de emoções confusas e contraditórias.
E agora, aqui estava eu, debaixo de uma árvore na escuridão da noite, lutando contra a torrente de pensamentos e sentimentos que ameaçavam me afogar. Por mais que eu tentasse resistir, não podia negar a atração irresistível que sentia por Sofia. Ela era como um ímã, puxando-me para mais perto mesmo quando eu tentava me manter afastado.
Mas o que isso significava? Será que ela sentia o mesmo? Ou será que eu era apenas um tolo, perdido em um mar de ilusões e esperanças vãs? A incerteza me consumia, corroendo minha paz de espírito e lançando sombras sobre tudo o que eu pensava que sabia.
"E se estou errado?", murmurei para mim mesmo, os olhos fixos na escuridão. "E se tudo isso for apenas um sonho, uma fantasia que nunca se tornará realidade?"
Essa era a verdadeira raiz do meu conflito interior. O medo do desconhecido, o medo da rejeição, o medo de me abrir para alguém e ser deixado de lado. Mas, ao mesmo tempo, havia uma parte de mim que ansiava por correr esse risco, por lançar-me de cabeça no desconhecido e ver onde isso poderia nos levar.
"Será que sou forte o suficiente para isso?", perguntei ao vento, minhas palavras carregadas de dúvida e insegurança. "Será que tenho coragem para enfrentar o que quer que aconteça?"
Não havia respostas fáceis, apenas o silêncio da noite e a solidão dos meus próprios pensamentos. Mas, mesmo assim, eu sabia que não podia continuar fugindo para sempre. Eventualmente, teria que enfrentar a verdade, por mais dolorosa que fosse.
E com essa determinação ardendo dentro de mim, continuei sentado ali, sob a sombra da árvore, esperando pelo amanhecer e pelas respostas que ele poderia trazer. Mas os mosquitos não me largavam, soltei o cavalo com cuidado, as rédeas deslizando suavemente por entre meus dedos, parti para casa.
Enquanto cavalgava de volta à fazenda, a noite parecia interminável. Os mosquitos zuniam em meu ouvido, persistindo em seu incômodo constante, como se quisessem me lembrar da agonia que eu estava vivenciando. Cada batida dos cascos do cavalo ecoava na escuridão, acompanhada apenas pelo som distante dos grilos e sapos.
Parecia que até mesmo os insetos estavam determinados a me perturbar naquela noite. No entanto, apesar da insistência dos mosquitos, minha mente estava ocupada com pensamentos muito mais inquietantes.
Eu não podia deixar de remoer as palavras de Sofia e as revelações que ela havia feito. A explicação sobre sua amizade com Pedro Silva, as confissões sobre nossas respectivas ausências nos momentos cruciais. Tudo isso girava em minha mente, criando um turbilhão de emoções que eu mal conseguia controlar.
O encontro com Bento e Pascual não foi uma surpresa para mim. Sabia que minha ausência não passaria despercebida por muito tempo, especialmente com a preocupação que pairava sobre a fazenda após o confronto com os Kilassas. À medida que me aproximava, pude avistar suas figuras recortadas contra o horizonte, iluminadas apenas pela fraca luz da lua.
"Bento! Pascual!" Chamei-os quando me aproximei, a voz carregada de cansaço e frustração. "Estou aqui, não precisam mais procurar."
Bento virou-se na minha direção, o rosto iluminado por um misto de alívio e preocupação. "Daniel, onde você estava? Estávamos preocupados com você, meu Coronel."
"Precisei sair, resolver algumas coisas", respondi, desmontando do cavalo e aproximando-me deles. "Está tudo bem agora."
Pascual permaneceu em silêncio, observando-me com olhos perspicazes. Sua expressão séria era um reflexo da tensão que pairava sobre todos nós, uma lembrança constante dos perigos que enfrentávamos.
"O que aconteceu, Daniel?" Bento perguntou, sua voz carregada de curiosidade e preocupação. "Por que você saiu sem nos avisar? O que está acontecendo?"
Suspirei, ponderando como explicar a confusão que se desenrolara naquela noite. "Eu precisei resolver algumas coisas pessoais", comecei, escolhendo minhas palavras com cuidado. "Mas agora não é hora de discutir isso. Precisamos nos concentrar no que está por vir, nos mantermos vigilantes."
Bento assentiu, compreendendo a gravidade da situação. "Entendo, meu Coronel. Estaremos preparados para qualquer coisa que aconteça."
"Ótimo", respondi, tentando conter a ansiedade que ainda pulsava dentro de mim. "Vamos voltar para a fazenda. Temos muito trabalho pela frente."
Com essas palavras, montei novamente no cavalo, liderando o caminho de volta à fazenda. Enquanto cavalgávamos em silêncio pela noite, eu sabia que o desafio estava longe de terminar. Mas com Bento e Pascual ao meu lado, estava determinado a enfrentar o que quer que viesse pela frente.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Operons Cameluns
Oi Priscila! vou já resolver isso.
2024-04-11
1
Priscila Marta
Senti falta das ilustrações, elas são perfeitas 🥰🫠
2024-04-11
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