Após o jantar, um o grupo do pessoal da fazenda se reunia do lado de fora, jogando baralho e desfrutando de um gole de malavu, eu permanecia em meu quarto, incapaz de encontrar paz de espírito. Meus pensamentos estavam em turbilhão, girando em torno das recentes reviravoltas em minha vida e das perguntas sem resposta que me assombravam.
Cada vez que fechava os olhos, a imagem de Sofia pairava em minha mente, seus olhos expressivos e seu sorriso enigmático me assombravam como fantasmas do passado. Eu precisava de respostas, precisava entender por que ela havia agido daquela forma durante o confronto e por que estava ausente no jantar.
"Maldição", murmurei para mim mesmo enquanto me revirava na cama, sentindo-me aprisionado pela vigilância constante imposta sobre mim. A ideia de não poder sair sozinho era sufocante, especialmente quando havia questões não resolvidas que exigiam minha atenção. Precisava encontrar Sofia, precisava de respostas.
Com um suspiro frustrado, olhei para a janela do meu quarto, considerando a possibilidade de escapar pela noite escura. Não seria a primeira vez que recorreria a esse expediente para garantir um pouco de liberdade e privacidade. O grupo lá fora estava distraído o suficiente com seus jogos e conversas para não perceber minha ausência imediata.
A ideia de sair pela janela surgiu como um raio de esperança em meio à escuridão de minhas dúvidas. Com um movimento furtivo, me aproximei da janela e a abri lentamente, sentindo o ar fresco da noite acariciar meu rosto. Olhei para baixo, avaliando a altura e calculando o salto necessário para alcançar o chão sem chamar a atenção do grupo lá embaixo.
Com cuidado para não fazer barulho, comecei a descer à janela cuidadosamente sentindo a adrenalina pulsar em minhas veias enquanto me preparava para a fuga furtiva. Cada movimento calculado para evitar qualquer ruído que pudesse alertar os guardiões de minha liberdade, sentindo o ar fresco da noite envolver-me enquanto descia pela parede externa do edifício.
Com um último olhar para o quarto vazio, deixei-me deslizar pela janela, lançando-me na escuridão da noite com um misto de nervosismo e determinação.
Finalmente, meus pés tocaram o chão firme e eu me afastei da casa em direção à escuridão da noite. O silêncio da fazenda envolveu-me como um manto, apenas interrompido pelo som distante das vozes e risadas dos homens que ainda estavam reunidos lá fora. Eu me movia com cautela, evitando ser visto ou ouvido, meu coração batendo forte em meu peito enquanto eu me dirigia ao encontro de Sofia.
A determinação queimava em meu peito, alimentando minha vontade de descobrir a verdade por trás das ações de Sofia. A noite escura parecia envolver-me como um manto, ocultando-me dos olhares indiscretos, mas ainda assim eu sabia que não poderia deixar nada ao acaso. A fazenda e a aldeia estavam separadas por uma distância considerável, e eu precisaria de um meio de transporte para alcançá-las.
Olhei para o carro estacionado em frente à casa, uma silhueta sombria contra o brilho das lâmpadas e da fogueira. Meus olhos estreitaram-se em concentração, avaliando os riscos de tentar alcançá-lo sem ser detectado. O grupo de pessoal reunido tão perto representava uma ameaça iminente, prontos para perceber qualquer movimento suspeito.
Girando de um lado para o outro, minha mente trabalhava freneticamente em busca de uma solução. Cada segundo que passava era um peso adicional sobre meus ombros, o tempo escorrendo como areia por entre meus dedos.
A opção do meu cavalo negro, uma vez minha fonte de liberdade e escape, estava igualmente indisponível. Montá-lo significaria expor-me à vista de todos, uma vulnerabilidade que eu não podia me dar ao luxo de enfrentar. O risco de ser descoberto era grande demais, e minha determinação de manter-me despercebido só aumentava a pressão sobre mim.
A frustração crescia dentro de mim, uma chama ardente alimentada pelo medo e pela incerteza do que estava por vir. O tempo se tornava um inimigo implacável, suas garras afiadas me pressionando enquanto eu lutava para encontrar uma saída.
Cada batida do meu coração ressoava em meus ouvidos, um lembrete constante da urgência da situação. Eu sabia que não podia hesitar por mais tempo, que cada segundo perdido aumentava o risco de ser descoberto.
O murmúrio dos meus pensamentos ecoava na escuridão, um fluxo constante de preocupação e determinação misturados em igual medida. "Como posso sair daqui sem ser visto?", perguntei a mim mesmo em um sussurro angustiado, buscando desesperadamente uma resposta que me permitisse avançar.
Com um último olhar para o carro sinistro, tomei uma decisão. Não haveria outra oportunidade, não poderia permitir que o medo me paralisasse.
Uma ideia começou a formar-se em minha mente, uma solução arriscada, mas talvez a única disponível. Com cuidado para não chamar a atenção, movi-me em direção ao carro, aproveitando as sombras para me ocultar dos olhos curiosos. Cada passo era calculado, cada movimento meticulosamente planejado para minimizar o risco de ser descoberto.
Com um último olhar para o grupo reunido ao redor da fogueira, rezei para passar despercebido enquanto alcançava o carro. Minhas mãos tremiam ligeiramente enquanto abria a porta com cuidado, deslizando-me para dentro e fechando-a silenciosamente atrás de mim. “Meu Deus o que estou a fazer!”, sussurrei para mim mesmo, me sentia como um adolescente.
Tomei então a decisão de abandonar o carro. O ronco do motor poderia atrair atenção indesejada, comprometendo minha missão de sair despercebido. Com um último olhar para o grupo reunido ao redor da fogueira, senti o peso da incerteza sobre meus ombros.
O silêncio da noite parecia ecoar minhas preocupações enquanto eu avaliava minhas opções. Descartar o carro era uma decisão difícil, mas o risco de chamar a atenção com seu ruído era grande demais. Optei pelo cavalo, uma escolha mais silenciosa e discreta, mas não menos desafiadora.
Minhas mãos tremiam ligeiramente enquanto soltava o cavalo com cuidado, as rédeas deslizando suavemente por entre meus dedos. O animal parecia sentir minha agitação, seu corpo grande e robusto emanando uma calma reconfortante que contrastava com minha própria inquietação.
Com passos cuidadosos, conduzi o cavalo pela escuridão, guiando-o através dos obstáculos invisíveis que se escondiam nas sombras. Cada ruído mínimo parecia amplificado pela quietude da noite, alimentando minha apreensão enquanto avançávamos pela estrada deserta.
O coração batia descompassado em meu peito, um ritmo frenético que ecoava o turbilhão de pensamentos em minha mente. Cada batida era um lembrete constante da gravidade da missão que me aguardava, da responsabilidade que recaía sobre meus ombros.
Com um suspiro de alívio, afastei-me da fazenda, montado sobre o cavalo ágil e poderoso. O animal respondia aos meus comandos com uma obediência surpreendente, seu ritmo suave e constante ecoando pela noite silenciosa.
Enquanto galopava em direção à aldeia, meus pensamentos vagavam para o desconhecido que me aguardava. Quem seria o verdadeiro motivo por trás das ações de Sofia? O que ela estava escondendo? E, acima de tudo, o que isso significava para o futuro incerto da nossa comunidade.
A jornada seria longa e perigosa, mas eu estava determinado a enfrentá-la, custasse o que custasse. Minha determinação era como uma chama ardente dentro de mim, alimentada pelo desejo de descobrir a verdade e fazer justiça. E enquanto o cavalo galopava pela estrada escura, eu sabia que não estava sozinho em minha busca.
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Atualizado até capítulo 61
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