Enquanto os homens da fazenda Kilassa se preparavam para recuar, o olhar intimidador de Ricardo se voltou para mim, fazendo-me sentir como se estivesse sendo avaliado e julgado.
"Desculpe, meu jovem, não nos conhecemos!", disse ele, sua voz carregada de desconfiança e desafio.
Eu não recuei diante do desafio de Ricardo. "Não precisamos nos conhecer... Diga apenas ao seu patrão João Silva que o Herdeiro das terras de Quilombo, Coronel Dihungo, está em Kandumba", respondi, minha voz firme e autoritária.
"Cuidado com a língua, meu rapaz! Não é João Silva, é Coronel João Silva", disse Ricardo, tentando se aproximar de mim com uma expressão ameaçadora.
Sofia, percebendo que a situação estava prestes a se intensificar novamente, interveio com determinação. "Pronto, já chega. Qual é a tua!", disse ela, empurrando-me levemente para trás com firmeza, sua voz ecoando com autoridade e compaixão.
Wilson sorria disfarçadamente ao ouvir minha apresentação como Coronel Dihungo, enquanto Bento murmurava para mim: "Já chega, meu Coronel".
Diante da intervenção de Sofia, os ânimos pareciam se acalmar um pouco, mas a tensão ainda pairava no ar.
Ricardo, ainda desconfiado, cruzou os braços sobre o peito e olhou para mim com um olhar penetrante. "Você pode ser o herdeiro das terras de Quilombo, mas isso não significa que pode simplesmente chegar aqui e dar ordens. O Coronel João Silva não vai gostar nada disso", disse ele, sua voz carregada de desafio.
Eu mantive minha postura firme, enfrentando o olhar desafiador de Ricardo. "As terras de Quilombo sempre foram nossas, e eu farei o que for necessário para protegê-las. Se o seu Coronel quer paz, ele terá que negociar conosco de maneira justa e respeitosa", respondi, minha voz soando determinada.
Sofia, observando a troca de palavras entre nós, decidiu intervir mais uma vez. " Senhor Ricardo, por favor, vamos resolver isso de forma civilizada. Não ganharemos nada com brigas e conflitos. E você, Coronel Dihungo, precisa entender que a paz é o melhor caminho para todos", disse ela, sua voz transmitindo uma mistura de paz para minha alma.
Percebendo que a situação estava se acalmando, Ricardo finalmente cedeu. "Está bem, Senhorita Sofia. Vou falar com o Coronel João Silva e tentar chegar a um acordo", disse ele, sua expressão se suavizando um pouco.
Eu assenti em concordância. "É isso que esperamos. Vamos resolver essa questão de maneira pacífica e justa", afirmei, minha voz refletindo um tom de determinação e esperança.
Com isso, os homens da fazenda Kilassa começaram a recuar, e a tensão que havia pairado sobre as fronteiras das fazendas Quilombo e Kilassa começou a se dissipar. Ainda havia muito a ser feito para garantir a paz duradoura, mas pelo menos havíamos dado o primeiro passo na direção certa.
Sofia se aproximou de Pedro Silva, e a visão dos dois juntos fez meu sangue ferver. Eu não conseguia entender que intimidade havia entre eles, mas a simples proximidade me incomodava profundamente. Seria ciúme? Inveja? Talvez uma mistura dos dois. Tudo que eu sabia era que queria Sofia ao meu lado, me ouvindo, e não ali, próxima aos meus inimigos.
Enquanto eu observava a cena com um misto de desconforto e raiva, os outros homens ao redor pareciam ignorar a tensão que pairava no ar. Pedro e Sofia conversavam em voz baixa, seus rostos próximos demais para o meu gosto.
"Pedro, meu amigo! Quando foi que chegou aqui?" Ouvi Sofia dizer, sua voz suave contrastando com a determinação em seus olhos e os sorrisos em seus lábios. A forma como ela se dirigia a ele, com tanta familiaridade, me incomodava profundamente.
"Já faz algum tempo. Você sabe que eu não gosto deste lugar caipira. Só não entendo ver você aqui, Sofia", comentou Pedro, sua expressão revelando um misto de surpresa e curiosidade.
Sofia olhou para ele com um brilho nos olhos, como se compartilhasse algum segredo especial com ele. "Você sabe, a minha área de formação é para trabalhar no campo", começou ela, sua voz carregada de nostalgia. "E também a vida se faz no campo, não é mesmo?" completou, um sorriso luminoso iluminando seu rosto.
Pedro pareceu ponderar por um momento, seus olhos fixos nos de Sofia. "Então você está trabalhando para a fazenda Quilombo?", perguntou ele, com um tom de surpresa evidente em sua voz. "Venha trabalhar com o meu pai. Prometo fazer com que ele te pague o triplo", convidou Pedro, tentando persuadir Sofia a mudar de lado.
Sofia hesitou por um momento antes de responder, sua expressão refletindo uma mistura de gratidão e lealdade. "Não posso, você sabe muito bem que tenho uma dívida moral com os Almeidas. Minha família trabalhou aqui", explicou ela, sua voz carregada de emoção. "A propósito, fale com seu pai para considerar o acordo", acrescentou ela, desviando o olhar por um momento.
Pedro assentiu, compreendendo a posição de Sofia. "Eu sei, Sofia. Vou falar com meu pai e ver o que podemos fazer para evitar mais conflitos", prometeu ele, colocando a mão sobre o ombro dela em um gesto reconfortante.
Sofia pareceu se acalmar um pouco com o toque gentil de Pedro, mas a preocupação ainda pairava em seus olhos. "Espero que ele esteja disposto a ouvir. Não podemos continuar assim, com essa guerra entre as duas fazendas", expressou ela, sua voz ecoando com autoridade e compaixão.
Enquanto observava a interação entre Pedro e Sofia, uma sensação de desconforto crescente se instalava dentro de mim. Eu não entendia por que me importava tanto com a relação entre eles dois, mas algo na forma como se olhavam e se tocavam mexia comigo profundamente.
Por que Sofia estava tão preocupada com os problemas de Pedro e sua fazenda? Por que ela não estava ao meu lado, ajudando-me a lidar com meus próprios desafios?
Eu não conseguia mais suportar a visão dos dois juntos. Com um impulso repentino, peguei meu cavalo e montei nele, o fazendo relinchar alto. Sem olhar para trás, dei partida em uma velocidade feroz, deixando uma nuvem de poeira para trás.
Enquanto cavalgava pela paisagem agreste, meus pensamentos giravam em torno de Sofia e Pedro. O que eu estava sentindo? Por que me importava tanto com a presença dela ao lado dele? Eu precisava entender meus próprios sentimentos antes de poder enfrentar os desafios que estavam por vir.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Marcia Gomes muchny
gente parece que tou dentro de um filme de faroeste
2024-04-16
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