Arvore de Mulembeira
Enquanto cavalgava pela fazenda Quilombo, meus pensamentos estavam em tumulto. A cena que acabara de presenciar entre Pedro Silva e Sofia Mendes trouxera à tona uma série de sentimentos conflitantes dentro de mim. Ouvir suas vozes suaves e ver seus sorrisos gentis apenas aumentou minha confusão interior.
Cheguei até a grande árvore de mulembeira, uma testemunha silenciosa dos eventos que se desenrolavam ao longo dos anos na fazenda. Parei ali, desci do cavalo e me coloquei em volta dela, girando lentamente enquanto os sons da natureza ecoavam ao meu redor. Pássaros cantavam melodias tranquilizadoras, e o som dos grilos preenchia o ar com sua serenidade noturna.
Mas por dentro, eu estava em chamas. A raiva fervia em meu peito, e minhas mãos tremiam de frustração. Por que Sofia estava tão próxima de Pedro? O que ela via nele? Ele não era digno do coração dela, pelo menos aos meus olhos. Não era bonito, nem cativante. Eu simplesmente não entendia.
"Fale comigo, velha árvore", murmurei para a mulembeira, como se ela pudesse me oferecer respostas para as perguntas que me atormentavam. "O que as mulheres pensam? Por que elas se apaixonam por homens como Pedro? Homens que não merecem o amor delas."
Minha voz ecoou pelo espaço vazio ao meu redor, misturando-se com os sons da natureza. Mas a árvore permaneceu em silêncio, suas folhas balançando suavemente ao vento como se estivessem sussurrando segredos antigos que eu não conseguia decifrar.
Frustrado, dei um soco na árvore ao meu lado, sentindo a dor reverberar em meu punho. Era como se eu estivesse lutando contra algo maior do que eu, uma batalha interna entre o desejo de entender e a incapacidade de aceitar a realidade.
Eu estava perdido em meus próprios pensamentos, tão imerso em meu conflito interior que mal percebi o tempo passar. Mas mesmo enquanto lutava com minhas emoções, uma parte de mim sabia que precisava encontrar uma maneira de superar essa inquietação e seguir em frente. Afinal, a vida na fazenda Quilombo continuava, e eu tinha responsabilidades a cumprir, independentemente dos meus próprios dilemas pessoais.
A noite envolveu a fazenda Quilombo com sua escuridão, trazendo consigo uma sinfonia de sons noturnos que eu não apreciava. Montei no meu cavalo, pronto para retornar para casa, embora soubesse que ainda estava longe de alcançá-la. Cada passo do meu cavalo parecia ecoar minhas próprias reflexões turbulentas.
Enquanto seguia pela trilha, fui surpreendido por um grupo de homens que emergiu das sombras, liderado pelo jovem Bento, cuja lealdade e amizade eram inquestionáveis. Eles pareciam preocupados com minha demora e ausência, e não pude deixar de sentir uma pontada de gratidão por terem vindo me procurar.
"Bento, o que vocês estão fazendo aqui?" perguntei, surpreso com sua presença.
"Daniel, seu irmão Miguel pediu que o encontrássemos. Ele está preocupado com você", explicou Bento, sua expressão séria refletindo a seriedade da situação.
"Estou bem, apenas precisava de um tempo para pensar", respondi, tentando acalmar suas preocupações.
"Você sabe como o Miguel fica quando você desaparece assim", comentou um dos homens, com um tom de preocupação em sua voz.
Eu assenti, entendendo perfeitamente a preocupação de Miguel. Ele era meu irmão mais velho e sempre se preocupava comigo, especialmente quando eu me retirava para a solidão para lidar com meus próprios conflitos internos.
"Deixe-nos acompanhá-lo de volta à fazenda, Daniel. Não é seguro viajar sozinho nesta escuridão", sugeriu Bento, demonstrando sua preocupação genuína pela minha segurança.
Concordei, reconhecendo a sabedoria em sua sugestão. Juntos, cavalgamos pela trilha escura, com Bento e os outros homens ao meu lado, oferecendo uma sensação de proteção e conforto que eu não sabia que precisava até aquele momento.
Enquanto cavalgávamos, discutimos os eventos do dia e compartilhamos histórias e piadas para dissipar a tensão que pairava no ar. Bento e os outros homens eram como uma família para mim, e sua presença ao meu lado me lembrava do apoio e da camaradagem que eu tinha na fazenda Quilombo.
Finalmente, avistamos as luzes da fazenda ao longe, indicando que estávamos nos aproximando de casa. Uma sensação de alívio e gratidão encheu meu peito ao ver o lugar que eu chamava de lar, sabendo que estava seguro e protegido mais uma vez.
Ao chegarmos à fazenda, fui recebido por meu irmão Miguel, cujo rosto se iluminou com um sorriso de alívio ao me ver retornar são e salvo. Agradeci a Bento e aos outros homens por sua preocupação e companhia durante a viagem de volta, reconhecendo a importância de ter amigos leais ao meu lado, especialmente nos momentos de maior inquietação interior.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Marcia Gomes muchny
tuo amando o livro /Heart//Heart//Heart/
2024-04-16
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