Na fazenda Quilombo, o dia começava cedo, com o sol se erguendo lentamente sobre os campos vastos e verdejantes. Vinte trabalhadores, incluindo eu, meu irmão Miguel, Wilson e o Velho Chico, se espalhavam pela propriedade, dedicados a suas tarefas diárias. Enquanto alguns cuidavam dos estábulos, outros trabalhavam nas plantações de café e laranjeiras, e nós, os quatro, nos dedicávamos às plantações de algodão.
O Velho Chico, com sua voz rouca e melodiosa, entoava canções antigas enquanto trabalhava a terra, criando uma atmosfera de alegria e camaradagem entre nós. Sob o sol da manhã, as plantas de algodão balançavam suavemente ao vento, prometendo uma colheita abundante.
Meu irmão Miguel, sempre liderando pelo exemplo, olhou para mim com orgulho em seus olhos. "Daniel, Daniel", chamou ele, interrompendo minha concentração no trabalho. "Sim, Miguel", respondi, virando-me para encará-lo.
Ele se aproximou e me envolveu em um abraço forte, e as lágrimas vieram aos meus olhos, inesperadas e bem-vindas. Era raro receber demonstrações de afeto de meu irmão, e aquele gesto significava mais para mim do que palavras poderiam expressar.
"O que quer dizer com isso, Miguel?", perguntei, tentando controlar a emoção em minha voz.
"Obrigado por ficar, por ajudar com a fazenda", disse ele, com um sorriso sincero. "Eu sei o quanto está sendo difícil para você essa rotina."
Com um sorriso grato, agradeci a ele. "Também é minha responsabilidade", respondi, sentindo um calor reconfortante se espalhar em meu peito. Juntos, enfrentaríamos os desafios que se apresentavam, como sempre fizemos.
Enquanto conversávamos entre as fileiras de algodão, fomos interrompidos pela chegada apressada de Bento, um dos trabalhadores da fazenda. Seus olhos brilhavam com excitação, e sua voz ecoava com alegria quando ele anunciou: "Já temos luz elétrica na fazenda!"
A notícia da chegada da luz elétrica à fazenda Quilombo foi recebida com uma mistura de alívio e celebração. Bento, o mensageiro da boa nova, foi calorosamente recebido por Daniel, cujo rosto se iluminou com um sorriso radiante ao ouvir as palavras de Bento.
"Bento, você não sabe como isso é maravilhoso!", exclamou Daniel, seu entusiasmo transbordando. "Finalmente, luz elétrica na fazenda! Todas aquelas noites escuras e os problemas que enfrentamos por causa disso finalmente acabaram."
O tom de alívio de Daniel foi ecoado por Bento, cuja expressão refletia um profundo senso de gratidão e contentamento. "Sim, Senhor Daniel, foi uma verdadeira bênção! Eu mal posso acreditar que finalmente conseguimos resolver esse problema."
A conversa animada atraiu a atenção de Miguel, que se aproximou para descobrir a causa de tanta agitação. "O que está acontecendo aqui? Por que todo esse alvoroço?", perguntou ele, sua curiosidade evidente em sua voz.
Daniel, radiante de felicidade, não hesitou em compartilhar a boa notícia com seu irmão. "Miguel, você não vai acreditar! Bento acabou de nos dar a melhor notícia que poderíamos esperar. Conseguimos luz elétrica na fazenda!"
A surpresa se espalhou pelo rosto de Miguel enquanto ele processava a informação. "Sério? Eles aceitaram as nossas condições todas sem nenhuma exigência?", perguntou ele, incrédulo.
Bento confirmou com um aceno de cabeça. "Sim, Senhor Miguel. Foi graças ao acordo que propusemos aos fazendeiros das fronteiras ao sul. Eles concordaram em fornecer a luz elétrica em troca de água para seus animais. É mais justo, apenas um que exigiu uma condição!"
"Miguel franziu o cenho, antecipando a resposta. "Já sei quem é, o Velho Serafim?"
"Bem lembrado, foi ele mesmo", confirmou Bento, seu rosto expressando uma mistura de respeito e frustração.
Daniel, sempre otimista, estava exultante com o progresso alcançado. "Veja, Miguel, sempre soube que encontraríamos uma solução. E agora que os fazendeiros concordaram, só falta o Coronel João Silva ceder."
Miguel balançou a cabeça com descrença. "Aquele nem Coronel é, que Coronel! João Silva. Esse velho não vai ceder, podes crer, Daniel. Ele é tão teimoso que vai preferir o uso da força."
Todos compartilharam um sorriso diante das palavras perspicazes de Miguel, que sempre tinha uma visão clara das situações. No entanto, Daniel decidiu adotar uma abordagem mais leve para dissipar a tensão crescente.
"De hoje em diante, também sou Coronel. Me chamem de Coronel Dihungo", brinquei, provocando risos entre seus companheiros, eles não faziam ideia que falava a sério.
Miguel, orgulhoso de sua equipe, fez questão de expressar seu apreço. "Isso é incrível! Vocês todos fizeram um trabalho incrível. Estou muito orgulhoso de cada um de vocês."
No entanto, a atmosfera de celebração foi interrompida pela chegada do capataz Carlos, cujo semblante carregado indicava más notícias. Sua expressão preocupada atraiu a atenção de meu irmão Miguel, que imediatamente percebeu que algo estava errado.
"Carlos, o que houve?", perguntou Miguel, seu tom sério contrastando com o clima anterior de alegria.
Carlos respirou fundo antes de responder, suas palavras pesando no ar. "Alguns trabalhadores da fazenda Kilassa invadiram as terras, derrubaram o cerco da fronteira e colocaram os seus animais a pastarem junto ao rio."
A notícia foi como um balde de água fria sobre nós , extinguindo instantaneamente o clima de otimismo e triunfo. Estive, consciente das implicações graves da invasão, senti a raiva borbulhando dentro mim, uma chama que ameaçava consumir tudo em meu caminho. Quando ouviu os murmúrios do meu irmão.
"Eu disse, esse velho que não deveria aceitar assim", murmurou Miguel entre dentes, sua voz carregada de desapontamento e frustração.
Eu estava determinado a resolver a situação, quando dei conta por min já estive montado no meu cavalo, minha mente já se movendo rapidamente para formular um plano de ação. Conhecendo meu irmão, ele exigiria diplomacia e eu estava determinado e disposto a enfrentar o desafio de frente.
"Wilson", chamou Miguel, chamando a atenção de um dos trabalhadores mais confiáveis da fazenda. "Sim, Senhor Miguel", respondeu Wilson, prontamente.
"Você e o Bento seguem o Daniel", instruiu Miguel, sua voz firme e autoritária. "Ele é impulsivo, e não quero saber de brigas e confusões. Nossa prioridade é resolver essa situação da melhor maneira possível, entendido?"
Wilson assentiu com seriedade, sua expressão determinada refletindo seu compromisso com a missão imposta por Miguel. "Entendido, Senhor Miguel. Vamos cuidar disso", prometeu ele, antes de se juntar a Bento para enfrentar o desafio que se apresentava.
Enquanto a fazenda Quilombo se preparava para o confronto iminente, as nuvens escuras se acumulavam no horizonte, anunciando uma tempestade iminente. Mas apesar dos desafios que se avizinhavam, Miguel e sua equipe estavam determinados a proteger suas terras e defender a honra da fazenda Quilombo a qualquer custo.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Teresinha Davi Vilela
.Muito bom! Adorando!
2024-08-01
0
Cleo Lemes
parabéns que livro lindo e envolvente 🤗🤗🤗🤗
2024-04-14
1
Ingrid Lopes Forchheim
Bento, lembro do meu avô ❤️ Raul Bento, que saudades 💔
2024-04-13
2