Quando cheguei em casa naquela noite, deparei-me com um cenário de preocupação e alívio misturados. Minha mãe e Lídia estavam à frente da casa, seus rostos expressando uma mistura de ansiedade e alívio ao me verem retornar são e salvo. Corriam na minha direção com sorrisos e lágrimas nos olhos, envolvendo-me em abraços calorosos e beijos afetuosos. Por um momento, senti-me transportado de volta à infância, como se fosse novamente o menino protegido sob as asas maternas.
No entanto, a alegria do reencontro foi rapidamente substituída por uma atmosfera tensa quando a conversa se voltou para o confronto nas fronteiras com a fazenda Kilassa. Minha mãe e Lídia estavam apreensivas, temendo que algo terrível tivesse acontecido comigo durante o incidente. Eu tentei tranquilizá-las com minha presença física, mas sabia que as consequências do confronto ainda estavam por vir.
Durante o jantar, a ausência de Sofia era palpável, como uma sombra pairando sobre a mesa. Sua cadeira vazia era uma lembrança constante de sua falta, deixando-me com uma sensação de vazio inexplicável. Por mais que eu tentasse focar na conversa à mesa, minha mente continuava voltando para Sofia, questionando sua ausência e o significado por trás dela.
O clima ao redor da mesa era tenso e carregado de preocupação. Os olhares sérios e as expressões determinadas de Miguel, Bento e Pascual refletiam a seriedade da situação e a urgência de garantir minha segurança futura. Minha mãe, com seu instinto protetor inabalável, expressava sua preocupação maternal, insistindo que eu não deveria mais arriscar andar sozinho, reconhecendo os perigos que agora rondavam nossa família.
A voz suave e preocupada de minha mãe ecoou na sala, carregada de temor e apreensão. "Meu filho, por que você teve que se envolver em uma confusão com o filho do Coronel João Silva? Essas pessoas são perigosas demais, especialmente considerando a situação com a água que os colocamos." Seus olhos castanhos escuros transmitiam uma mistura de medo e amor materno, refletindo sua profunda preocupação com meu bem-estar.
Miguel, meu irmão mais velho e voz da razão na família, olhou para mim com uma expressão de decepção e preocupação. "Daniel, você precisa aprender a controlar seu temperamento impulsivo. Esses confrontos só complicam ainda mais nossa situação, nos levando cada vez mais perto do abismo." Seus olhos castanhos, tão parecidos com os da mãe, expressavam uma mistura de desaprovação e preocupação fraternal.
Bento, um homem de confiança e lealdade inabaláveis, recebeu a repreensão de Miguel com um olhar de resignação e determinação. "Eu sei, Miguel. Nós tentamos evitar conflitos, mas o Daniel... às vezes ele é difícil de controlar." Sua voz era calma, mas carregada de preocupação e responsabilidade pelo meu bem-estar.
Enquanto eu observava o semblante preocupado de minha mãe e o olhar reprovador de meu irmão Miguel, senti um misto de culpa e indignação fervilhando dentro de mim. O eco de suas palavras ressoava em meus ouvidos, penetrando fundo em minha consciência e despertando uma série de conflitos internos.
"Mãe, eu não podia simplesmente ficar de braços cruzados enquanto nossas terras eram invadidas e nossos direitos violados", respondi, buscando justificar minhas ações impulsivas. "Se não fizermos nada, seremos sempre reféns do poder opressor desses fazendeiros gananciosos. Alguém precisa tomar uma posição, mesmo que isso signifique enfrentar as consequências."
O olhar de Miguel era uma mistura de frustração e preocupação, sua expressão refletindo a tensão que pairava sobre nossa família. "Daniel, Você precisa aprender a pensar antes de agir, a considerar as consequências de suas ações", repreendeu ele, sua voz carregada de desapontamento.
Eu podia sentir o peso de suas palavras como uma âncora em meu coração, arrastando-me para baixo em um mar de dúvidas e incertezas. Por um momento, questionei minhas próprias decisões e impulsos, me perguntando se agira impulsivamente demais, sem considerar as repercussões de meus atos.
Porém, quando meus olhos encontraram os do Velho Chico, vi um brilho de aprovação e entendimento em seu olhar sábio. Era como se ele compartilhasse minha determinação em desafiar a injustiça e a opressão, apoiando minha coragem de enfrentar o Coronel João Silva e seus capangas.
Foi então que tomei coragem para enfrentar minha família, para expressar minha convicção de que não poderíamos mais viver sob o jugo desigual daqueles que nos oprimiam. "Até quando, Miguel? Até quando permitiremos que nossas vidas sejam controladas por esses poderosos?", questionei, meu tom de voz carregado de determinação e desafio.
A felicidade nos olhos do Velho Chico, sua concordância silenciosa, foi como um bálsamo para minha alma, fortalecendo minha resolução e alimentando minha determinação em lutar por nossa liberdade e dignidade. Eu sabia que o caminho à frente seria difícil e cheio de desafios, mas também sabia que não poderia recuar, não agora que havia tomado minha posição contra a injustiça.
Enquanto minha família absorvia minhas palavras com uma mistura de incredulidade e preocupação, eu me sentia mais decidido do que nunca a seguir adiante, a enfrentar o futuro com coragem e determinação, custasse o que custasse. O conflito interno dentro de mim, entre o desejo de paz e a necessidade de justiça, continuava a me consumir, mas agora, mais do que nunca, eu estava determinado a enfrentá-lo de frente.
A tensão no ar era palpável, mas também havia uma sensação de alívio por finalmente liberar o turbilhão de emoções que me assombrava. Enquanto minha família absorvia minhas palavras com uma mistura de preocupação e surpresa, pude ver nos olhos deles um lampejo de orgulho e compreensão.
Minha mãe, com os olhos marejados de lágrimas, segurou minha mão com ternura, transmitindo seu amor e apoio silenciosos. "Daniel, meu filho", murmurou ela com voz embargada, sua expressão uma mescla de temor e admiração. "Você sempre foi um lutador, mas precisa ter cuidado. Não quero te perder para essa batalha."
O olhar de meu irmão Miguel era mais sério, porém havia uma chama de respeito em seus olhos. "Você é corajoso, Daniel, não posso negar. Mas precisamos agir com cautela, pensar estrategicamente", aconselhou ele, sua voz firme e autoritária. "Nossa família vai depender de você, não podemos arriscar tudo por impulsos."
Meu irmão Miguel chamou Bento e Pascual, dois dos nossos trabalhadores de confiança, para discutir sobre minha segurança. Seus rostos sérios e expressões determinadas refletiam a preocupação com a minha proteção e segurança futuras. Minha mãe, com sua postura protetora e maternal, insistiu que eu não deveria mais andar sozinho, reconhecendo os perigos iminentes que agora pairavam sobre mim.
A troca de olhares e as palavras de apoio de minha família trouxeram um sentimento de calor e segurança para meu coração, uma sensação de que não estava mais sozinho em minha luta contra a injustiça. Ao ouvir as palavras de minha mãe, senti uma mistura de gratidão e determinação se misturando dentro de mim, fortalecendo minha resolução em enfrentar os desafios que estavam por vir.
"Obrigado, mãe", murmurei, minha voz embargada pela emoção. "Eu prometo que farei de tudo para proteger nossa família e nossas terras, custe o que custar."
O sorriso de Miguel era uma mistura de admiração e resignação, sua expressão refletindo sua confiança em minha capacidade de liderança, mesmo que ele próprio ainda duvidasse de minhas habilidades como um verdadeiro Coronel. "Daniel, você sempre foi teimoso como um burro, mas também sempre foi corajoso como um leão", comentou ele, sua voz tingida de orgulho fraternal. "Eu só espero que você saiba o que está fazendo, irmão."
Bento e Pascual assentiram em concordância com as palavras de Miguel, suas expressões sérias e determinadas mostrando que estavam comprometidos em me proteger e apoiar em meus esforços. "Pode contar conosco, Coronel", afirmou Bento, sua voz firme e resoluta. "Nós estaremos ao seu lado, prontos para enfrentar qualquer desafio que surgir."
Senti um calafrio percorrer minha espinha ao ouvir a palavra "Coronel" dirigida a mim, uma mistura de orgulho e responsabilidade inundando minha alma. Era como se um peso tivesse sido colocado sobre meus ombros, mas também uma sensação de empolgação e determinação em assumir esse novo papel em minha vida.
O sorriso cúmplice de minha mãe e Lídia me encheu de calor e gratidão, seu apoio inabalável alimentando minha confiança e determinação. "Eu farei o meu melhor para honrar o legado dos meu pai e proteger o que é nosso", prometi, meu olhar se encontrando com o delas em um momento de profunda conexão e entendimento.
E assim, com o apoio de minha família e meus leais trabalhadores ao meu lado, eu me preparei para enfrentar os desafios que estavam por vir, determinado a defender nossas terras e nossa honra contra qualquer adversidade.
Era hora de enfrentar meus medos, de buscar respostas e encontrar um caminho para a frente. Eu era Daniel, o novo Coronel das terras de Quilombo, e estava determinado a descobrir a verdade, mesmo que isso significasse desafiar as convenções e arriscar tudo pelo bem da justiça e da honra.
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Atualizado até capítulo 61
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