Capítulo 10

— Mais você é muito convencido mesmo, não é?— É claro que não pude deixar de dar um olhar de falso desdém a ele.— Não que isso seja da sua conta, estava pensando na minha vida.— Falei e revirei os olhos... O que, ah, não Ísis, muda de assunto, muda de assunto rápido.

— O que eu tenho no café hoje?— Sério isso, perguntando o que está bem na minha frente. Você é burra mesmo.

— Ué, salada de frutas, sanduíches, suco natural e uma fruta, não tem nada secreto, ou além do que você esteja vendo.— Ele fala normalmente, bom pelo menos consegui mudar o rumo do assunto.

— Ah, sim, parece bom.— O que mais eu responderia, se não isso.

— Tire conclusões reais, e coma tudo.— Ele falou em um tom sério, acho melhor começar a comer.

Dou a primeira mordida no pão, e uau o sanduíche está bem melhor, do que quando a menina que trabalhava na confeitaria fazia.

Dou uma segunda mordida, e Arthur chama minha atenção:

— Ísis?!

— Hum?— Que humilhação, ter que responder assim, com a boca cheia de pão, hahaha, antes de te matar, estar de cama te humilha pra caramba.

— Hoje você vai receber a visita de uma psicóloga, ela é a melhor do país, então claro que ela vai te ajudar no melhor.

— Sério?— O que? Ele realmente se preocupou comigo? Eu quero chorar nesse momento, foram poucas pessoas que em toda minha vida, quiseram me ajudar.

— Sim, hoje eu vou entrar em contato pra confirmar, mais é certo que ela vai vir antes do almoço.

— Muito obrigada, de verdade, você é uma pessoa muito incrível. — Na emoção, eu acabei tirando a bandeja para o lado e o abracei.

*Autora narrando*

Ísis ficou realmente comovida e grata. A vida toda, sofreu com a falta de carinho e cuidado das pessoas ao seu redor, por isso, o mínimo de cuidado que ela recebe das pessoas, a faz sentir muito.

Arthur por outro lado, se sentiu tocado com a gratidão que ela demonstrou por ele, o abraço apertado e sincero que ela lançou sobre ele, o fez querer ficar assim, por toda eternidade.

O abraço acabou sendo durável, por vários minutos permaneceram com seus corpos colados um no outro, até que por um fio de lucidez, Ísis percebe o que tinha acabado de fazer.

— Me desculpa, eu... Sabe... Tipo... Enfim... — Desconcertada com suas próprias ações, e com os olhos ainda vermelhos, tentou achar uma resposta minimamente justificável— Eu acabei sendo impulsiva, me desculpa se você acabou se sentindo desconfortável.

— Tudo bem, eu não me importo.— Arthur se aproxima e segura o rosto de Ísis com as suas mãos...— Quero que saiba que sempre quando precisar de um abraço, tem a mim.— O coração de Ísis dispara, e ela fica envergonhada.

— C.c.claro.— Fala desviando o olhar.

— Ísis, eu tô falando sério, sempre que precisar, eu estarei aqui.

A forma encantadora e decidida de como ele falou, hipnotizou Ísis, o cheiro do seu perfume caro, inundou seu nariz, a deixando viciado no cheiro amadeirado que exalava do homem a sua frente.

Arthur se aproxima lentamente e olha de forma sedutora para Ísis.

Ela já embriagada com a masculinidade que ele transmitia, permitia a aproximação lenta do homem... Até que pela proximidade de seus lábios, eu um susto, Ísis usa sua pouca força disponível, para afastar Arthur para longe.

— O que aconteceu? — Pergunta confuso.

— Você tomou café? — Pergunta se sentindo um tanto quanto enjoada com o cheiro.

— Sim, porquê?— Pergunta ainda mais cheio de confusão.

— Eu sou alérgica. — Logo após de terminar sua frase, Ísis se obriga a levantar e ir ao banheiro, seu estômago estava embrulhado, e acaba de certa forma... Hum, como posso dizer sem causar certo constrangimento? Acabou por devolver seu café da manhã (bom talvez não tenha funcionando, procurar uma forma mais leve de se dizer).

Enquanto Ísis estava no banheiro, Arthur assutado procura saber o que está acontecendo, porém o interrompendo, seu telefone toca.

Para variar, Jack estava no outro lado da chamanda.

*Ligação on*

Jack: Chefe, o senhor esqueceu que comanda uma empresa?

Arthur: O que você acha?

Jack: Liguei em um momento infortúnio, não é?— Como amigo pessoal de Arthur, ele sabe exatamente o que seu amigo de longa data quer dizer, em apenas palavras indiretas.

Arthur: E é bom que você tenha um bom motivo para isso.

Jack: Estão todos te esperando para a reunião dos acionistas, o que eu vou dizer a eles? Que você está cuidando de uma mulher que encontrou por aí? Acha que eles acreditariam?

Arthur: Não, então por isso, diga que estou com minha noiva.

Jack: Até parece, faz o favor de deixar sua "noiva" e venha cuidar do seu trabalho, por que se você falir a empresa, eu fico desempregado.

Arthur: Desempregado você vai ficar daqui a pouco, se você não calar a boca e fazer o que eu tô mandando.

Jack: Você tem trinta minutos para estar aqui, e eu não tô brincando.

Arthur: Então aproveita que vai me esperar, e confirma com a psicóloga, antes do meio estar aqui.

Jack: Certo então.

*Ligação off*

Tanto Arthur quanto Jack poderiam ficar ofendidos se fossem outras pessoas, mas um apoia o outro a muitos anos, então fora do trabalho, e até dentro eles são melhores e bons amigos, por isso, ambos entendem o que cada um quer dizer, independente da forma com que expressem.

— Ísis, tá tudo bem aí?— Diz enquanto volta a sua atenção a ela— Me desculpa, eu não sabia que você...

— Tudo certo, não tinha como você saber, mas já passou. — Fala saindo do banheiro, aparentemente recuperada.

— Que bom que está bem, a partir de hoje, vou ser mais cuidadoso em relação ao café— Fala claramente decidido.— Agora eu tenho que ir, pois o trabalho me espera.

— Ah, sim, então se cuida, até mais tarde.

— Até.

Arthur sai do quarto, ainda pensando no que aconteceu, antes de sair, passa na cozinha, pedindo que Vera preparasse um chá para que Ísis pudesse tomar.

Ele explica a situação, porém omite a parte do beij- ou melhor quase beijo.

Ao entrar no carro, cumprimenta seu motorista e pede a ele que vá o mais rápido possível para empresa.

O fato de que quando está com Ísis, ele perde a noção do tempo, o impressiona.

...

Ao chegar na empresa, é recebido com o olhar de todos que estavam lá, mais que o normal. Principalmente das mulheres. Para elas, ele ter uma noiva é como se perdessem a chance de ter um partido tão notável quanto aquele, que agora já havia sido lançado aos laços do amor.

Ao subir o elevador, encontra Jack no caminho.

— Pelos olhares, devo imaginar que os boatos já se espalharam.

— Acertou, não me espantaria se daqui alguns minutos, essa notícia esteja nas manchetes.

— Por isso quero que você contenha a mídia, bom, pelo menos daqui vinte dias. Depois disso, o que sair, saiu.

— Tranquilo, agora vamos, por que temos muitos acionistas para lidar.

Ao chegarem na enorme e sofisticada sala de reunião da Castanhari Group, technology and innovation, os olhares estavam todos voltados ao grande CEO.

— Com licença, senhores. Peço perdão pela demora, minha noiva não estava passando bem.

A sala caiu em comoção, e até que os ânimos dos cavalheiros que estavam a mesa fossem acalmados, muito tempo naquela reunião, já havia sido perdido.

...

Ainda no quarto, logo após da saída de Arthur, Ísis pensava sobre o que quase havia acontecido.

Porém, rapidamente foi tirada de seus devaneios quando Vera aparece encostada no batente da porta.

— Bom dia, Verinha, como a senhora está?— Diz de imediato, assim que vê a mais velha.

— Estou bem filha, Arthur me contou que passou mal, por que sentou o cheiro do café. Por isso, vim trazer um chá.

— Humm, imagino que deva estar maravilhoso. Mas antes, poderia alcançar meus remédios?

— Claro filha.

Ísis toma seu remédio e fica conversando com Vera, enquanto toma seu chá.

Entre risos e assuntos animados, a empregada vem a procura de dona Vera, para informar que uma moça estava lá embaixo.

— Oh, deve ser a psicóloga que Arthur falou.

— Ela já está aqui, nossa, o tempo passou voando.

Dona Vera desce as escadas e vai para a sala, para que pudesse conhecer a psicóloga.

Enquanto isso, Ísis, bom estava ansiosa em seu quarto, depois de muito tempo, poderia conversar com alguém que sem dúvidas a entenderia perfeitamente.

Logo, a moça chega com Vera, que ao deixá-la na porta, volta para a cozinha, trazendo privacidade para as duas.

— Bom dia!— A mulher diz simpática.

— Bom dia!— Responde Ísis.

— Me chamo Jéssica, e você deve ser Ísis. Não sabe o quanto estou feliz por conhecê-la.— Fala demonstrando entusiasmo

— O prazer é todo meu.

Depois das apresentações, a sessão logo começa, Ísis não consegue explicar o que está sentindo. Depois de inacreditáveis duas horas, se não mais que passaram conversando, Ísis pode sentir uma paz dentro de si.

Um combinado entre elas (e agora entre a gente, também) Seria que ao fim de toda sessão, Ísis escreveria algo que a machuca em uma folha, e rasgaria em pedaços, como forma de destruir o trauma.

Hoje, a questão escolhida, foi o dia em que foi traída. Para ela, foi difícil pensar no que menos a machucava, e parece que isso realmente foi mínimo, comparado a todas as suas dores.

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Comments

Elis Alves

Elis Alves

Feliz? A psicóloga disse isso, pq?

2024-09-07

1

Franciane Hubner Dos Santos

Franciane Hubner Dos Santos

essa psicóloga poderia ser a tia dela e conhecer toda a história dela e falar com os avós dela para poder juntos acabar com o pai e madrasta.

2024-08-25

2

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