Capítulo 2

Uso meu tom gentil de sempre e falo de longe:

— Olá pai.

Entro totalmente na sala. Chegando lá me deparo com Sabrina chorando e Helena a abraçando, adivinhem quem também estava lá, sim o Dênis. Meu sorriso se esvai em um piscar de olhos.

— Ísis por que você fez isso com sua irmã? - Helena fala enquanto me olha com maldade.

— O que eu fiz? E o que eles fizeram comigo? Por que apenas eu sou a errada, quando a vítima sou eu?

— Vítima, você teve a coragem de bater em sua irmã! Você envergonha a nossa família!

— Eu apenas revidei, aliás, quem envergonha a família é essa sua filha, uma biscate que troca de homem toda a semana, e agora tá com esse traste nojento.

Sabrina vem em minha direção, agarra meu braço e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, e o puxo levemente . Ela aproveita esse movimento e se joga no chão, começa a chorar e a gritar:

— Aii, minha barriga dói...

— Ei! olha o que você fez com ela, você não sabe que ela espera um filho meu.- Dênis que até então estava calado, diz algo.

Espera, filho? Além de ser traída, ele engravidou a amante, mais que filha da put-

Nesse momento, um estralo alto saí contra meu rosto. Meu pai me bateu de novo.

— Olha o que você fecom a sua irmã, você não tem noção de que ela está grávida? O que você fará se ela perder essa criança?

Helena me olha zombando da minha situação, como eu odeio essa mulher.

Olho para ele com lágrimas nos olhos. Um súbito de raiva sobe enquanto eu começo a falar:

— Que pai fica contra a própria filha no momento em que ela mais precisa, hein? Claro só poderia ser o Senhor Alencar, eu, sua filha biológica acabei de ser traída por esses dois, e eu sou a culpada? Eu me defendi, e apenas revidei a agressão que sofri, mas a única sem coração sou eu. Engraçado, você só é favorável para sua doce estrelinha.

— Ísis, chega.- Ele fala me advertindo, porém continua a falar.- Vá para cima e se arrume, hoje você irá conhecer seu noivo.

— Noivo?- Pergunto desacreditada.

— Sim, anteriormente, Sabrina iria se casar, mais como você é a mais velha, e agora ela está noiva, você terá que substitui-la.- Helena diz enquanto olha para Sabrina.

— O quê? Eu nunca vou me casar com um desconhecido, você só pode estar brincando.

— Mas você precisa querida.- Ela fala novamente em um tom falsamente doce.

— EU NUNCA VOU ME CASAR! EU JAMAIS VOU ACEITAR ISSO!- falo gritando, com esperança que todos me entendam.

— Isso não está em discussão Ísis, eu estou mandando!- Meu pai se altera.- Helena leve ela para cima, senhor Gordon estará aqui daqui a pouco.

Ela segura meu braço e eu começo a gritar.

— ME SOLTA AGORA, EU NÃO VOU!

— Você não tem escolha querida, você já foi vendida, faça as malas, pois aquele velho vira te buscar.- Sabrina se levanta do chão e diz enquanto vai em direção de Dênis.

Olho incrédula para meu pai, começo a chorar e a dizer:

— Você é um mostro! Nunca mereceu o amor da minha mãe, você nunca mereceu o último toque dela no último momento de vida. Você e essa impostora se merecem, ela só está aqui para roubar o lugar da minha mãe, mais nunca vai chegar aos pés dela, quer saber, vocês todos se merecem, merecem o pior desse mundo, e você papai, principalmente. Espero que você se sinta culpado por toda vida por manchar a honra da minha mãe, é realmente uma pena que ela tenha perdido tanto tempo da vida dela ao seu lado. Eu espero que você morra.

Após dizer isso, ele puxa o meu cabelo e me arrasta até o porão. Lá ele me bate repetidamente. Com muita raiva. Começo a chorar, pois nunca imaginei que seria tratada assim pelo meu próprio pai.

— Como você ousa a tocar no nome de sua mãe.

Ele me joga no chão e me bate muito.

— Se arrepende por ter feito o que fez com sua irmã? Você vai subir lá e vai se apresentar para Sr. Gordon!

— Nunca! Eu jamais vou me casar!

Isso despertou uma raiva incessante nele, começo a vomitar sangue. Ele pega sua cinta, e desfere sobre mim. Me chuta, como se estivesse chutando um lixo, como se eu não fosse a filha dele

— Nunca mais desrespeite alguém dessa família.

Ele bate em mim até eu estar quase inconsciente. Ele me olha e diz:

— Ficará aí até que peça perdão para sua irmã, e aceitar o casamento. Você tem uma hora pra decidir se quer viver, E se ousar fugir, será muito pior.

Ele me tranca mais uma vez naquele porão insalubre. Parte da minha vida passei nesse porão, ele sempre me bateu, já levei surras tão violentas por motivos mínimos, mais nunca cheguei a vomitar sangue.

Meu corpo todo dói, estou cortada pela cinta. Eu sei que se eu ficar aqui eu morrerei. Meu pai não tem o mínimo de afeto por mim. Ele me ameaçou de morte, ele me vendeu, não consigo acreditar. Choro, choro muito ao pensar que meu pai vai me matar, por simplesmente não aceitar me casar com um velho nojento.

Olho para a pequena janela do porão. De todos esses anos, sinto que fugir é minha única opção.

Levanto-me e assim sim que fico em pé, sinto uma dor horrível, parece que minhas costelas se abririam num rasgo profundo. ando lentamente até a pequena janela. Pego um pedaço de tijolo no canto, e acerto contra o vidro. Oro a Deus para que ninguém tenha ouvido. Me esforço ao máximo para conseguir levantar meu corpo e passar pela janela. Depois de muito esforço, finalmente consigo, ando silenciosamente por trás do quintal, e consigo entrar na floresta, nessa hora escuto os cachorros latir. Droga, começo a correr, piso em espinhos, mas tento não ligar para dor. Corro o mais depressa que posso, e começo a ouvir a comoção dos seguranças vindo atrás de mim.

Logo começa a chover, para o meu desespero. Por que isso tem que ser justo comigo. Lembranças daquele dia invadem a minha mente, eu não consigo correr, a medida que a chuva fica mais intensa, fico sem ar e desesperada, estou tremendo muito. Me sento no chão e tudo só piora, tampo meus ouvidos para abafar o som, mais é impossível. Fico por um longo tempo com essas lembranças dolorosas, até que a chuva se acalma, respiro fundo, e vejo de longe o clarear das lanternas. Me levanto, e quando começo a correr alguém me segura.

- Achei você!- Um dos capangas do meu pai diz.

— P.po. Por f.favor me deixa ir.- Digo suplicante com lágrimas nos meus olhos.

— Sinto muito senhorita, mais são ordens, se eu te deixar ir, posso ser demitido, ou pior.- Ele fala com resquícios de pena.

— Por favor, se você me soltar eu vou embora para longe, ninguém vai saber que você tinha me alcançado.

— Sinto muito...

— Mesmo se eu for pega, ninguém vai saber, por favor, você quer viver com a culpa de ter ajudado a matar uma menina inocente?

— Que?- Ele pergunta assustado.

— Se eu voltar lá, meu pai vai me matar. Eu não fiz nada errado, só me deixa ir, rápido eles estão se aproximando.

— Mais... Ah, quer saber, foge senhorita, corre para essa direção assim você vai sair na rodovia, não pare em nenhum momento, vá para lá, eles provavelmente vão se dividir, quando você chegar lá, ande para direita, assim você vai ir para Norteland. Se você ficar na cidade, eles vão te achar facilmente, depois de você se recuperar, fuja para outro país. Boa sorte Senhorita.

— Muito obrigado, muito obrigado mesmo. Que Deus te ilumine muito.

— Corre moça.

Começo a correr na direção em que ele falou, eu não tenho referências, então só posso confiar nele, mesmo que me custe a vida.

...

Faz muito tempo que eu estou andando, ainda não cheguei, mais se fico em silêncio, ouço de longe os homens. Agora começou a chover, para o meu azar, tá ficando muito frio. Eu preciso parar, tá voltando tudo de novo. Eu preciso respirar. Meu corpo todo dói, o sangue vindo do corte da minha testa atrapalha minha visão, as minhas costelas estão latejando dentro de mim mesma, eu preciso de ajuda. A chuva só piora, me apoio na árvore atrás de mim.

Ah, senhor eu te suplico, envia-me alguém para me salvar, me envia uma luz para me tirar do poço da escuridão, por favor.

Os flashs daquele dia voltam, o olhar da minha mãe, tudo me atormenta, eu escuto em meio a chuva os capangas se aproximando, eu preciso ser forte. Eu preciso encontrar minha luz. Corro novamente, corro até chegar em um lugar onde eu consigo ver a rodovia. Vejo de longe os faróis de um carro, sinto uma forte sensação de que aquele carro está trazendo minha salvação consigo.

Ao mesmo tempo, do outro lado os capangas estão se aproximando rapidamente. Não perco meu tempo, atravesso correndo, e quando menos espero prendo meu pé em cipós e caio no chão, ah, que dor... Sério, o que eu fiz para merecer uma vida assim, estou toda machucada, dores insuportáveis pelo meu corpo todo, e quando estou próxima de sair disso tudo, machuco meu pé. Por que a chuva insiste em cair? Por que a medida que o tempo passa tudo piora?

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Comments

gata

gata

Misericórdia parece real😢30/12/2024

2024-12-30

2

Wilma Marques Machado

Wilma Marques Machado

Meu Deus que sofrimento dessa menina, tomara que ela encontré alguém que lhe ajude.

2024-09-05

3

Virginia Rolin

Virginia Rolin

que tristeza!!!!

2024-08-31

1

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