Capítulo 6

*Narrado por Ísis*

Acordo meio tonta, até que vou voltando aos meus sentidos. Vejo ele trabalhando perfeitamente em seu notebook enquanto olha documentos. Ele é alto e tem ombros largos, seus cabelos pretos dão um charme a mais, tem a pele clara e olhos azuis hipnotizantes. Seu rosto deve ser invejado por muitos homens, seus traços enchem os olhos de qualquer um. Ele usa roupas casuais, calça jeans e uma camisa branca que o deixa ainda mais atraente, simplismente a perfeição.

 O admiro por alguns segundos e lembro que o médico viria aqui.

Ele diz que são 16:00 horas, tipo eu descansei meus olhos por alguns segundos e realmente dormi. Bom, o seu cheiro me embriagava, seu perfume caro era viciante, e me fazia querer estar cada vez mais perto. Por isso fechei meus olhos para poder aprecia-lo.

Ele me para com suas palavras quando ia me levantar. Como assim o médico já veio? Por quanto tempo eu dormi? Meu Deus Ísis.

A medida que os dias se passam, a dor também diminuiu, hoje, quase nem às sinto, talvez seja pela medicação, mas eu já me sinto bem melhor que antes.

Quando eu acordei, naquele dia eu estava em desespero. Pode parecer frescura, mas eu tenho muito medo do que meu pai pode fazer comigo. Eu não entendo o que eu fiz de errado, depois daquele casamento ele nunca me olhou com os mesmos olhos, acho que deixei de ser a menina de seus olhos no dia em que o acidente aconteceu. Mais eu realmente não sei o que fiz para receber tanto ódio. Eu nunca tive força e coragem para fugir ou me posicionar, sempre quis que ele voltasse a ser o mesmo, por isso sempre aceitei calada. Mas eu não quero mais viver assim, hoje, eu reconheço o monstro que ele é, e não sinto nada além de ódio, por tudo o que ele me fez, e agora que Arthur me contou que ele é um corrupto, me faz querer acabar com o que ele mais ama, sua empresa. E se ele também enganou minha mãe? Ela era tão boa, e pode ser a explicação para muitas coisas.

Ela veio de uma família da elite, donos de uma fortuna bilionária. Ao fazer 18 anos ela ganhou uma empresa do meu avô como presente de aniversário, ela levou tudo sozinha, e fez sucesso. Mas depois que ela se casou com meu pai, aos poucos a empresa entrou em crise, falta de dinheiro até que entrou em falência. Na época meu avô quis ajudá-la, mas ela foi orgulhosa, e como resultado se tornou esposa troféu.

Depois do acidente, meus avós cortaram os laços comigo, as vezes eu realmente me sinto culpada, o que eu fiz? As vezes que tenho notícias deles são apenas nas manchetes. Ninguém imaginaria o quanto eu queria poder visitá-los. Penso que meu futuro será apenas eu e eu. Todas as pessoas que entraram nela, tinham segundas intenções e me machucaram muito no final. Porém, Arthur é assim? Eu espero que não. Espero que meu salvador seja incrível e bom, e não seja alguém de duas faces.

— Ísis? — saio dos meus pensamentos com Arthur me chamando.

— Sim? — fico envergonhada, a quanto tempo ele estava me chamando?

— O médico está aqui. Vamos para casa.

— O que? Sério? Ah, mal posso esperar! — Minha animação foi as alturas.

— Ei, calma — Ele sorri, e por sinal, que sorriso bonito. — Vou assinar o papel de alta, ele vai conversar com você.

...

Ambos fazem tudo, é claro que Ísis ficou um pouco chateada de ter que ficar um tempo em repouso.

— Mas doutor, eu já não sinto quase nada, por que mais repouso?

— Você precisa se recuperar totalmente. Afinal, o que são 20 dias?

— Por favor, eu não aguento mais viver deitada. — Ela fala, com um olhar que quase convenceu o médico.

Nesse momento, Arthur chega na sala e começa a organizar seus documentos enquanto ouve a conversa da paciente e do médico.

— 5 dias. — Derrepente Ísis fala. — São o suficiente.

— 20. — O médico diz decidido.

— 5!

— 20!

— 7.

— 20.

— 6.

— 20!

— 10?

— 20.

— 15.

— 20!

Sem querer desistir de ter menos dias de repouso possíveis, ela pensa rápido. Faz novamente esse bate e volta de números até que solta uma pergunta

— Doutor quantos dias em média, dura um resfriado comum?

— 5 à 7 dias. — Ele responde inocentemente.

— FECHADO, 6 dias!

Ísis pega os papéis ao lado, preenche a quantidade de dias e assina.

O médico fica chocado com o que acabou de acontecer. Como ele foi enganado por uma paciente? Se outras pessoas soubessem disso, ele seria motivo de chacota.

Arthur por outro lado ria enquanto via a situação.

— Por Deus, vocês dois são mesmo adultos?— Perguntou desacreditado.

— Sim, mas se ele não quis resolver por meios diplomáticos, eu tive que achar um jeito conveniente.

— Bom eu ainda insisto 20 dias de repouso, porém, valeu a tentativa senhorita Alencar. — No final de suas palavras ele começa a rir, relembrado a situação. — Simplismente inacreditável. Agora com licença, preciso atender outros pacientes.

— Tchau doutor, obrigada pelos cuidados.

— Tchau senhorita, boa sorte nos 20 dias de recuperação. — O doutor da ênfase na parte dos 20 dias, para ir contra a ela, em um pequeno movimento com a cabeça, acena para Arthur e sai rindo pelos corredores.

 Ísis se aproxima de Arthur, que estava se divertindo com a situação anterior.

— Você deveria ter me ajudado ao invés de ficar rindo, eu quase consegui.

— Eu sei, mas você tem que seguir ordens. Não tão simples assim. Você precisa do maior cuidado.

— Mas veja, eu vim até você sozinha, andando normalmente. Como posso estar mal, sendo que nem de ajuda eu precisei.

— Ísis, nem vem, você não vai me enganar. Vai ficar descansando sim. Agora vá para cama, enquanto espera.

Jack Derrepente entra na sala. Um desespero invade Ísis que se esconde atrás de Arthur.

Ela segura seu braço de maneira firme, como se nunca fosse soltar

— A.ar.thur e.le tá atrás de mim. — Ela fala com certa dificuldade.

— A.a.rthur, e.le vai me ma.tar? Me ajuda! — Ela entra no total desespero.

Arthur percebe o que está acontecendo e olha para Jack, pedindo para que ele se retire por um tempo.

Ele olha para Ísis que está desesperada e o segurando. Algo indescritível atinge seu coração naquele momento, toda vez que ele a vê assim, a vontade de acabar com quem fez ela se sentir dessa forma, cresce em seu peito.

— Ísis, calma, olha para mim, eu estou aqui, e ninguém vai tocar em você. Ele é só meu secretário, não se preocupe, ele não vai te fazer nenhum mal.

Ele abraça Ísis enquanto ela chora, ele faz carinho em sua cabeça, enquanto ela se acalma.

— Fica tranquila, eu vou estar aqui por você.— Quando Arthur diz essas palavras, Ísis sente todo aquele sentimento se dissipar rapidamente. Parece que depois de tanto sofrer, ela finalmente encontrou alguém que ela poderia confiar.

— Obrigada por tudo, Arthur. De verdade, você é incrível. — Depois de dizer isso eles permanecem abraçados até que Jack bate na porta novamente.

— Desculpa incomodar, mais está tudo pronto.

Eles se soltam do abraço, e para cada um, o sentimento de estarem separados os deixaram com um vazio, que só é preenchido quando os dois estão em contato com o outro.

— Certo, Jack. — Ele olha para Ísis e diz: — Ísis, esse é meu assistente Jack, meu braço direito a muitos anos, então você pode confiar nele, se você precisar de algo, e eu não conseguir falar com você, não se esqueça que pode contar com ele.

— Olá, senhorita. Muito prazer em conhecê-la.— Ele estende a mão para Ísis.

— Olá Jack, me desculpe por mais cedo, eu não sabia que você viria.

— Tudo bem senhorita, eu entendo sua preocupação.

...

Todos se organizam para a saída do hospital, mas quando estão prestes a sair do quarto, Ísis lembra de Estela.

— Arthur, eu preciso me despedir da Estela. Você vem comigo, não quero ir sozinha.

— Tudo bem, vamos. — Ele concorda entregando uma pasta que estava em sua mão, para Jack. — Jack, vá em frente e guarde esse documento no meu carro, pode ir para casa levar as coisas, depois disso você tá liberado.

— Sim, chefe. — Ísis acena para ele sorrindo e ele devolve com as mesmas ações.

Arthur vendo isso, se sente um tanto quanto incomodado, por que ela é gentil com todos?

...

Eles vão até a recepção e encontram Estela, lá eles se despedem e vão para o carro.

Ele abre a porta para ela. E depois da a volta pelo carro.

— Arthur, o que será da minha vida agora? — Ela pergunta pensativa.

— Em breve você vai saber.— ele diz olhando rapidamente nos olhos dela sem desviar sua atenção ao trânsito.

— Não sei por que, mesmo sabendo que é precipitado, eu tenho total confiança em você.

— Eu sei...

— Afinal, quanto deu a conta do hospital? Eu devo ter algum dinheiro na minha conta. — Ela diz tentando lembrar do quanto tem guardado em suas economias

— Você acha que vai pagar alguma coisa?— Ele fala deixando a resposta mais que óbvia.

— Mas, eu quero— Arthur a interrompe.

— Você quer descansar, melhorar, e não falar mais sobre isso por que eu já decidi.

— Não vai não, eu vou pagar e pronto.

— Então vamos ver. — Depois de dizer isso eles vão em um silêncio agradável. Até o momento em que Ísis percebe o quão linda a cidade é, é claro.

— Uau, como você tem sorte de morar num lugar lindo desses.

— Bonito, não é?

— Sim!

Passado de alguns minutos, eles finalmente chegam na casa de Arthur.

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Comments

Edivania Gomes

Edivania Gomes

tem coisa nessa história desnecessário

2024-09-09

1

Edivania Gomes

Edivania Gomes

se ela quer ser burra deixa doutor qp a criatura tá com as costas quebrada e ainda não quer fica em repouso nada aver

2024-09-09

0

Elis Alves

Elis Alves

Taí a explicação.

2024-09-07

0

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