Quase coloquei as tripas para fora.
Não há mais nada a ser dispensado por minha garganta, então as três sessões seguidas de vômito param.bLevanto a cabeça e prendo o meu cabelo ainda sentindo minha cabeça girar e minha garganta arder. Com um movimento, me sento na calça que está a alguns centímetros do jorro que fiz.
Quando sinto meus glúteos encostarem na calça gelada e úmida não penso nada além de tentar respirar e me concentrar na situação vergonhosa da qual me meti.
Eu saí correndo e deixei a minha amiga resolvendo a situação sozinha.
Eu corri como um covarde de um problema que era meu para resolver.
Que ótimo, Lina. Que grande, hiper grande merda você fez sua burra.
Talvez eu devesse andar com uma plaquinha pendurada no pescoço, escrito; Não provoque, não sei revidar. Apenas me deixe em paz.
A música está ligada novamente, tão alta quanto antes. Alguns minutos atrás podia-se ouvir gritos comemorativos, ou o que quer que seja que eles dizem quando está acontecendo uma briga.
Ouço um solado arrastando no asfalto e quando levanto a cabeça tentando enxergar na penumbra do outro lado da rua, vejo Gabriel vindo até mim.
Ele não está sorrindo. Parece preocupado, mas eu não tenho forças pra levantar sem querer golfar novamente. Ele olha pra sujeira que fiz e franze o cenho.
Nenhum som sai de sua boca enquanto ele se aproxima e me entrega um copo de plástico com água e puxa do bolso um pirulito.
—Desculpa.
Minha voz sai rouca, como um Sussurro.
—Né obrigado que se diz quando te dão as coisas?
Gabriel se acomoda ao me lado. Eu bebo todo o conteúdo do copo e levo o pirulito a boca, e felicidade irradia por meu corpo quando o gosto ácido é substituído por açuca.
—Eu baguncei com tudo.
—Caralho Lilli, tu é toda cheia de neurose cé loco mano. —Ele sibila negando com a cabeça.—O baile parou de prestar por causa da mandada que o Henrique levou.
—Não me refiro apenas ao baile. —Evito encará-lo, embora eu sinta os olhos dele em mim. —Henrique tem toda a razão em me querer longe desse lugar.
—Ainda tá enjoada?
Ele muda de assunto.
—Para com isso, Gabriel.
—Parar o quê?
—Para de fingir que cinco anos atrás não aconteceu.
—Não tô fingindo nenhum bagulho.
—Está. —Olho para as minhas mãos apoiadas em meus joelhos. — Eu não mereço perdão e você sabe.
—Não, eu não sei e nem tô afim de saber. —Gabriel se levanta limpando a bermuda. —Bora, te deixo na tua casa.
—E quanto aos outros? Preciso ver se Bia está bem.
Me levanto.
—E tu, tá bem?—Uma pausa e suspiro pesado.— Vai ajudar ela como? Se nem tu consegue te ajudar?
Sinto uma pontada no peito e tenho certeza que ele não se referiu ao vômito.
—Ela ainda está lá?
—Não, os caras separaram elas e Nego já mandou ela pra casa.
—Nego?
—Eles chamam o Samuel assim.
Gabriel pega a minha mão com cuidado ajudando a me manter em pé, como se qualquer movimento brusco pudesse me partir ao meio. Então começamos a caminhar pela rua escura.
—Você também tem um? Digo, um desses nomes.
—Um vulgo? —Afirmo com a cabeça.—Tenho, os cara tudo tem. É pra não dar mole pros verme.
—Então é assim que se chama... Interessante.
Ouço a sua risada abafada.
[...]
Major.
O apelido que deram a ele. O motivo não me foi dito e depois que soube do significado do "vulgo" que Henrique carrega, sinto que saber de mais nem sempre é beneficente.
O carro de Gabriel não estava muito longe, não é muito diferente do que Samuel nos trouxe hoje cedo. Da mesma cor, mesma marca, porém, mais avançado.
O caminho todo foi feito com perguntas e mais perguntas de ambos. Era um bate e volta e pela primeira vez não precisei pisar em ovos para questionar e responder alguém. Talvez esse seja o efeito Gabriel.
—Então, ele terminou os estudos? Tipo... Caramba.
— Qual foi baixinha, tá desmerecendo só porque a gente é bandido?
Ele brinca.
— Eu não diria que é por esse motivo. Mas como vocês têm tempo? E vocês se importam com isso? E como vocês fizerem? — Respiro um pouco antes de continuar. —Meu Deus, eu tenho tantas perguntas.
Ainda não consigo acreditar que Henrrique os obrigou a terminar os estudos e se especializarem em algo.
— On-line, tu não sabia que dava pra fazer?
— Sabia... — Encaro a rua pensativa. O carro balança desviando de buracos. —Mas, porque cursar algo? Achei que isso que vocês fazem só tivesse caminho de ida.
— E tem. Só saio disso morto, mas eu não sei te responder a primeira pergunta. Henrrique não é de contar as trama dele.
— Você fez administração por quatro anos simplesmente porquê o Henrrique mandou?
No banco do passageiro, me viro para olhá-lo.
— É.
—É?
— A gente já viveu muito, Lilli. Boto até minha vida na mão do Henrrique e do Samuel.
O carro para. Mas a rua é desconhecida por mim.
—Onde nós estamos, Gabriel?
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Atualizado até capítulo 94
Comments
Nicce Vieira
esse Gabriel é um fofo
2024-08-09
1
Edilaine Leticia
mais autora
2024-05-18
4
Marlene Araujo
mas capítulo por favor
2024-02-22
1