—Tá rinchando de quê, hein? Ridícula.
Bia vocifera se levantando e Samuel rapidamente pega a mão dela.
—Credo cunhadinha, até parece que a gente não se bica. E ridícula não, hein! Me respeite neguinha.
A mulher diz em tom cômico. Ela está brincando com Bia, a provocando. Henrrique não vai falar nada? Ele não defende a irmã?
—Lava essa boca pra falar dela sua vagabunda. Tá se achando muito pra uma puta de beco.
Juliana sai do lugar de onde estava e caminha até o sofá onde estamos sentados e fica ao lado de Bia, encarando a mulher.
—Liga não, tu sabe que ela quer palco morena.
Samuel acaricia a mão de Bianca a acalmando. Ela se acomoda ao meu lado novamente.
Agora que Samuel não está mais à minha frente, tenho a infeliz visão de Henrrique amassando a mulher no seu colo. Como se estivesse recompensando ela por sua atitude.
—Como que eu não ligo Samuel? Essa piranha tá se achando de mais já. É minha festa e Henrrique deixô essa puta entrar. Isso não vai prestar não.
—Quem é ela?
Pergunto tentando focar minha atenção nos meus amigos.
—Bruna, uma das marmita que o Henrique banca.
Gabriel responde e logo após leva um gole de cerveja a boca.
—Marmita?
Indago. Acho que tenho de aprender um novo dialeto. Vai que eu fale algo e o pessoal daqui entenda errado?
—As mina que ele come.
Explica Samuel.
—Deixava pra fuder ela no barraco, não no meu baile. Ele tá fazendo de má fé isso aí.
Bianca cruza os braços emburrada.
—Para de bater de frente com ele assim siôw... Eu já te disse.
Samuel alerta.
E então percebo o que está acontecendo. Não é preciso ser um gênio pra entender que Henrrique trouxe a mulher com o intuito de penalizar Bia. Por minha causa, por me trazer até aqui.
Se Bruna for apenas um momento, ela não deveria ter acesso livre a este lugar e muito menos tratar Bianca daquela forma. Mas Henrrique não parece se importar, pois, esse é o seu objetivo. Punir Bia, irritando e bagunçado sua festa e principalmente deixando que a desrespeitem.
No entanto, vez ou outra em que meus olhos teimosos passeiam por ele, ele já está de olho em mim.
Não qualquer olhar.
É uma raiva misturada com algo pior.
Acho que se ele pudesse, pularia em meu pescoço, mas não seria de jeito bom.
Sinto um calafrio em minha espinha e desvio o olhar imediatamente. Gabriel parece notar e se aproxima, abaixando a cabeça para falar em meu ouvido devido a música alta.
—Tu não bebe?
Ele pergunta sorrindo e então vejo uma oportunidade de começar uma conversa para esquecer de Henrrique.
—Nunca tentei, acredita?
O sorriso se alarga.
—Tá certinha, não bebe não. Essas parada aí não são boa.
Ele leve a garrafa de bebida a boca e abro um sorriso.
—Se faz mal, você tá bebendo porque?
—Aah... Isso aí é outros quinhentos.
—Aham, sei. —Pego a latinha de cerveja de sua mão e aponto para a palavra escrita nela. —Hi-po-cri-si-a, olhe só que interessante, não é?
Ele toma a latinha de minha mão ainda sorrindo. Ver Gabriel assim e conversar com os meus amigos, tem um peso significativo para mim. É como voltar a cinco anos atrás.
Estou feliz.
Mas dura pouco.
Bruna anda em nossa direção e se senta um pouco mais próxima ainda sem soltar de Henrique. Ela cruza as pernas e segura a mão dele, olhando em nossa direção.
—Então tu que é a carne nova? —Puro deboche me olhando de cima a baixo. —Achei que era coisa melhor.
Seu alvo agora não é mais Bia, mas sim, eu.
Tenho duas opções;
Ou ignoro completamente.
Ou apenas digo que não vim até aqui para agradá-la e desconto a raiva de 5 anos em cima dessa roupa de Minions que ela está usando.
Mas como sou a personificação da palavra burrice. Eu apenas sorrio levemente e respondo com educação, já que esse comportamento moldado em gentileza faz parte de mim e é impossível evitar.
As vezes é uma benção, às vezes uma maldição.
—Lilliana, prazer.
Evito estender a mão pois sei que ela não irá retribuir o ato. Ela sorri entre dentes e chega até mesmo colocar a mão na boca para gargalhar.
Bia sibila ao meu lado, em reprovação.
É como se todos estivessem esperando que eu desse uma resposta rude, a altura do insulto que Bruna fez.
Mas o que eu posso fazer caramba? Eu odeio discussões. Eu não sei discutir
Eu não sei dizer "não".
Eu só sei agradar.
E odeio decepcionar os outros.
Pessoas com eu, criadas e moldadas a vida toda em uma bolha de aparências, sempre vão colocar os outros como prioridade. Seja uma opinião ou uma escolha ou qualquer verbalização.
—Puta quando não tem pau pra chupar, fica insuportável né?
Bia rebate.
—O que é meu tá guardado cunhadinha, não te preocupa com o que não é da tua conta, que pau é o que nao falta.
Bruna diz e move a mão pro meio da calça de Henrrique, pousando no volume visível.
Santo Deus, essa mulher já desistiu da vida há muito tempo.
Bruna percebe a minha surpresa.
—Qual foi? Vai dizer que tu não sabe o que é um pau? Mais também, jumenta desse jeito. Não vai durar muito aqui.
Ela ri sozinha.
—Acho bom tu calar a boca, sua cadela! Eu to perdendo a paciência já.
Bia se levanta
—E vai fazer o que hein? Vai me bater que nem da outra vez porque eu comi teu macho!? —Bruna fica em pé. Henrrique digita algo no celular calmamente, sem se importar. —Fique sabendo que eu comi ele de novo e se tu bobiar, esse aí eu também pego.
Aponta para Samuel.
Bia avança, mas Samuel a impede. Eu, Gabriel e Juliana nos levantamos com a gravidade da situação.
—É o quê que tu disse caralho?!
—Late cadela, late. —Bruna se diverte ainda parada no lugar. —Acha que só porque tu é irmã do chefe isso te faz alguma coisa? —Ela gargalha. —Nos beco teu nome não é nem mais Bianca. É RODADA! E ainda chegou mais uma pra fazer parte da turma, vão abrir um putero?
Bia explode.
Ela tenta se desvencilhar dos braços de Samuel. Juliana e eu tentamos acalmar a situação. Gabriel partiu para perto de Bruna a segurando. A maioria das pessoas na parte de baixo estão olhando curiosas e o volume da música foi diminuído.
—Lava a tua boca pra falar de mim e da minha amiga porra!
—Amiga? Isso aí é o que tu chama de amiga? —Bruna debocha e aponta com o dedo indicador em minha direção. —Tu toma é vergonha na tua cara caralho! Essa desgraçada x9 abriu caminho pros verme entrar na favela e matar um bando de gente inocente e tu ainda tem coragem de chamar essa puta de amiga?
Meu chão cai.
Meu rosto queima.
Ela sabe o que eu fiz.
Henrrique leva um gole da cerveja até a boca e ri de canto me encarando.
Ele não queria provocar Bia. Era eu.
Não importa se a festa da própria irmã for por água a baixo, desde que ele consiga me atacar.
E conseguiu.
Os meninos me encaram sem ter o que dizer.
Mas logo a atenção é voltada para a briga que acontece em nossa frente.
Bia arranca o cabelo de Bruna apenas com um puxão.
No entanto, paro de acompanhar quando sinto algo se revirar em meu estômago.
A bile emerge como tudo e tenho certeza que vou colocá-la para fora.
Então eu corro a procura das escadas, quando as encontro não exito em descer. Passo pela multidão, suspirando desculpas pra cada ombro que colido de frente.
Quando encontro a saída, viro a esquerda me deparando com um beco vazio.
E coloco pra fora.
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Atualizado até capítulo 94
Comments
Marisa Araujo
se bancar de besta só vai dar errado
2025-01-01
0
Nicce Vieira
caraca o pai da Lili e um safado pois ela numa fria
2024-08-09
1
Erica da Costa
pra um dono de morro tá muito moleque isso sim
2024-07-23
4