Suzhou – China, 6 de Maio de 2018
O universo esconde segredos tão obscuros, que até mesmo a mente mais iluminada entraria em colapso se tivesse contato. No entanto, ainda que você não tenha consciência dessas existências, elas possuem da sua. É nessa linha tênue, entre a realidade vivida, e a realidade velada, que os Descendentes Primordiais existem.
Sendo totalmente proibidos de exporem suas existências aos humanos, eles precisam seguir regras rígidas criadas pela Ordem dos Sacerdotes, o Conselho dos Descendentes Primordiais na dimensão da terra. No entanto, a força de suas influências é tamanha que, às vezes, mesmo com o máximo esforço, não conseguem se esconder totalmente.
O mundo em que vivem é um de muitos, e todos estão conectados. Por meio da história de seus ancestrais, os Descendentes descobriram que há muito trocam conhecimentos com esses e outros mundos, alguns inofensivos e revolucionários, outros nocivos e que ameaçam a existência da terra.
Naquela noite, Khan, um Descendente Primordial do Deus da Guerra da cultura Chinesa, estava à frente de um trabalho minucioso. Precisava recuperar uma encomenda em Nova York e garantir que ele chegasse intacto em seu clã. Onde o dono o aguardava. Porém, eles não seriam os únicos. O produto tinha sido roubado da Nigéria, e sua presença estava atraindo demônios para a dimensão da terra com uma velocidade surpreendente.
— Repassando as informações. Três grupos nos esperam em Nova York. Os feiticeiros Shtrigan de Vacchiano, a Mortis Santa da Ordem, e os seres do submundo... – Huan repetiu, olhando para todos os membros do Fantasma Negro. Os olhos castanhos escuros varriam cada um deles, fazendo os novatos vacilarem.
— Repitam as três regras da missão para mim. – Pediu em tom calmo.
— Estar preparado para o sacrifício! Não deixar rastros! Não ficar no caminho do mestre! – Repetiram em uníssono.
— Ótimo, estão preparados. – Afirmou se afastando, indo se juntar a Khan, que limpava sua espada.
— Acha mesmo que estão preparados? – perguntou conferindo o fio da lâmina.
— Realmente se importa com isso? Conseguirá mais para substituir os mortos depois. – Cheng chegou, o provocando como de costume. Ignorando o irmão mais novo, Khan esperou a resposta de seu irmão do meio.
— Baixas sempre são esperadas, mas esse grupo tem ousadia e confiança. – Huan o respondeu, igualmente ignorando Cheng.
— Os feiticeiros vão ser um verdadeiro pé no saco. Tá ansioso, pra encontrar seus irmãos de sangue? – O mais novo o provocou novamente, mas dessa vez, recebeu o olhar de Khan.
— Até onde sei, a Rússia fica um pouco longe da Itália. – Lembrou o irmão. A expressão séria intimidava qualquer um, mas Cheng nunca tinha se importado. Por algum motivo, parecia acreditar que o fato de ser irmão de Khan, o faria poupa-lo. Mal sabia ele, que o que decidia isso era o uso constante de sedativos do mais velho, cujo mantinha seu auto controle em dia.
Oferecendo um sorriso largo, o garoto de cabelos platinados colocou o pente estendido no fuzil de precisão que escolhera, e se afastou da mesa de armas.
— Esse insuportável tem um ponto. – Huan comentou, virando de costas para a mesa, se encostando nela ao mesmo tempo em que cruzava os braços.
— Cuidarei deles primeiro. – Khan garantiu, guardando a espada na bainha.
— Iremos entreter a Mortis Santa, enquanto isso.
— Planos são apenas...
— Um esboço da missão, estou ciente. Não se preocupe, guiarei o grupo e lidarei com tudo como sempre fazemos. – Huan terminou sua frase, dando um olhar afirmativo ao irmão mais velho.
Se encostando na mesa junto de Huan, Khan observou seu grupo se preparar. A falta de experiência dos novatos talvez oferecesse um risco para a missão, mas nada o pararia quando pisasse naquele terminal. O trabalho só poderia ter um único desfecho, vitória. Caso contrário, sua posição como futuro líder do clã estaria em risco.
O ser que precisava recuperar era raro demais para perdê-lo para a Ordem.
Controlar Descendentes Primordiais e mantê-los com a “coleira apertada” era necessário, algo que apenas um grande poder mágico era capaz. O poder da Ordem tinha obrigação de ser maior, se quisesse sobreviver a possíveis rebeliões ou quebras de regras dos Descendentes.
Porém, entre tantos, apenas um tipo era totalmente proibido de ser comercializado. Os mestiços que carregavam descendência humana.
De acordo com a Ordem, eles eram totalmente inúteis em se tratando de habilidades, uma vez que eram inferiores e não conseguiam controla-las. Mas, a verdade por trás desse fato era que ele não passava de uma falácia. Por mais raiva que os Descendentes Primordiais sentissem deles, não podiam negar o óbvio...
Os humanos eram os únicos que podiam dar vida a Descendentes mais fortes que aqueles que nasciam entre os Descendentes Primordiais, e muitas vezes eles conseguiam um controle maior das próprias habilidades inatas.
Contudo, a mentira que a Ordem havia espalhado tinha tomado proporções globais, e por conta disso não era incomum que eles fossem menosprezados e até mesmo mortos por essas acusações.
Os humanos, fracos e mortais, eles podiam aturar devido o acordo com os Celestiais. Mas, mestiços com complexos de Deuses? Jamais!
Por esse motivo os Sacerdotes os caçavam, e apenas duas alternativas lhes eram oferecidas. Se juntar a Ordem e ser controlado por eles, ou morrer sem misericórdia.
O ser que Khan e seu grupo reivindicariam naquela noite era diferente de qualquer outro que ele já havia tido contato. Tinha nascido humano, mas sua alma pertencia a Descendência Celestial. Nem mesmo ele, que hospedava um “parasita do inferno”, imaginava que isso fosse possível.
Nascer humano, e herdar uma essência Celestial era sinal de que um forte destino aguardava esse ser, mas assim como o do Messias que havia sido enviado há terra, nem sempre ele possuía um fim próspero.
Os Iluminados, como eram conhecidos, eram mártires. Nascidos para morrer, precisavam concluir seu objetivo espiritual antes que sua vida chegasse ao fim. Caso não fosse possível, reencarnariam até que o concluísse.
— Estamos prontos, senhor! – Um dos membros avisou, se virando para Khan, enquanto evitava olhá-lo nos olhos.
— Certo. Huan...
Entendendo o pedido do irmão, o jovem de cabelos castanhos escuros ofereceu uma pequena faca a Khan. Pegando-a, ele se direcionou ao círculo do portal desenhado no chão do cômodo. O acompanhando, Huan se posicionou e o esperou, assim como os demais membros do grupo.
Cortando a palma de sua mão direita, antes que liberasse seu sangue para entrar em contato com o feitiço contido no selo, Khan anunciou sem olhar para eles:
— Não ousem me decepcionar essa noite. – Seguido de sua voz calma, uma névoa obscura tomou conta do círculo de teleporte, assim como do próprio cômodo. Todos sentiram a pressão do ar pesar sobre seus corpos e pulmões, os forçando a se manterem firmes para não sucumbirem.
Ninguém precisava perguntar o que aconteceria se a missão fosse um fracasso, todos sabiam que ela significava muito para Khan. Se falhassem com ele, já podiam se considerar mortos.
Afundando os dedos dentro do próprio ferimento, Khan assistiu seu sangue escorrer. Assim que entrou em contato com o selo no chão, o tom escarlate os iluminou, ativando o feitiço, os teleportando de imediato para o objetivo.
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Atualizado até capítulo 117
Comments
TomNunes022004
Eles podem te ver, mas vocÊ não pode ver eles, imagina uma situação que você táandando do nada, ai um bicho te ataca, você fica sem entender nada , que bicho é aquele,kkkkkk
2024-11-30
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TomNunes022004
Enquanto uns são nutellas ao ponto de ter que usar arminha, o Khan já é mais raiz, e prefere usar espada, isso que é um cara de respeito.
2024-11-30
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TomNunes022004
Aqui nós temos uma lição, podem tentar nos controlar, nos matar, mas juntos somos mais fortes que aqueles que nos julgam.
Lacrou mona
2024-11-30
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