Capítulo 11

Junior,

Acordo pela manhã com o corpo descansado. Levanto-me da cama, sentindo o frescor do chão de madeira sob meus pés descalços. No banheiro, a água fria do chuveiro revitaliza meus sentidos, enquanto a rotina matinal de higiene me prepara para o dia que se inicia.

Caminho até a garagem, um espaço amplo e organizado, onde meu carro e a moto repousam lado a lado. A moto, que não é minha, mas dela, a mulher que mexeu com meus sentimentos, que largou a moto dela lá e fugu. Fico ali, por um momento, ponderando. Deveria ir de carro ou de moto para a delegacia? Decido pelo carro, pensando que, se ela aparecer, posso trazê-la de volta e talvez desvendar um pouco mais dos seus segredos.

A caminho da delegacia, faço uma parada em uma lanchonete local, um lugar aconchegante com cheiro de café fresco e pão quente. Peço meu café, saboreando o aroma rico e agradável que me envolve, proporcionando um momento de tranquilidade antes do dia agitado que me espera.

Ao chegar à delegacia, sou recebido pelo sorriso amigável de Léo. Ele me acompanha até minha sala, vem todo animado mostrando que desvendou mais casos do Ricardo. Me sento em minha cadeira, e ele fica de pé do meu lado, e começa a falar.

— Senhor, estou juntando algumas coisas sobre o Riccardo, o cara até tenta esconder as coisas, mas dá cada brecha feia, que parede que tá fazendo isso já para a gente pegar ele mesmo.

— Tipo o que? — pergunto curioso, enquanto olho para os papéis que ele trouxe.

— Além da lavagem de dinheiro que a gente descobriu pelo traficante, tem mais uma coisinha. Ele adquiriu a esposa em uma mesa de pôquer, ele disse que o pai da menina se matou, mas pelas fotos seria impossível alguém ter se matado assim. Veja, a arma está na mão direita, mas está tão bem posicionada, que tenho certeza que foi colocada em sua mão depois da morte.

— O pai da esposa dele? — Ele balança a cabeça confirmando. Pego a foto e observo bem cada detalhe. — Quem foi o perito na cena do crime?

Enquanto folheava as páginas do relatório, meu olhar se fixou em um nome de perito que eu nunca havia ouvido falar antes. Na Itália, onde somos poucos, é comum conhecermos todos os profissionais da área. Intrigado, comecei a ler atentamente cada descrição da cena do crime, buscando pistas e detalhes que pudessem me ajudar a desvendar o mistério.

Cada página era uma janela para um mundo sombrio e perturbador. Os detalhes minuciosos saltavam das folhas, como se ganhassem vida própria. A descrição do local do crime, os vestígios deixados para trás, as marcas que contavam a história da tragédia. Eu me encontrava imerso em um quebra-cabeça macabro, tentando juntar as peças para formar a imagem completa. Os detalhes eram arrepiantes. Cada gota de sangue, cada fibra de tecido, cada pegada deixada para trás.

Com a parte da morte do homem em mãos, eu continuava a folhear cada folha, devorando cada detalhe. Cada linha escrita era uma pista, um fragmento de informação que poderia me levar mais perto da resposta que tanto buscava. Até que percebo a falha, não somente na arma do crime, mas uma parte que parecia ser uma porta secreta.

— Chama a Clara aqui na minha sala.

— Senhor, ela não está suspensa?

— Sim está, mas ela e você são os melhores detetives que eu tenho, além de serem os únicos da minha extrema confiança. Então eu preciso dela aqui.

Ele concorda com a cabeça, e vai chamar ela. Alguns minutos eles vem, e eu já falo do que preciso.

— Clara, preciso que você vá até Milão, se disfarce de uma jogadora de pôquer e entre em um dos quartos que foi uma cena de um crime. Aqui olha. —Mostro para ela a foto, já apontando bem na parte que eu vi sobre a passagem secreta. — Preciso saber se isso realmente é uma passagem, pois temos um suicídio, mas dependendo da sua resposta e as provas, teremos um homicídio.

— Vai me tirar o castigo, senhor delegado?

— Vai depender do seu trabalho de hoje, e não foi um castigo, foi uma suspensão pelo que você fez.

— Não ia deixar aquele homem morrer, sendo que o maldito marido era o doador perfeito.

— Você entrou em uma penitenciária, você tirou o cara da cela e deu várias batidas na cabeça dele...

— E levei para o hospital, para ele salvar uma vida. Andressa e Rafael me agradecem até hoje.

Clara tem a mesma determinação, a mesma força de vontade e, infelizmente, a mesma capacidade de agir primeiro e pensar depois. Se ela encontrar Riccardo, tenho medo do que possa acontecer. Se ela o encontrar, ou saber que ele comprou a esposa, temo que não haverá nada restante dele para a justiça cuidar.

Ela é como minha mãe, uma mulher de ação, que nunca recuou de um desafio. Clara herdou essa coragem, essa força indomável. Mas agora, eu me pergunto se fiz a coisa certa ao envolvê-la nisso.

— Presta atenção, você só vai fazer o que eu mandar, não inventa de matar ninguém, Clara, ou você terá que sair da delegacia. Você deveria ter seguido os nossos tios, e ido para o lado deles, e não do nosso pai.

— Eu gosto de ser uma mistura do bem e do mal, e nada melhor que a justiça feita com as próprias mãos, não é Léo?

— Não me coloque nessa enrascada senhorita, seu irmão vai tirar de mim o meu distintivo se eu concordar com você... Mesmo que eu concorde.

Eles riem, uma risada alta e despreocupada que ecoa pela sala. Observo-os, com a mão na cabeça, um gesto de desaprovação. Como posso confiar nesses dois desse jeito? Eles são como crianças, brincando em um mundo que não entende a gravidade da situação.

Deus, estou me arrependo de chamar ela, será que é uma boa mesmo eu mandar Clara nessa missão importante? Se ela matar o cara, já era a sua carreira de detetive, e já era a minha de delegado por está confiando em uma mulher maluca.

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Comments

Josi Gomes

Josi Gomes

A CLARA , TERIA FEITO UM BEM PARA A HUMANIDADE, E SALVADO , O LÉO TAMBÉM.
ACHO QUE FOI POR ISSO, QUE O JÚNIOR, PROIBIU A CLARA DE FAZER JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS, QUANDO ELA FOI INVESTIGAR O KLAUS

2025-01-31

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Josi Gomes

Josi Gomes

EU ATÉ QUE GOSTO DO LÉO, É UMA QUE ELE MORRE , A AUTORA, DEVIA TER APROVEITADO MAIS O PERSONAGEM, MAIS ELE FOI ESSENCIAL, PARA O PERSONAGEM DA CLARA AMADURECER

2025-01-31

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Josi Gomes

Josi Gomes

ENTÃO ELES MATARAM O PAI DA CECÍLIA, FIZERAM ELE ASSINAR ALGUM PAPEL , PASSANDO TUDO PARA O RICARDO, INCLUINDO A CECÍLIA, E DEPOIS O MATARAM

2025-01-31

1

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