...Bianca Santana:...
Luiza almoçou conosco e, após algumas horas, partiu.
Passei o resto da tarde enviando currículos online até minha mãe me avisar que eu deveria me arrumar, pois Charles já estava a caminho para nos buscar.
Aliás, por falar nele, é sempre válido lembrar que esse cara é um tremendo idiota.
Talvez, se ele não tivesse sido tão imbecil com Luiza, ela não teria receio de contar a ele sobre o bebê.
Após um banho um pouco demorado, vesti um vestido verde esmeralda, fiz uma maquiagem leve e fui até a sala, onde surpreendentemente ele já estava sentado no sofá, conversando com minha mãe.
Seus olhos verdes imediatamente se voltaram para a minha direção.
Me condenei por gostar tanto dessa cor.
Minha mãe também voltou o olhar para mim e sorriu, inclinando a cabeça sutilmente para ele, indicando que eu deveria cumprimentá-lo.
"Boa noite, Bianca", ele cumprimentou, mas ignorei.
"Vamos?", perguntei, alternando o olhar entre eles.
Charles estreitou os olhos como se estivesse confuso, mas assentiu se levantando.
Passei por ele saindo de casa; em seguida, fez o mesmo.
"Tudo bem?", perguntou caminhando ao meu lado até seu carro.
"Claro. Por que não estaria?".
"Talvez porque você mal esteja olhando para minha cara?", Charles abriu a porta do passageiro ao lado do motorista, e eu recusei, abrindo a porta traseira.
"Vou atrás com minha mãe", murmurei, adentrando o carro.
Quando ela terminou de trancar o portão, veio até nós, e Charles abriu a porta para ela antes de entrar.
O caminho, no geral, foi silencioso, exceto quando minha mãe quebrava o silêncio para elogiar ele por alguma coisa aleatória, quase como uma fã admirada.
...Charles Biancardi:...
"Chegamos", avisei, estacionando um pouco distante do restaurante.
"É aqui?", perguntou a mãe de Bianca, confusa.
"Na verdade não, é um pouco mais à frente, mas não posso levar o carro até lá", expliquei, abrindo o cinto de segurança.
Bianca foi a primeira a saltar do carro.
Quando penso que estou progredindo com ela, parece que do nada tudo volta à estaca zero.
Saí do veículo junto com a mãe dela, e nós três caminhamos até o restaurante da Celeste. Estava absolutamente tudo escuro.
"Nós chegamos", anunciei passando pela porta com elas, e a tia de Gael apareceu.
"Ainda bem", disse aliviada. "Gael me mandou uma mensagem, eles já estão chegan...", antes que ela concluísse, escutamos o som de um carro. "Será que...?"
"São eles, se escondam, rápido!", mandou um homem.
Dona Casilda seguiu Celeste, e elas se enfiaram atrás de algumas cortinas.
...Bianca Santana:...
"Onde...", antes que eu concluísse a pergunta, Charles segurou a minha mão e me arrastou na direção de...um armário, eu acho.
Quase não dava para ver com a ausência da luz, mas era perceptível que o lugar era bem apertado para duas pessoas.
"Precisava mesmo ser aqui?", murmurei, tentando encontrar uma posição mais confortável.
"Será que você pode ficar parada?", senti sua respiração tocar meu rosto.
"Foi você que me puxou pra cá", protestei, e sua mão tampou a minha boca.
"Muito barulhenta", sussurrou no meu ouvido.
Sua outra mão deslizou pela minha cintura, e minha resposta foi uma mordida na palma que cobria minha boca.
"Ei!", ele reclamou, retirando a mão.
"Agora sabe que eu mordo, então é melhor manter essas mãos longe", rosnei.
...Charles Biancardi:...
Talvez não tenha sido uma boa ideia me enfiar num armário com essa pinscher. E não estou me referindo apenas à mordida, mas sim ao seu cheiro irritantemente agradável.
É terrível a sensação de saber que a boca dela está literalmente na frente da minha e não poder experimentá-la; sem dúvidas, isso é uma tortura.
Ficamos em silêncio, apenas ouvindo os passos de Gael e Sophie.
Quando eles atravessaram o restaurante em direção à praia, eu sabia que era hora de sair.
Mas quem disse que eu queria?
"Não tô ouvindo mais nada", murmurou Bianca.
"Shhh."
Que tipo de idiota estou me tornando ao querer ficar trancado em um armário com uma mulher apenas para sentir seu cheiro?
"Você está ainda mais deslumbrante com esse vestido", sussurrei.
"Acho que eles não estão mais lá fora", ignorou meu elogio. "Pode me deixar sair?", dei um suspiro pesaroso.
Porque ela resiste tanto?
Sai do armário e ela passou por mim em direção à praia.
...Bianca Santana:...
Fiquei emocionada ao assistir Gael pedir Sophie em casamento; foi tão lindo. Quando o pedido terminou, a senhora que falou conosco antes foi até eles, os abraçou, e eu fiz o mesmo.
"Sophie!", dei um abraço apertado nela. "Eu nem acredito que você vai mesmo se casar...", como um estalo, veio a dúvida: mas eles já não são casados? "Espera aí... como vocês vão se casar se já são casados?"
"Você não é a primeira a fazer essa pergunta", disse Gael, olhando para algo atrás de mim. Nem precisei me virar completamente para ver que era Charles. "Nós somos casados no civil, mas, quando o senhor Fernando melhorar, eu faço questão de receber Sophie no altar."
Os olhinhos da minha amiga estavam brilhantes; estou tão feliz por ela.
"Eu tentei avisar que ele não deveria se amarrar tanto", disse Charles. "Mas ninguém nunca me ouve."
"Deve ser porque a sua opinião não vale um tostão", murmurei.
Ele deu uma risada e me encarou.
...[...]...
Após alguns minutos, todas nós nos reunimos na cozinha para conversar, enquanto os homens ficaram na praia, correndo como crianças junto com Miguel, o sobrinho de Gael.
Minha mãe iniciou uma conversa com Celeste, e eu comecei a conversar com Sophie.
"Mas me conta", comecei a falar enquanto experimentava uma coxinha pequena de camarão, "As bruxas ainda estão te perturbando?", perguntei me referindo à mãe de Gael e uma amiga dela.
"Na verdade, ainda não vi nenhuma delas esses dias. Acho que a Graziela deve ter aceitado que as coisas não vão acontecer do jeito que ela quer."
"Sophie, você precisa manter seus olhos bem abertos. Não esqueça que da última vez ela também parecia aceitar... E por falar na última vez, você foi ao médico ver o motivo da dor de cabeça e das tonturas?"
"Ainda não", murmurou, e eu cruzei os braços indignada.
"Mesmo que isso só aconteça quando você está recuperando alguma memória, não é comum, amiga. Você precisa ir ao hospital e fazer alguns exames. Esse é o meu primeiro e último aviso. Se você não for fazer os exames, vou falar com seu marido sobre isso", ameacei. "Você não pode negligenciar sua saúde."
"Você está certa, eu prometo que amanhã, quando eu for visitar meu avô, vou me informar sobre isso."
Ou seja, ela vai esquecer.
"Se informar nada. Você vai fazer os exames", ralhei.
"Está bem."
Nós nos assustamos quando o garotinho entrou na cozinha chorando. O rosto dele estava vermelho, e o cabelo bagunçado com um pouco de areia.
"Por que você está chorando?", Sophie perguntou preocupada, o analisando.
"Eu... estava brincando com o papai", ele alternava entre palavras e o choro. "Era uma competição de verdade, e eu disse que quem vencesse ganhava a mamãe", o choro o interrompeu novamente, "e ele ganhou duas vezes."
"Vocês me apostaram, Miguel?", Sophie perguntou incrédula e ele assentiu.
Não consegui resistir e caí na gargalhada.
Como eles puderam apostar com uma criança?
"Vai lá, uma última rodada. Eu confio que você vai conseguir a Sophie de volta", tentei encorajá-lo, mas ele negou com a cabeça.
"Mas eu já fiz isso. Mas o papai venceu... ele é muito rápido."
"Você consegue, Miguel", falei.
"Não aceito revanche", disse Gael, adentrando a cozinha, seu estado não era diferente de Miguel.
"Viu, mamãe", o garotinho apontou para ele.
"Gael...", Sophie repreendeu.
"Foi ele quem escolheu apostar você. Expliquei os riscos, e ele aceitou", dei risada pela infantilidade da situação e voltei minha atenção para os salgados, que estavam deliciosos.
Ao olhar novamente para a porta, vi Charles passando por ela. Assim como Gael, ele também não usava camisa. Seu corpo era musculoso, e não pude deixar de notar tatuagens em seu braço direito, que percorriam um caminho até seu peitoral.
Isso por algum motivo o deixou estranhamente atraente. NÃO!
Sem querer, deixei uma coxinha escapar dos meus dedos, mas disfarcei pegando um copo de água, que posteriormente ele retirou das minhas mãos.
"Ei", protestei enquanto ele tomava a água.
"Água parada da Dengue", deu um sorriso sarcástico e colocou o copo vazio em minhas mãos.
Folgado!
"Eu não sabia que você tinha tatuagens", disse minha mãe surpresa. "Faz muito tempo que as tem?"
"Já fazem uns oito ou nove anos. Você gostou?", ele deu uma volta na nossa frente. Era como se quisesse que nós o analisássemos.
E na realidade nem precisava porque fiz isso enquanto ele ainda estava na porta.
Evitei prestar atenção nele.
"É muito bonito", elogiou minha mãe.
"Obrigado", agradeceu. "E você? O que achou?", perguntou tocando meu ombro.
Até que não é nada mau. Mas é óbvio que eu jamais diria algo assim para alimentar o ego dele.
"Não é grande coisa", murmurei, evitando olhar para ele.
"Vamos jantar?", perguntou a tia de Gael, se levantando. "Meninos, vão tomar um banho enquanto eu aqueço a comida", mandou.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
Vamos descobrir como o Charles vai provar para Bianca que o filho da Luiza não é dele
2025-03-14
0
Estrela
😂😂😂
2024-12-18
0
Mary Lima
Nossa ela estar caixinha por ele,mas se segura por conta da amiga./Proud//Proud//Proud//Proud//Proud//Proud/
2024-08-22
1