...Charles Biancardi:...
...Espanha:...
...Cinco Meses Atrás....
...Praia de las Canteras....
"As suas férias não terminaram no mês passado?" perguntou Diego, confuso.
"O fim é apenas o começo", murmurei fechando os olhos e me aconchegando melhor na espreguiçadeira.
Peguei o chapéu ao meu lado na areia e usei-o para cobrir o rosto do sol.
"Se você diz... Aliás, por que não convidou o Gael? Poderia ter ganhado mais alguns meses de licença", perguntou sugestivo.
"Você já viu aquele robô deixar a empresa?", tirei o chapéu apenas para vê-lo negar com a cabeça. "Exato", deixei o chapéu cair em meu rosto. "Ele não sabe mais se divertir, agora só cuida do menino e vai para a empresa".
"Isso é verdade, nem me lembro da última vez que ele saiu conosco", Diego riu. "Acho que nós somos uma má influência para a vida de monge que ele está seguindo", dei risada sem poder discordar.
Logo, ele parou de rir.
"Charles...", murmurou meu nome sacudindo meu ombro.
"Hmm", resmunguei, enquanto sentia uma sombra cobrir o calor do sol.
"Você não vai acreditar quem está do seu lado", murmurou.
"Por que será que eu não acredito que é a Angelina Jolie?", brinquei, retirando o chapéu do rosto e me deparando com a cigana de dois meses atrás. "Puta que pariu", coloquei a mão no peito, me recuperando do susto.
Ela está muito diferente de dois meses atrás; Agora, está usando uma blusa branca com uma longa saia vermelha, e está com uma maquiagem bem forte ao redor dos olhos.
"Zero saudades então?", perguntou, se sentando na ponta da espreguiçadeira.
"Vou dar uma volta", disse Diego.
Em seguida, saiu, deixando-me a sós com ela.
"O que você quer?", perguntei direto.
"Você é grosseiro quando não quer comer alguém, ou sou eu que te deixei irritado quando revelei seu destino?"
Respirei fundo e fiz a pergunta novamente com toda cordialidade possível:
"Será que por gentileza a senhorita poderia me dizer o que a trás até essa praia nessa bela manhã de sol?" ela sorriu.
"Obrigada. Assim é bem melhor", cruzou as pernas. "Na verdade, eu vim aqui porque os espíritos estão irritados com você".
Era só o que me faltava.
"Comigo?", assentiu.
"E comigo também."
"E por que diabos os espíritos iriam estar irritados comigo?", cruzei os braços.
"Se quiser, eu posso permitir que eles entrem no meu corpo para te dizer pessoalmente", fechou os olhos e seu corpo inteiro começou a tremer, e eu fui rápido ao dizer:
"Precisa não, querida. Confio totalmente nas suas palavras", ela abriu os olhos e respirou fundo.
"Eles estão irritados porque eu falei sobre o seu destino para você, e você se recusa a seguir!" pareceu irritada. "Por que não voltou ainda? Por acaso, planeja ficar na Espanha para sempre?", sacudiu meus ombros.
"Você disse que não importava porque eu não posso fugir ou impedir o destino, então estou apenas adiando", dei um sorriso e os seus olhos praticamente saltaram.
"Você disse que não acreditava!" gritou.
"E eu não acredito, mas sou um homem prevenido".
"Você é um homem burro, isso sim. A mulher que te falei realmente vai transformar a sua vida de um jeito ou de outro, mas talvez a divindade permita que você fique sem ela como um castigo pela sua gracinha. Então, siga meu conselho e volte de uma vez, ou corre o risco de ser infeliz para sempre!" me lançou um olhar sério.
"Eu já sou acostumado", olhei para as ondas revoltadas do mar. "Não vai fazer diferença viver assim para sempre", ela deu um suspiro alto.
"Por sua conta e risco então", levantou-se, e eu balancei a mão dando um tchau. "Biltre", cuspiu a palavra.
"O que é biltre? Você me amaldiçoou?" perguntei, apontando para ela.
Ela riu.
"Pesquisa no Google", saiu andando.
...[...]...
Eu gostaria de afirmar que meus planos se desenrolaram conforme o esperado e foram um sucesso, mas a verdade é que, no dia seguinte, recebi a ligação da minha secretária, Analu, informando que a empresa em que trabalho, a Mancini Enterprise, estava um caos. Isso se deve a dois motivos: Em primeiro lugar, a empresa rival, coincidentemente pertencente ao meu pai, havia roubado um produto da Mancini que levou meses para ser desenvolvido, resultando na perda de alguns milhões investidos pelos acionistas. Em segundo lugar, um escândalo íntimo envolvendo meu melhor amigo e presidente da empresa, Gael Mancini.
Sabe o que isso significa?
"Você precisa voltar com urgência!" disse Diego, adentrando rapidamente o meu quarto.
Apenas apontei para as malas prontas na minha cama.
"Você já soube...", assenti. "Será que Gael é mesmo gay?".
"Que estupidez, é claro que não, é só a imprensa brincando com a paciência dele."
"E sobre o que seu pai fez?"
"Eu não trabalho pra ele."
"Você vai ser acusado de vender a ideia do produto", dei de ombros pegando um cigarro e acendendo. "Não está mesmo preocupado?"
"Porque estaria?", traguei e joguei a fumaça no rosto dele.
"Você é maluco mesmo", riu, "Me dá um aqui", pegou minha carteira retirando um cigarro.
Não é bem assim. Não nego a loucura que existe em mim, mas as chances de ser acusado por isso são praticamente nulas. Isso se deve ao meu péssimo relacionamento com o meu pai e com a família toda, na verdade. A única pessoa com quem ainda falo algumas vezes é a minha irmã, Jéssica. Fora ela, mais ninguém.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
Charles o eterno mulherengo
2025-03-13
0
Mary Lima
À amizade destes dois mostra uma energia boa,apesar que o Charles estar sempre brincando. /Curse//Curse//Curse//Curse//Curse/
2024-08-21
1
Denise Figueiredo
mas no fundo é um ótimo amigo e advogado do Gael... Acho que seja o amigo mais fiel...
2024-06-06
5