...Charles Biancardi:...
...Sete meses atrás, na Espanha:...
Minha cabeça estava latejando como nunca.
O calor do sol batendo no meu rosto como um tapa.
E tinha algo segurando minha mão... Espera, o quê?
Com o susto, abri os olhos rapidamente e vi que era apenas a ruiva que ainda estava na minha cama.
Provavelmente passou a noite aqui, mesmo depois de eu pedir que não fizesse isso.
E nesse exato momento, ela segurava minha mão e estava olhando para algo nela com atenção.
"Eu não sou casado", murmurei, esfregando o rosto imaginando que talvez ela esteja buscando por alguma aliança.
"Eu sei", disse ainda atenta à minha mão.
"O que você tá fazendo?",perguntei confuso.
"Apenas te conhecendo melhor...", respondeu com um sorriso travesso.
"Fetiche?",ela sorriu.
"Talvez. Eu costumo gostar de ler as mãos dos caras com quem eu transo."
"Está lendo a minha mão?",questionei e ela assentiu, traçando linhas com o indicador na minha palma. "Tá interessante aí?", perguntei vendo que ela continuava muito interessada na minha mão.
Será isso um tipo de flerte?
"Muito", fechou os olhos e seu corpo tremeu como se estivesse com espasmos.
"Por acaso você tá tendo um AVC na minha cama?", perguntei assustado de certa forma, tentando ter minha mão de volta.
Será que peguei pesado com ela na noite passada?
A mulher abriu os olhos; suas pupilas estavam dilatadas, e ela abriu um grande sorriso, colocando sua palma sobre a minha.
"Acho que finalmente te conheço bem, Charles."
"Viu meu nome na minha carteira?",sugeri e ela riu.
"Eu não preciso disso."
"Claro que foi assim, caso contrário como saberia meu nome?"
"Eu sei seu nome e sobre o seu destino através da sua mão."
"Ah, Jura?", fiz pouco caso.
Gael ainda me disse que eu ia encontrar uma maluca numa dessas.
É uma pena que eu nunca escuto os conselhos dele.
"Eu sou uma cigana", disse.
"Isso é uma profissão?",brinquei.
"Você tá zombando de mim?"
"Jamais...", a mulher estreitou os olhos, e eu dei meu melhor sorriso falso. "Será que você pode sair agora? Tenho que ir em outra festa daqui a pouco."
"Não quer saber o que eu vi na sua mão?",perguntou enrolando uma mecha do cabelo em seu dedo.
"Você tá doida pra me contar não é?", perguntei vendo a empolgação estampada na cara da mulher. "Desculpe, Carol, mas não tenho interesse".
Ela murchou.
"É Camila, a mensageira da divindade", havia frustração em seu rosto e não irritação. Isso me surpreendeu. Sempre quando quero mandar elas embora basta trocar o nome e a magia acontece. "Não quer mesmo saber sobre o seu futuro?"
"Meu pai vai morrer?", tive um súbito interesse.
"Não sei...", pareceu confusa.
"Então não quero", respondi simples, me levantando da cama ainda nu. "Olha, Camila, a noite foi boa, mas eu não costumo ter namoradas."
"Eu sei, você nunca teve uma... aliás, você não presta", falou com convicção e eu a olhei curioso. "O que foi? Isso não está na sua carteira?", deu um sorriso malicioso.
"Você é boa no chute", comentei, vestindo minha cueca.
"Não foi um chute."
"Eu não acredito nessas coisas de magia, dragões e bruxas", ela deu uma gargalhada que me fez perder o equilíbrio enquanto vestia a calça; por sorte, caí ao lado da cama.
"Se você não estivesse destinado a ela, eu certamente iria te querer para mim", franzi o cenho, confuso.
Em que buraco eu me meti?
"Charles, Charles... Você pode até não acreditar em mim." Ela me olhou como se pudesse enxergar a minha alma, e isso foi o suficiente para que eu sentisse um frio percorrer do meu dedo mindinho até a minha cabeça. "Mas quando acontecer o que estou prestes a dizer, você irá se lembrar das minhas palavras", engoli em seco, prestando atenção em suas palavras. "Existe uma mulher que vai te moldar, como se fosse um vaso de barro."
"É uma coisa um pouco difícil de acontecer, não acha?", brinquei.
"Não acredita em mim, certo?", perguntou como se eu a houvesse desafiado.
"Se você realmente viu o meu futuro, destino ou seja lá o que for, deveria saber que...", me interrompeu.
"Você não presta," repetiu, e eu assenti sem dar muita importância. "Mas existe uma mulher que vai mudar isso." Tentei segurar a risada. "Pode rir o quanto quiser, mas quando voltar ao seu país você vai conhecê-la e vai sentir que é ela", outra vez um frio percorreu a minha espinha; acho que estou com hipotermia. "Só para você saber que eu não minto, aqui vai uma dica: ela vai estar usando um vestido verde... lembre-se disso, é importante", ela se levantou da cama e veio na minha direção, me beijando. "E, quando você a conhecer... sua vidinha de canalha vai ruir," sussurrou próximo ao meu ouvido.
"Caso isso seja verdade... como eu poderia impedir?" Perguntei, tentando não demonstrar muito interesse.
"Não há como impedir... o que é seu chegará até você, e você, Charles, não vai poder fugir ou impedir o seu destino".
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
gostando, ainda não havia encontrado esse tipo de leitura 😃
2025-03-13
0
Ana Paula
uauu tá começando a ficar interessante!
2025-03-27
0
Raquel Martins
Adoro livro assim! 😁
2024-10-21
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