...Charles Biancardi:...
Dez reais...eu pareço um necessitado?
"Eu deveria ter cobrado cem ", murmurei me jogando no sofá. "Ia ser tão fácil se você tivesse apenas me dito o seu nome", fechei os olhos me aconchegando, minha mente insistiu em cravar o rosto dela nos meus pensamentos. "Não, não, não", não tô acreditando que isso foi o suficiente para me deixar excitado. "Eu me recuso a bater punheta igual um menino de doze anos, preciso de água gelada".
Assim que me levantei do sofá, meu smartphone começou a vibrar na mesa de centro. Retirei a gravata e o peguei.
"Boa noite, Charles", disse uma voz sensual.
"Quem é?"
"Sou eu, Mônica", ela é uma modelo que está trabalhando para a empresa.
"Ao que devo a honra da sua ligação?"
"Você disse que, se eu quisesse repetir a nossa brincadeira do camarim, eu só precisava ligar. O que me diz?" Baixei os olhos para o contorno do meu pau duro na calça.
Por que não unir o útil ao agradável?
"Qual o seu endereço mesmo?", ela deu uma gargalhada e me passou o endereço.
...[...]...
"Você veio rápido, queria tanto assim transar comigo?", a coloquei contra a parede, pressionando seu corpo.
"Por enquanto, vamos dizer que sim", sussurrei, deixando beijos pelo seu pescoço.
"Por que 'por enquanto'?", quando ergui meu rosto para encontrar o dela, perdi as palavras; já não era mais o rosto de Mônica que estava na minha frente.
Eu estou fantasiando...
"Deixa pra lá", murmurou, me puxando para um beijo.
Mesmo que tenha sido só minha mente brincando com a imaginação, foi um espetáculo. Não pelo beijo em si, mas pela visão desse rosto, a mulher de cabelo castanho, bochechas rosadas e lábios aparentemente macios.
Mas, claro, eu não posso afirmar isso, afinal, não a beijei...
Esse pensamento fez a minha fantasia desmoronar como um castelo de areia na praia. A excitação anterior desapareceu, e agora era como se eu estivesse beijando um lagarto. Fechei os olhos com força, tentando ressuscitar minha imaginação, mas falhei miseravelmente. Mônica desceu minhas mãos para sua bunda, e eu as ergui para a cintura novamente; ela se afastou, franzindo o cenho.
"O que foi?"
Bem, isso é exatamente o que eu gostaria de saber.
"Não faço a menor ideia ", retirei a mão da sua cintura e me apoiei na porta cruzando os braços.
As coisas que a cigana disse...
Talvez ela tenha lançado uma praga em mim. Ou foi aquela mulher? Não, essa nem se importa com a minha existência.
"Como assim não faz ideia?", Mônica estava confusa. "Pensei que estivesse com tesão"
Eu tava...mas não em você.
"É complicado ", suspirei.
"Se quiser nós podemos tentar te animar um pouco ", se aproximou tocando minha calça. "Quer uma bebida?"
"É uma oferta tentadora, mas eu preciso recusar, me desculpe Mônica eu preciso ir agora ", murmurei e ela revirou os olhos.
"Nesse caso tem o número de alguém gostoso e que não vai desistir de última hora?"
"Gostoso é uma palavra muito forte pra mim definir um homem já que não curto a mesma fruta que eu tenho entre as pernas. Mesmo assim vou te mandar o número de alguns amigos"
"Pensei que não ia querer me passar", murmurou para si mesma.
"Eu não me importo em dividir", vi uma certa fúria em seus olhos, ainda assim ela se controlou.
Peguei meu telefone e enviei o número de todos os meus amigos para ela, menos o de gael é claro. Embora eu tenha a pequena impressão de que ela não vai entrar em contato com nenhum deles e disse isso apenas para ver a minha reação.
"Estou indo", avisei abrindo a porta e passando por ela.
Após adentrar meu carro dirigi novamente em direção a minha casa. Eu preciso dar um jeito de quebrar essa maldição. Quando cheguei no meu apartamento apenas tomei um banho rápido e dormi.
...[...]...
"Gael realmente vai ficar mandando 'você' para representá-lo nos assuntos importantes da empresa?", perguntou Pôncio com sua clássica cara de desprezo.
"Ora, deixe apenas o menino trabalhar", mandou Ricardo. "Prossiga Charles, pode dar a sua opinião."
"Voltando... Eu falei anteriormente que essa estratégia de marketing não vai funcionar porque precisamos nos conectar com o público-alvo, algo que sem dúvidas foi deixado de lado na sua proposta", falei e Pôncio estreitou os olhos, parecendo irritado por precisar engolir minhas palavras. "Minha sugestão é que...", pigarreou, me interrompendo.
"Se não for viável no momento, é melhor nem dar", disse. "Você sabe... com o que seu pai fez, a empresa perdeu uma quantia significativa. Não podemos arriscar que...", o interrompi.
"Dá para você calar a boca?"
"Por acaso, se esqueceu que eu sou um sócio?", rosnou.
"Vá à merda", mandei.
"Você se sente muito confiante, não é? Com Gael ao seu lado, acha que pode fazer o que quiser, mas tudo tem um limite!", berrou.
"Vamos acalmar os ânimos", disse Ricardo, balançando sua bengala como se fosse uma bandeira branca.
"Você tem razão, Ricardo", falei. "De qualquer forma, acho que já podemos encerrar essa reunião. Ficou claro que isso não vai chegar a lugar nenhum", comecei a caminhar em direção à saída da sala de reuniões, mas antes passei ao lado de Pôncio. "Peço desculpas por hoje. Não se preocupe, isso não vai acontecer de novo."
"É bom mesmo."
"Claro, e... por favor, mande um beijo para sua esposa, a Kristen não é? Ela é um encanto. Sua filha Lídia também é...", suspirei, dando um sorriso de lado com a reação assustada e surpresa, em seguida, concluí meu trajeto saindo da sala.
Ele nem imagina... uma vingança adiantada talvez?
Adentrei a minha sala, onde Analu estava sentada na minha cadeira.
"A reunião já terminou?", perguntou, surpresa, olhando para o smartphone. "Foi rápida demais."
"Não tenho paciência para aquele velho", voltei meus olhos para a estátua da deusa Têmis na minha mesa.
"Você não gostava dela tanto como agora", comentou Analu, observando a estátua também.
"Ela me lembrou que eu preciso fazer algo."
"O que seria?"
"Não é tão importante, mas eu preciso ir. Daqui a pouco vou estar de volta."
"Igual ontem? Você me disse que voltaria em três horas e só estou te vendo agora de manhã."
"Por quê você está reclamando?", perguntei, franzindo o cenho, e ela olhou para o outro lado da sala. "Cuidado, Analu, você está andando por um caminho arriscado," adverti, saindo da sala.
Assim que ela começou a trabalhar como minha secretária e nós transamos algumas vezes, eu a avisei que não sou um homem de uma mulher só. Ela concordou, e atualmente é a secretária que mais durou na função. Mas desde que voltei da Espanha, ela está estranha, como se estivesse esperando algo a mais, algo que eu já falei um milhão de vezes que não quero nem com ela, nem com ninguém.
...[...]...
"A senhora tem certeza que isso vai funcionar?", perguntei, balançando o pequeno frasco com líquido marrom na frente da vendedora de uma loja de origem duvidosa.
"Sim, senhor, isso é tiro e queda," observei o rótulo que não tinha nada além do título 'Quebra Mandinga'. "Na hora do banho, coloque na água e fique de molho por dez minutos, depois disso duvido que a maldição vai continuar", assenti pensativo.
"Mesmo se a praga tiver sido coisa forte?", questionei e ela recuou um passo de distância de mim e assentiu. "Eu quero dez desses," pedi, e a senhora abriu um grande sorriso, os olhos dela quase saltando de alegria. "Quanto custa?" perguntei, abrindo a carteira.
"São mil, meu filho."
"Tem pó de ouro aqui dentro?", questionei.
"Quer quebrar a mandinga ou não?", ela retrucou, e eu concordei convencido.
"Aqui," empurrou a sacola na minha direção, e eu tirei o dinheiro da carteira, sentindo meu smartphone vibrar no terno enquanto pegava a sacola das suas mãos.
Enquanto caminhava em direção ao carro, vi três chamadas perdidas de Gael.
Isso é estranho...considerando que na maioria das vezes ele só liga uma vez. Antes que eu pudesse retornar ele ligou pela quarta vez e eu atendi.
"O que aconteceu?"
"Silas... ele foi até o hospital onde o avô de Sophie está e fez com que a situação dele se agrava-se, ele teve um outro infarto", falou rapidamente.
"Espera aí", pedi tentando racionar. "Me deixa ver se entendi, meu querido papai foi ao hospital do querido vovô da sua mulher e o fez infantar de novo?".
"Sem brincadeiras, Charles"
"Não faz sentido, Gael. Meu pai é um crápula, mas se serve de consolo, além de roubar seu produto, o pior que ele faria para te atingir seria contratar manifestantes para ficar na frente da Mancini Enterprise gritando 'queima, queima, queima...", aliás ele já fez isso.
"Eu vi, tem imagens dele lá, foi tudo registrado pelas câmeras de segurança do hospital", afirmou.
Ele realmente chegou tão baixo a ponto de prejudicar a vida de uma pessoa que nem mesmo está envolvida em tudo isso? Sinceramente, não me surpreende. Na verdade, o que me surpreende é ele ter sido descuidado e deixado provas para trás.
"O que você quer que eu faça?"
"Primeiro, vá até minha casa e certifique-se de que a Sophie comeu alguma coisa e está bem. Nem eu acredito que estou pedindo isso a você, mas minha tia ficou presa no trânsito com as crianças e, do jeito que as coisas estão, vou demorar para voltar para casa. E depois... quero que descubra por que seu pai esteve lá. Se não foi realmente para me prejudicar, existe outro motivo. Agora me lembro dele ter dito que era um assunto pessoal", acho que devo acrescentar babá e investigador a minha lista de tarefas.
"Só?"
"Eu vou te demitir também", ameaçou.
"Era brincadeira, meu caro senhor. Seu fiel escudeiro vai até sua mocinha e depois vai enfrentar a morte indo até a ira do Dragão"
"Tchau"
"Eu preciso de...", antes que eu pedisse mais algumas horas ele desligou. Ergui minha sacola com os frascos. "Parece que meu banho vai precisar esperar", murmurei adentrando meu carro para ir até a casa dele.
...Bianca Santana:...
Hoje está sendo um dia difícil. Quando Sophie me ligou, eu havia acabado de me arrumar para procurar um novo emprego. Ao contar que o senhor Fernando teve uma recaída, fiquei preocupada. Pensei em ir ao hospital, mas ela disse que nem mesmo ela conseguiu vê-lo. Em vez disso, pediu minha companhia, já que nem Gael nem o filho dele estavam lá.
Luiza sugeriu que eu pedisse ajuda a ela para conseguir um emprego na empresa de Gael. No entanto, não acho certo envolvê-la nos meus problemas, especialmente agora que ela está passando por toda essa situação.
Depois de horas de conversa, ambas esquecemos de almoçar. Quando começamos a arrumar a mesa para o almoço, o som alto da campainha ecoou. Caminhei até a porta e a abri.
"Só pode ser brincadeira...", murmurei.
"Você...", disse Charles.
Esse cara me seguiu até aqui?
"Sophie!", chamei preocupada. "Você conhece esse maluco?", perguntei em sussurro. Se ela disser que não conhece, vou fechar a porta e chamar a polícia.
"Eu ouvi", ele disse adentrando a casa como se fosse dele. Antes que eu protestasse, ela sussurrou:
"Ele é amigo do Gael."
...Charles Biancardi:...
Neste momento, eu simplesmente passei a apreciar as coincidências da vida. De todos os lugares, nunca imaginaria encontrá-la aqui; ela estava linda, absolutamente linda.
Tive que me esforçar para não deixá-la desconfortável com o meu desejo de observá-la. Sophie nos observava, aparentemente curiosa; ao vê-la, me lembrei do motivo de estar aqui.
"Gael estava preocupado com você e me pediu para passar aqui e ver se você comeu", expliquei, caminhando na direção da cozinha. "E pelo visto, ainda não comeu nada, mocinha", fingi indignação ao ver três grandes caixas de comida fechadas.
"Bianca e eu íamos almoçar agora", comentou.
B-I-A-N-C-A, finalmente descobri seu nome princesa.
É um nome tão lindo, e se encaixa perfeitamente com ela. Dei um sorriso satisfeito por finalmente saber o nome da mulher misteriosa que ocupava meus pensamentos.
"Como vai, Bianca?", fiz questão de usar seu nome destacando ele na pergunta.
"Bem", disse.
Parece que ela não vai retribuir a pergunta nem oferecer uma água ou alguns minutos de conversa. Na verdade, ela parece sem jeito.
"Vocês deveriam comer agora, eu já vou. Preciso enfrentar um Dragão, quem sabe no final eu resgate uma princesa da torre", Bianca estreitou os olhos, e eu dei um sorriso de lado incapaz de tirar meus olhos dela.
Em poucos minutos, saí da casa em direção ao meu carro; ainda tinha uma missão a cumprir: descobrir o que meu pai está armando. Mas nada me impediria de pedir uma ajuda para o meu querido amigo Gael.
Quando cheguei à empresa dos Biancardi, a primeira pessoa que encontrei foi Jéssica.
"Você não estava nas ilhas Maldivas?", perguntou confusa.
"Era a Espanha", murmurei, me aproximando dela. "Cheguei já faz alguns dias".
"O que está fazendo aqui?"
"Quero falar com Silas", ela revirou os olhos.
Embora minha irmã não seja uma pessoa ruim do meu ponto de vista, ela é a clássica 'filhinha de papai', da pior espécie, aliás.
"O que você quer?", cruzou os braços. "Veio ofendê-lo e agredi-lo igual ao seu amiguinho fez?"
"Gael bateu nele?", dei um sorriso animado.
Pelo menos uma notícia interessante.
"Ele não chegou a bater bater, mas ameaçou nosso pai. Será que dá pra você parar de ser um idiota?", neguei com a cabeça.
"Pensei que gostasse do Gael."
"Eu gostava. Antes dele se casar com aquela-zinha", murmurou para si mesma.
"Cadê o Silas?", perguntei, caminhando em direção ao elevador.
"Você pode até ir na sala dele, mas já te adianto que ele não está, foi a uma confraternização com a mamãe", assenti.
"E por qual milagre você não foi com eles?", ela sempre faz questão de participar de tudo, me surpreendeu o fato de ela não ter ido.
"Estou cuidando da empresa; do jeito que as coisas estão, parece que vou ser a única herdeira por aqui. Só estou protegendo meu patrimônio".
"Uma verdadeira amazona", zombei olhando ao redor.
"Você ainda é o mesmo ser insuportável de...", a interrompi.
"Calma, irmãzinha, eu não vou brigar por herança, mas espero que saiba que os vinhos que estão na adega do meu quarto são meus, e assim que tiver um tempo, vou mandar buscá-los".
"Não se preocupe, ninguém quer seus vinhos da idade da pedra, mas muito me surpreende... você está disposto a brigar por vinhos, mas não por uma herança de bilhões. Você tem algum distúrbio? Ou...", murmurou, pensativa, o final.
"Ou", a incentivei.
"Você tem uma fortuna guardada!", acusou. "Você é muito esperto para estar deixando tudo assim".
Talvez seja verdade, talvez...
"Tá pensando demais", falei, caminhando para fora da empresa, deixando Jessica sozinha com suas teorias.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
Silas não se dava bem com a esposa, agora está bonzinho
2025-03-14
0
Cleuza Conde
muito bom
2024-10-28
0
Lucimar Alves
estou adorando o Charles ele é muito engraçado kk
2024-07-17
1