...Bianca Santana:...
"Obrigada", agradeci ao motorista dos Mancini enquanto saía do veículo.
Em poucos segundos, adentrei minha casa ouvindo o som de gargalhadas animadas. Segui o som até a cozinha, e assim que entrei, vi minha mãe e Luiza conversando.
"Até que enfim!", falou Luiza vindo na minha direção e me abraçando.
"Filha, está com fome?", perguntou minha mãe, abrindo a geladeira.
"Não, mãe, eu já comi com Sophie."
"Ótimo, podemos começar a nos arrumar!", disse Luiza animada.
"Nos arrumar para o quê?", perguntei confusa.
"Festa do pijama na casa da Cassie", respondeu, dando um sorriso culpado.
Cassie não daria uma festa do pijama com a mãe doente; isso, obviamente, é uma mentira. Ela alternou o olhar entre mim e minha mãe.
"Vamos!", praticamente me arrastou para fora da cozinha em direção ao meu quarto. Assim que entramos, ela fechou a porta e respirou fundo. "Você quase estragou tudo".
"Quase estraguei o quê?"
"Vamos sair."
"Eu não estou...", antes que eu pudesse dizer que não estava no clima, ela balançou as mãos na minha frente.
"Não ouse negar, Cassie só aceitou ir por sua causa."
"Cassie vai?"
"Sim, e você também," afirmou. "Por favor, Bianca...", insistiu. "Sabe há quanto tempo Cassie não sai para se divertir? Nós precisamos distraí-la um pouco."
Ela tem razão. Que tipo de monstro egoísta eu seria se não ajudasse uma das minhas melhores amigas a se divertir um pouco?
"Tudo bem, eu vou," Luiza deu pulinhos animada. "Mas... onde vamos?", ela sorriu.
"Logo você vai descobrir", e pelo visto, não vou gostar nadinha.
...Charles Biancardi:...
...Um....
...Dois....
...Três....
...Quatro....
...Cinco....
...Seis....
...Sete....
...Oito....
...Nove....
...Dez......
Assim que despejei todo o líquido marrom dos frascos de 'Quebra-mandinga', a água da banheira adquiriu uma tonalidade mais escura, se assemelhando à água suja.
"É melhor que isso funcione...", murmurei, retirando a roupa com esperança e um olhar desconfiado.
Depois de me despir completamente, entrei na banheira e me acomodei.
"Esse cheiro é tão ruim que até um urubu recusaria", comentei, sentindo o aroma questionável. "Claro que a maldição vai sair de mim assim; se pudesse, arrancaria minha alma agora para não ter que suportar esse odor mortal", fechei os olhos com força e me 'deitei' na banheira.
"É por uma boa causa", repeti o mantra algumas vezes, torcendo para não precisar processar aquela vendedora por danos ao meu olfato.
Uma. Duas. Três...
Ela disse dez minutos, certo? Mas fiquei lá por três horas apenas para garantir que essa coisa funcione. Ao sair da banheira, me senti mais leve, e até olhei para ela, me certificando de que não era apenas minha alma que havia saído do corpo para evitar o cheiro desagradável da água.
Peguei meu shampoo e loção para garantir que ficaria totalmente limpo novamente.
"Como vou saber se deu certo?", me perguntei ao sair do banheiro com a toalha na cintura. Notei meu celular na cama e, como se uma lâmpada tivesse acendido, me veio o pensamento:
...Qual seria maior teste do que ir para uma boate e transar com a primeira mulher que eu desejar, como sempre fiz? Nenhum! É exatamente isso que vou fazer....
...[...]...
Observei ao redor, estudando o local; a boate recém-inaugurada era agradável, com pessoas dançando por todos os lados e as luzes sincronizadas com a música. Eu e meus amigos estávamos em um camarote na parte de cima, proporcionando uma visão privilegiada de todos que estavam embaixo, que em sua maioria eram mulheres.
"Gostou do lugar?", perguntou Diego, se aproximando e ficando ao meu lado enquanto eu observava as pessoas dançando abaixo.
"É claro que ele gostou da minha boate. Viu quantas bundas gostosas têm lá embaixo?", disse Filipe, ocupando o meu outro lado, e, assim como eu, ficou observando. "E o melhor? Todas são minhas amigas e amigas das minhas amigas", deu uma gargalhada. "Nós podemos comer qualquer uma", parecia que ele já estava bêbado.
"Qualquer uma?",perguntei, observando um pequeno grupo que adentrava a boate.
"Qualquer uma!" afirmou, abrindo os braços. "Cadê meu whisky? Diego, seu desgraçado, você bebeu de novo?", enquanto discutiam, meus olhos procuravam algo que fizesse valer a pena ter vindo até aqui, algo que provasse que a 'maldição' foi quebrada de uma vez por todas.
E logo encontrei, dentre as mulheres que haviam acabado de chegar houve uma que atraiu minha atenção, porém a única coisa que eu estava conseguindo ver era suas costas, seu cabelo castanho e sua bunda empinada.
"Não vai beber?", perguntou Filipe voltando a atenção para mim, porém mantive meus olhos presos nas costas da única mulher que atraiu minha atenção. "Já entendi, você...", o interrompi.
"Eu quero ela", apontei para a mulher. "É com ela que eu quero passar a noite hoje", ele deu um sorriso sacana.
"Então é ela que você vai ter", respondeu se afastando e indo na direção de um segurança.
Em poucos segundos ele voltou enquanto eu permaneci observando a mulher.
"Rick vai entregar uma pulseira VIP pra ela, daqui a pouco a puta tá aqui", falou.
Nós observamos enquanto o segurança se aproximava dela e, após alguns segundos, se afastou, retornando ao camarote. Felipe fez um gesto chamando-o com a mão, e ele caminhou na nossa direção.
"E então?",perguntou animado.
"Ela não quis", respondeu, e Felipe franziu a testa, voltando seu olhar para ela lá embaixo.
"Como assim não quis? Você disse a ela que era o próprio dono da boate que a estava convidando?", ele assentiu. "Então por quê?...",estava mais perdido que um cego em um tiroteio. "Já volto!", Felipe se afastou, descendo do camarote e caminhando até o pequeno bar que ficava na parte debaixo.
"Ela só recusou?", perguntei curioso ao segurança.
"Na verdade, ela também o mandou enfiar a pulseira naquele lugar...", voltei meu olhar novamente para ela.
"Doce como um limão," pensei. "Por que só estou me interessando por mulheres assim ultimamente?"
Após alguns minutos, Felipe voltou para o camarote com um sorriso largo.
"O que foi?", perguntei quando se aproximou.
"Já já podemos buscar sua putinha."
"Como assim?", Franzi o cenho, confuso.
"Aguarde e verá," deu uma gargalhada se afastando em direção às bebidas do camarote.
...Bianca Santana :...
"Esse barulho tá me matando ", resmunguei para Luiza.
"Não seja chata Bianca, olha Cassie ali rebolando a bunda naquele bofinho musculoso", apontou para Cassie que dançava animada. "Deixa ela ser feliz um pouco, daqui a duas horas vamos embora e ela vai precisar voltar para a realidade, mas por enquanto...", o garçom colocou nossas bebidas na mesa e ela lançou um olhar sugestivo.
"Eu não vou beber", avisei.
"Relaxa, eu falei pra ele que você ia querer só um suquinho de maracujá, agora pega", pegou o copo e colocou em minhas mãos.
"Sem álcool mesmo?", assentiu.
"Eu juro",levantou a mão em sinal de juramento.
Comecei a tomar o suco gelado, enquanto meus olhos percorriam a pista de dança repleta de corpos suados. Agradeço a Deus pelo ar condicionado ser eficiente, pois, considerando a constante entrada de pessoas na boate, o ambiente já começava a esquentar a cada minuto.
"Bianca...", Luiza chamou meu nome.
"Oi?"
"Eu vi um cara muito gatinho entrando, se importa se eu....", sugeriu.
"Pode ir, eu vou ficar por aqui mesmo", respondi, dando mais um grande gole de suco. Realmente, não tenho a menor intenção de dançar ou me envolver com alguém; tudo o que eu quero fazer é voltar para casa.
"Obrigada, obrigada. Daqui a pouco estou de volta", disse animada, e como num passe de mágica, Luiza sumiu na multidão.
Eu fiquei aqui sentada, apenas observando ao redor. Não sei exatamente em qual momento, mas o calor começou a me fazer mal; minha visão estava turva, e senti como se meu corpo estivesse mais leve. A sensação engraçada me fez rir sozinha.
Senti um braço rodear meu ombro.
"Olá, coisinha linda", disse um homem de cabelo preto.
"Quem..." Minha voz parecia de uma pessoa bêbada. "É você?"
"Pedi para o meu segurança te convidar para subir no camarote há alguns minutos, lembra?" Retirei sua mão dos meus ombros. "Calma, docinho, só pensei que talvez você tivesse reconsiderado."
Olhei ao redor tentando encontrar Luiza ou Cassie, mas a visão turva não ajudava em nada; elas também pareciam ter evaporado.
"Cadê as minhas amigas?", perguntei a ele.
O homem abriu um sorriso.
"Estão no camarote."
"Mesmo?", ele assentiu e estendeu a mão para mim.
"Eu te levo até lá", recusei sua mão e levantei de uma vez, quase indo ao chão se ele não tivesse me segurado. "Estou quase cogitando não te levar pra lá", sussurrou perto do meu ouvido.
"Não. Eu quero ir encontrar minhas amigas", tentei falar da forma mais firme possível, mesmo que estivesse grogue.
"Você que manda", ele me ajudou a caminhar até lá e a subir as escadas, o que não foi nada fácil; meu corpo parecia leve, mas eu mal conseguia ficar de pé.
...Charles Biancardi :...
"Whisky?", ofereceu Diego e eu peguei o copo me sentando em uma das poltronas vermelhas. Uma mulher ruiva que havia sido convidada para o camarote veio na minha direção e sentou no meu colo.
"Posso sentar aqui?", ela rebolou no meu colo. "Todas as poltronas estão ocupadas", sussurrou no meu ouvido.
Segurei sua cintura com firmeza, ela não é quem eu queria mas sem dúvidas é muito atraente também, puxei a mulher para um beijo deslizando minha mão até o seu seio.
"Você tem uma pegada gostosa ", sussurrou enfiando sua mão por debaixo da minha camisa alisando meu abdômen.
Enquanto a beijava meus olhos foram para a porta e vi Felipe adentrando o camarote com uma mulher apoiada em seus ombros era quase como se ela não conseguisse andar sozinha, estreitei os olhos confirmando que era a mesma que vi lá embaixo, quando a mulher ergueu a cabeça nem consegui acreditar.
"Bianca?", sussurrei e praticamente empurrei a ruiva do meu colo.
Me levantei rapidamente e me aproximei deles.
"Você...", ela murmurou revirando os olhos. "Cadê as meninas?", balbuciou olhando para os lados.
"Que meninas?", perguntei a ela que estreitou os olhos.
"Ele...", olhou para Felipe.
Ela mal conseguia falar.
"Porque bebeu tanto?", os olhos dela expressavam pura confusão.
"Eu...Eu não bebi", resmungou caindo nos meus braços. Olhei para os lados procurando uma poltrona vazia, mas não encontrei.
"Sai", rosnei, e o cara se levantou da poltrona vermelha, onde coloquei Bianca sentada.
"Te dei o presente, agora se vira", disse Felipe dando risada. "Os quartos lá atrás estão vagos", sugeriu.
"Como assim me deu o presente?" perguntei irritado com o pensamento que passou pela minha cabeça, mas... ele não ousaria, ou ousaria?
"Você não queria foder essa puta? Eu te dei", meu sangue ferveu, e eu o puxei pela camisa.
"O que você fez, caralho?", berrei.
"Qual é, Charles, vamos nos divertir."
"Você a drogou?", Minha voz saiu mais carregada do que eu gostaria, e ele ficou em silêncio. "Você tem a porra de três segundos pra me responder, um, dois..." comecei a contar rapidamente e seus olhos praticamente saltaram.
"Sim. Eu fiz", admitiu.
"Ótimo, era só isso que eu queria saber", murmurei, acertando seu rosto com força.
"Você ficou doido, cacete?", berrou, inclinando a cabeça para trás, tentando conter o sangue que escorria do seu nariz.
"O que tá acontecendo?", Diego se aproximou com um dos seguranças.
"O Charles...", o interrompi, acertando seu rosto novamente, e ele caiu no chão.
O segurança se aproximou para ajudá-lo, e Diego se voltou para mim completamente confuso.
"O que foi isso, cara?"
"Uma lição", respondi. "Se afaste", mandei o segurança sair, e ele me encarou estufando o peito. "O que é? A minha beleza te impressionou?", zombei.
Ele se irritou e veio na minha direção, me acertando um soco em cheio.
"Foi fraco", murmurei sentindo meu nariz doer. Em seguida, foi a minha vez de acertá-lo. Ele recuou, quase caindo no chão. Voltei meus olhos rapidamente para Bianca, garantindo que estivesse bem, e ela estava dormindo na poltrona. Quando voltei novamente meu olhar para o segurança, ele me acertou em cheio novamente.
"Porra", murmurei.
Em seguida, chutei sua perna, fazendo-o cair no chão. O mesmo se retorceu de dor; talvez eu tenha quebrado algum osso do pobre coitado.
"Isso não foi pessoal", falei, me afastando do segurança no chão e me aproximando de Felipe, que também ainda estava no chão. "Espero que você tenha aprendido alguma coisa, espero também que saiba que vai pagar caro pelo que fez", avisei, pisando em cima do seu pau, o fazendo gemer de dor. Em seguida, me afastei dele e me aproximei de Bianca, que dormia tranquilamente.
Não é engraçado? Vim até aqui para tentar me livrar dela na minha cabeça e a pessoa que eu escolhi, mesmo sem ver o rosto, era ela.
Observei seu rosto com atenção; suas bochechas estavam mais rosadas que o normal. Enquanto a pegava em meus braços, ela meio que abriu os olhos.
"Ei, você...", murmurou com os olhos entreabertos.
"O que foi?", perguntei, carregando-a para fora do camarote.
"Idiota...", sussurrou voltando a dormir.
"Tão amável...", assim que consegui sair com ela da boate, a levei em direção ao local onde meu carro estava estacionado.
A coloquei deitada nos bancos da parte traseira do carro; seus olhos se entreabriram novamente, e ela me olhou com atenção, se esforçando para manter seus olhos funcionando.
"Onde?..."
"Estamos no meu carro", ela ficou agitada. "Eu não vou fazer nada com você, não se preocupe, você pode confiar em mim", Bianca me encarou por alguns segundos, mas logo fechou os olhos novamente e dormiu.
Fechei a porta traseira e me apressei para ocupar o lugar do motorista. Comecei a dirigir em direção à casa dela, e isso me despertou uma dúvida...
Será que ela mora sozinha? Ou com os pais? Ou pior... com o namorado ou marido?
Senti os pelos da minha nuca se eriçarem com o pensamento. Respirei fundo.
"Seja quem for, eu vou te deixar em segurança em casa", falei, observando-a rapidamente.
Em poucos minutos, estacionei na frente da casa dela. Antes de retirá-la do carro, fiquei apenas a observando por um tempo, enquanto ela dormia tranquilamente; seu cabelo cobria uma parte do seu rosto, e delicadamente eu o removi com os dedos.
"Eu preciso mesmo te deixar em casa, não é?" perguntei em um sussurro, Bianca se remexeu. "É, eu preciso", concluí dando um suspiro e sai do carro.
A deixei no veículo com o ar condicionado ligado e me aproximei da casa dela; após bater palmas algumas vezes, uma senhora apareceu no portão.
"Boa noite, desculpe o horário", pedi enquanto ela se aproximava. "A senhora é parente da Bianca?"
"Eu sou a mãe dela, o que aconteceu?" perguntou preocupada.
"Ela... foi dopada na boate em que estávamos", respondi, e ela levou a mão ao peito.
"Meu Deus."
"Não se preocupe, eu a trouxe em segurança. Pode me ajudar a retirá-la do carro?", ela assentiu.
Nós nos aproximamos do veículo, e enquanto ela abriu a porta para mim, eu peguei Bianca em meus braços novamente. Caminhei com ela e adentrei sua casa; não era grande, mas tinha sua beleza, na verdade, é um lugar bem aconchegante.
"Por aqui, por favor", disse a senhora subindo poucos degraus.
A segui, e logo adentramos um quarto; coloquei Bianca com cuidado sobre a cama e a cobri.
"Qual é o seu nome?",perguntou curiosa.
"Me desculpe por não ter dito antes, meu nome é Charles", estendi a mão, e ela a apertou rapidamente.
"O meu é Casilda, filho", disse dando um pequeno sorriso que logo se desfez ao olhar para a cama. "Não é melhor nós a levarmos para um médico?"
"Temos que esperar ela acordar primeiro", a observei novamente.
"Você é amigo da minha filha?"
"Não."
"É uma pena, você é um bom rapaz. Obrigada por trazê-la em segurança", deu um sorriso.
Um bom rapaz?
"Não precisa agradecer", minha atenção voltou novamente para a cama onde Bianca se remexia. "Posso voltar amanhã cedo?" ela franziu o cenho. "É para o caso de precisarmos levá-la ao hospital", expliquei, e ela assentiu.
"Claro, muito obrigada", segurou minha mão novamente.
"Vou deixar o meu número caso precisem de alguma coisa", retirei meu cartão e entreguei a ela enquanto caminhávamos até a porta.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
Cassia e Luiza são pipas voadas, a Bianca é a certinha entre as três, o dono da boate deveria ser denunciado.
2025-03-14
0
Ielma Cristina Ferreira Rodrigues Ielma Rodrigues
Cadê a Luiza? Que amiga, em?!😡
Se fosse outro,ou mesmo o Felipe, ela tinha sido estuprada.
2024-09-28
1
Mary Lima
/Drool//Drool//Scowl//Drool//Drool/
2024-08-21
0