...Charles Biancardi:...
...Cinco Meses atrás....
...Brasil....
Ao desembarcar, coloquei meus óculos escuros e percorri o aeroporto com a cabeça baixa. Rapidamente, cheguei ao lado de fora e chamei um táxi. O motorista parou à minha frente, e antes que eu entrasse no carro, uma voz feminina perguntou: "Podemos compartilhar a viagem?", levantei um pouco o rosto e, ao avistar a ponta de um tecido aparentemente verde, virei rapidamente na direção oposta enquanto o motorista colocava minha bagagem no porta-malas.
"Desculpe", ela tocou meu ombro. "Podemos dividir o táxi? Estou esperando há horas e não consegui nenhum", Não ousei levantar o rosto para olhá-la.
A cigana me disse que eu saberia quando fosse a mulher abençoada, mas não senti absolutamente nada de diferente quando essa me dirigiu a palavra.
Talvez se eu olhar para o rosto dela só um pouquinho...
Tomei coragem e levantei o rosto, deparando-me com uma senhora barriguda de aproximadamente cinquenta e sete anos.
Zero atração.
Respirei aliviado.
"Você está bem?", ela perguntou.
"Estou ótimo, por favor, entre", abri a porta do carro para ela com gentileza.
"Só um segundinho", pediu. "PODE VIR, AMOR!" gritou, e logo um homem com um bigode engraçado apareceu com três crianças e um adolescente.
Estreitei as sobrancelhas para ela, aterrorizado.
"Vamos?", perguntou, adentrando o carro.
Antes que eu pudesse ocupar o assento ao lado do motorista, o 'amor' com bigode entrou na minha frente.
"Que palhaçada...", murmurei entre dentes para mim mesmo.
Os resultados de ser uma pessoa boa?
Um garoto catarrento sentado na minha perna. Fechava os olhos todas as vezes que ele assoava o nariz na própria camisa.
Tenho quase certeza que vou adquirir um trauma depois desse dia.
O único motivo que me fez continuar a viagem com eles era saber que levaria horas até o próximo táxi chegar.
Sabe a lei de Murphy? Isso mesmo, é aquela que diz que "Se algo pode dar errado, dará."
Esse cenário não é um dos melhores, mas sem dúvidas piorou quando eles começaram a comer uma coisa esquisita que cheirava a chulé. Eu olhava para eles ansioso para que terminassem de uma vez e o cheiro de chorume desaparecesse. O motorista claramente irritado comigo borrifava seu bom ar no veículo, mas nem isso adiantou, arrisco dizer que esse cheiro vai acompanhar esse carro para o resto da vida do pobre motorista.
"Ei moço, o senhor foi tão gentil, não quer um pedaço de Noni também?", a mulher ofereceu aproximando a coisa podre do meu rosto, senti uma ânsia subir pela minha garganta.
E foi aí que a Lei de Murphy se cumpriu, quando o motorista quase perdeu o controle do carro, preocupado que eu fosse vomitar no seu estofado.
"CHEGA!" O motorista praticamente gritou. "SAIAM TODOS."
"Senhor... eu", tentei me defender enquanto tentava me recuperar da ânsia.
"SAI!" Berrou. Apertei os dentes com tanta força que senti o maxilar doer.
Saí do carro irritado e bati a porta com força. O motorista, assim como eu, saiu furioso e marchou até o porta-malas, retirando as minhas malas da Prada e as jogando com força no chão.
"Filho da puta", apontei o dedo para ele. "Sabe quanto custa uma dessas?" Ele bateu as mãos, fazendo um sinal de que não se importava, claramente debochando de mim. "Não se importa, né?"
Peguei a mala que estava mais amassada, caminhei até a frente do veículo e a joguei no para-brisa, que sem dificuldade alguma se quebrou por completo.
Depois de descontar, dei um suspiro aliviado.
"DESGRAÇADO!", O homem veio na minha direção pronto para me acertar.
Ficamos dando algumas voltas ao redor do carro, enquanto ele tentava me acertar e eu tentava escapar.
"O senhor precisa ter calma, já está em uma certa idade", alertei e ele correu ainda mais furioso. "Olha só... eu não sou adepto à violência, já até caminhei ao lado da Rihanna na passeata pela paz... admito que não foi bem pela paz, mas eu caminhei.
A cada palavra que saía da minha boca, ele parecia ainda mais irritado. Nós estávamos causando um grande engarrafamento. Se ele fosse um pouco mais novo, eu já teria saído na mão com ele, mas não quero pegar quatro anos de prisão por agredir um idoso. Os carros buzinavam sem parar enquanto continuávamos nossa 'brincadeira' ao redor do carro.
Em alguns minutos, uma viatura apareceu, e eu já sabia exatamente onde isso iria me levar.
...[...]...
"Não encosta!", ralhei com o policial enquanto adentrávamos a delegacia.
"Charles!", chamou minha secretária, Analu, descendo de um carro e vindo na minha direção.
Logo, ela estava ao meu lado, me abraçando.
"Nunca imaginei que veria o senhor sendo preso", disse ela emotiva.
"Eu não estou sendo preso, só detido", esfreguei o rosto irritado.
"E o que estamos esperando?", perguntou curiosa olhando ao redor.
"A porra do delegado", me exaltei e dois policiais me encararam.
"Desculpe, desculpe", pediu por mim a eles rapidamente.
"Sabe o que é pior, Analu?", perguntei reflexivo, e ela negou com a cabeça. "A família do Noni sumiu...", falei com certa melancolia. Só de imaginar o rosto deles, o meu sangue já começava a ferver...só de lembrar que enquanto o motorista e eu corríamos ao redor do carro, aquele povo deu no pé.
"A família do Noni?", repetiu confusa.
"Esquece. Nunca mais fale sobre eles."
"Mas foi você que..."
"Shh...", fechei os olhos tentando lembrar de alguma meditação.
...[...]...
Após três horas sentado em um dos bancos desconfortáveis da delegacia, o delegado finalmente chegou. Quando o homem passou pela porta, Analu sacudiu meu braço rapidamente.
"O que foi?" perguntei a ela.
"É ele, o delegado investigador que foi na Mancini nos interrogar", sussurrou.
"Esse cara que está investigando o roubo da ideia do SmartHealth Mirror,?" ela assentiu. "Considerando o atraso, o trabalho deve ser uma bela porcaria", murmurei.
Ele olhou para mim, e dei um sorriso singelo. Em seguida, caminhou até uma sala e a adentrou. Logo, um dos policiais estava me 'empurrando' na direção dessa mesma sala.
"Não encosta!", repreendi de novo.
"Então anda mais rápido", me virei e o encarei.
Analu fez um sinal discreto com a cabeça. E eu voltei a andar.
Sou um advogado, muito bom aliás, mas às vezes esqueço disso.
Quando entrei na sala, o delegado estava encostado na cadeira lendo um papel.
"Sente-se, senhor Biancardi", assim eu fiz. "Eu sou o delegado Gabriel Ducke", estendeu a mão e eu a apertei rapidamente.
"Qual o valor da minha fiança?", fui direto ao ponto.
"Vamos ver...", começou a avaliar o papel. "O senhor está detido por dano ao patrimônio...", o interrompi.
"Artigo 163 do código penal, eu sei perfeitamente porque estou detido, o que eu quero saber é o valor da fiança".
"Certo... O valor que o senhor precisa retornar é calculado com base nos danos."
"Certo", o imitei. "Um para-brisa não deve custar mais do que 4.000 reais, e isso o mais caro porque eu tenho certeza que aquele deveria valer 600 no máximo."
"Então?", cruzou os braços.
"Então... já que estamos lidando com o artigo 163, eu gostaria de saber sobre os estragos feitos nas minhas malas da Prada. Vale ressaltar que cada uma delas vale 40.000 reais. Como vou ser compensado por isso?", O delegado estreitou os olhos e se levantou da cadeira, passando por mim e saindo da sala.
Após alguns minutos, ele adentrou novamente acompanhado pelo motorista e por um policial. Depois de uma longa discussão recheada com alguns xingamentos, finalmente resolvemos as coisas. Provei o valor das malas, e ele perdoou meu dano de 1.900 ao carro dele, e eu perdoei o dano de 80.000 causado às minhas malas. No final, tudo foi resolvido com um aperto de mão.
...[...]...
"Você avisou ao Gael que cheguei?", perguntei enquanto Analu dirigia, e eu tentava com alguma dificuldade pegar outra camisa de dentro da minha mala no banco traseiro.
"Na verdade... eu esqueci. Quando você me ligou dizendo que estava sendo detido, vim o mais rápido que consegui. Senti muito a sua..." Interrompi-a, retirando meu casaco de pele da mala, a primeira coisa que consegui pegar.
"O que você acha?" ergui-o.
"É lindo, mas será que não está muito quente para usá-lo?"
"Sim, está. Mas vou usar de qualquer jeito." Comecei a desabotoar os botões da minha camisa. Ela mordeu o lábio inferior enquanto observava.
"Vai usar só o casaco de pele?"
"Na parte de cima sim", coloquei o mesmo sem dificuldade.
"Mas o senhor sabe que existem boatos sobre a homossexualidade do senhor Mancini. Será que ir assim até a casa dele não vai causar mais problemas?" perguntou.
"Causaria, se existissem boatos sobre a minha. Fica tranquila, vai ser divertido estressar a vida dele um pouquinho", respondi enquanto ela seguia até o condomínio do Gael.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
izza1971
Estou adorando o Charles...personagem diferente...acontece se tudo com ele...🥰
2025-03-15
0
Ana Lúcia De Oliveira
muito bom
2025-03-13
0
Estrela
kkkkkkkkkk
2024-12-14
0