...Charles Biancardi: ...
..."Não se aproxime mais da minha amiga, seu idiota. Aliás, não se preocupe com a Luiza; sempre ensinei a ela que coisas pequenas, como o seu amiguinho, não valem a pena!" ...
Li e reli o recado algumas vezes.
"Alguma coisa errada, senhor Biancardi?", alternei o olhar entre o pedaço de papel amassado e o segurança que havia acabado de me entregar.
Ele parecia estar segurando uma risada.
"Você leu isso?", balancei o papel estreitando os olhos para ele.
"Nãooo, senhor", pura mentira.
"Você quer ver se isso aqui é pequeno?", sugeri, sentindo uma pitada de irritação. Falar que o nosso 'amigo' é pequeno é quase como ferir o nosso orgulho.
É claro que o meu não é pequeno como a 'Perigosa' sugeriu. Eu sei bem disso, Luiza também, mas o segurança segurando a risada na minha frente não.
"Senhor, eu...", ele parecia assustado.
"Não vá espalhar nenhum boato falso por aí", adverti, e ele assentiu. "Eu já vou." Guardei o papel no bolso e retornei ao meu caminho até a garagem.
...[...] ...
Em poucos minutos, adentrei a Mancini Enterprise. Minha interação com os outros funcionários não melhorou muito; eles ainda estavam desconfiados de mim. No entanto, percebi que alguns estavam me tratando um pouco melhor. Isso, com toda certeza, se deve ao fato de que Gael não desconfiou nem ficou receoso comigo envolvido nos assuntos da empresa. Muito pelo contrário, na verdade. Ele tem me feito trabalhar mais. Além de atuar na minha função como secretário, também tenho prestado meus serviços como advogado, principalmente quando ele me pediu para dar andamento a alguns processos contra um francês porco que havia perturbado a esposa dele.
"Preciso de um favor", disse Gael enquanto eu adentrava sua sala.
"O que seu fiel escudeiro precisa fazer dessa vez?" brinquei.
"É sobre o irmão da Sophie, preciso que você me ajude a encontrá-lo." Acho que agora podemos incluir detetive na minha pequena lista de tarefas.
"Qual é o nome do elemento?" abri o bloco de notas do tablet.
"Karl Salles", assenti, fazendo a anotação.
"Fotos? Onde morou?" Gael colocou uma foto em cima da mesa e me entregou um endereço.
"Preciso que você o encontre, descubra tudo o que..." antes que ele concluísse.
"Calma aí, eu não sou o Sherlock Holmes."
"Mas você conhece pessoas boas em fazer isso", ele está se referindo à época que eu trabalhava com o meu pai. Graças a essa época, conheci minha cota de pessoas ruins que são ótimas em encontrar pessoas; agiotas são os melhores nisso, aliás. "Posso contar com você pra fazer isso?"
"Já está contando...", balancei a foto.
"O encontre até amanhã e eu vou te dar um bônus", ergui a sobrancelha.
"Acha que pode me motivar com dinheiro?" ele assentiu. "Você está certo; vai ser um ótimo incentivo ganhar trinta mil em um mês", Gael estreitou as sobrancelhas.
"Quando eu te ofereci trinta mil?", me aproximei dele e dei um tapinha no seu ombro.
"O amor custa caro, amigo", dei risada caminhando para fora da sala dele.
...[...] ...
Após uma sessão de amassos com Analu na minha sala, decidi que finalmente era hora de ir trabalhar, ou melhor, encontrar o irmão da esposa do Gael.
"Não vai agora não", ela me puxou pela camisa.
"Mais tarde a gente continua", ela sorriu, soltando minha camisa.
"Promete?"
"Você sabe que eu não faço promessas", bufou saindo da mesa."Eu já estou indo."
"Onde você vai primeiro?"
"Já liguei para as sedes dos hotéis Bernardi, e aparentemente Karl Salles não está hospedado em nenhum deles. Agora vou até a antiga casa onde ele morava com a família."
"Posso ir com você?"
"Não. Gael pode precisar de alguma coisa, além disso, acho que vou ficar fora por algumas horas; tenho que conversar com os vizinhos também", avisei, e Analu assentiu.
Comecei a guardar as minhas coisas; senti que ela queria dizer alguma coisa, mas achei melhor não perguntar.
Logo, eu estava entrando no meu carro; já dentro do mesmo, liguei para alguns agiotas amigos do meu pai. Um deles se recusou a me ajudar, mas como ofereci dinheiro, eles se animaram para fazer esse favor.
Após conversar com eles, comecei a dirigir até o antigo endereço da família. Estacionei o meu carro próximo à casa e a observei por algum tempo; é uma casa bem pequena.
Esse é um daqueles momentos que eu me pergunto: houve felicidade aqui?
A mansão dos Bernardi sempre foi muito grande, mas não posso dizer se houve felicidade ali. Embora durante um período da minha vida eu tenha me afogado em tudo o que o meu pai me propôs, eu nunca quis ser igual a ele.
O dinheiro, o sexo, o poder...
Essas coisas sempre me agradaram, mas quando comecei a enxergar o preço que Silas queria que eu pagasse por elas, desisti.
Mas isso não significa que me tornei um monge. Apenas resolvi conquistar tudo da forma mais honesta possível, exceto em relação ao sexo, é claro. Não dá para ser cem por cento honesto nisso.
Antes de me aproximar da casa ao lado, vi o que parecia ser uma miragem caminhando em direção à frente da casa também.
Era ele: Karl Salles.
"Acho que meus trinta mil vão chegar mais fácil do que imaginei". Dei risada com esse pensamento enquanto corria na direção dele.
"Você é o Karl certo?", ele parou de andar e estreitou os olhos para mim, me olhando da cabeça aos pés.
Devo dizer que fiz o mesmo. E sendo bem sincero? Esse cara parecia ser o tipo de pessoa que roubaria a minha carteira com facilidade.
"Quem te falou isso, ovo mole?", só pode ser uma piada.
Não consegui conter a gargalhada que subiu pela garganta.
"Eu vou pedir um aumento por essa humilhação...", murmurei para mim mesmo, já imaginando quanto poderia cobrar do Gael por isso. "Escuta aqui, nessa calça não tem nada de mole, amigo", comparei o rosto da foto com a cara feia na minha frente e confirmei que eram a mesma pessoa, mesmo que o da foto estivesse em melhores condições do que esse bagaço.
"O que você quer comigo?", estufou o peito como se fosse um galo se preparando para uma briga.
Apenas por essa reação, posso concluir uma coisa: as dívidas estão batendo na porta e provavelmente ele está esperando a visita de alguns cobradores.
"Meu nome é Charles", me apresentei. "O marido da sua irmã me pediu para te procurar", ele deu uma gargalhada alta.
Eu consegui até ver a minha paciência sair voando, pensando no fato de que trinta mil ainda é pouco para ter que aturar esse cara .
"A minha irmã não é casada", afirmou. "Agora sai da frente, boneco Ken."
Ken?
"Não é possível mesmo que Sophie seja sua irmã, biltre", cuspi as palavras que aprendi durante as férias, e ele cruzou os braços.
"Você me xingou? O que diabos é bilti?", mesmo que eu não saiba a tradução dessa palavra porque esqueci de pesquisá-la, pelo menos consigo falar corretamente.
"É biltre, bebezão", zombei. "E se quer saber o significado, pesquisa no Google", dei a mesma dica que recebi e aproveitei o momento para bater uma foto da cara dele.
"Tá doido, pra que tirou essa foto?", o homem se aproximou como se estivesse se preparando para me acertar.
Medo? Claro que não. Para mim, quem mais estufa o peito é o que menos faz. Na realidade, poucas coisas conseguiram ter a proeza de me assustar.
"Para provar que fiz o meu trabalho. Mas já que você é um energúmeno, nem vou perder tempo", joguei o cartão de Gael para ele. "Caso queira falar com ela, entra em contato com ele", dei as costas e comecei a caminhar.
Um som chamou a minha atenção: alguém abrindo o portão da casa ao lado. Os meus pés começaram a perder a capacidade de andar quando eu a vi; era simplesmente a mulher mais linda que eu já havia visto em toda a minha vida.
A minha mente ficou em branco. Enquanto a imagem daquela mulher parecia ser pintada a tinta na minha cabeça, ela exibia um sorriso lindo enquanto colocava o primeiro pé para fora da segurança da sua casa; eu sentia que aquele sorriso havia sido para mim, mesmo que fosse óbvio que ela só parecia estar de bom humor.
Ouso dizer que me imaginei caminhando ao lado dela. O seu vestido verde balançava conforme a velocidade do vento.
Minhas mãos começaram a ficar úmidas enquanto uma voz sussurrava em minha mente:
..."Você vai conhecê-la e sentir que é ela."...
..."Ela vai estar usando um vestido verde."...
..."Sua vidinha de canalha vai ruir", ...
...ouvi uma risada. ...
Recuei um passo.
Pensei em começar a correr até perceber que o idiota com quem conversei alguns segundos atrás também a admirava.
Uma onda de raiva percorreu minhas veias, e comecei a caminhar na direção dela, a mulher cujo nome eu sequer sabia. Antes que eu me aproximasse, Karl correu até ela, proferindo palavras que não consegui compreender.
Surpreendentemente, ela respondeu com um gancho de direita.
Recuei um passo outra vez, preocupado de ser o próximo. Mas essa preocupação não me impediu de começar a rir da cara dele.
Karl me lançou um olhar furioso e saiu praticamente correndo. Ela parecia arrependida quando chamou o seu nome algumas vezes.
Me aproximei dela, parando de rir, mas a mesma estreitou os olhos para mim.
"Vou ganhar um daquele também?" referi-me ao soco, inclinando a cabeça na direção em que o homem estava caminhando.
"Só depende de você," murmurou distraída.
"Eu só queria te dizer o quanto você é..." antes que eu pudesse concluir o elogio, ela me interrompeu.
"Será que você pode sair do meu caminho? Estou ocupada," ela parecia continuar tentando manter os olhos em Karl.
"Pode me dizer seu nome primeiro?"
"Não. Com licença," ela se afastou, atravessando a rua rapidamente e adentrando um carro branco que ficou estacionado por alguns minutos antes que o motorista começasse a dirigir.
Acredito que nunca tenha levado um "não" tão rápido em toda a minha vida.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Lúcia De Oliveira
kkkkkkkk kkkkkkkk balançou Charles?
2025-03-14
0
Jaqueline Silva
tô amando .kkkk.
2025-03-12
0
Meire Garcia
e o garanhão vai penar na mão de Bia kkkk
2024-11-20
0