...Charles Biancardi:...
Após entrar na empresa dos Bernardi sem dificuldades, não perdi tempo e segui em direção à sala de Silas.
"Oi, Désirée...", acenei com a mão para a secretária, e seus olhos praticamente saltaram.
"Ah não", ela se levantou rapidamente, correndo para ficar na minha frente e me impedir de passar.
"O que foi?", estreitei os olhos.
"Seu pai disse...", pigarreou como se estivesse aquecendo a garganta. "Se algum deles, seja Gael, Charles ou até o próprio Papa Francisco, entrar aqui sem pedir autorização, você vai para o olho da rua", imitou desastrosamente a voz dele.
"Ele disse isso?", assentiu. "Então anuncie a ele que o Papa está aqui", pedi arrancando uma risada dela.
"Vou dizer a ele que o diabo está aqui, isso sim"
"Cruzes, eu nem tenho chifres".
"O que você não tem é jeito. O que veio fazer aqui?"
"Estou aqui a trabalho."
"Jura?", cruzou os braços, fazendo a clássica cara de 'tá pensando que engana a quem?'
"É sério, esse velho andou aprontando", reclamei. "Avisa logo que vim fazer uma visita, preciso ir no salão quando terminar aqui."
"Salão?", deu uma risada. "Vai fazer o que?"
"Voltar às minhas origens."
"Pintar de preto?", assenti. "É melhor mesmo, mais sexy."
"Eu sou sexy, Désirée. Meu cabelo é um pequeno detalhe no pacote", pisquei pra ela, e a mesma deu risada caminhando até a sala de Silas.
Enquanto aguardava Désirée, observei minha irmã saindo do elevador e caminhando em minha direção.
"O que faz aqui de novo?", a curiosidade e a esperança brilhavam em seus olhos.
"Charles", chamou a secretária se aproximando. "Ele autorizou sua entrada."
"Ótimo", murmurei, passando por elas.
Ao adentrar a sala de Silas, ele estava sozinho revirando papéis e fumando. Me aproximei da mesa dele e me sentei na cadeira à sua frente.
"Cigarro?", estendeu a caixa, e eu peguei um, colocando entre os lábios. Em seguida, retirei o isqueiro do bolso e o acendi, começando a tragar o cigarro. "Agora me diga, quando vai voltar às suas atividades? Temos muita coisa para fazer, os últimos investime...", o interrompi soprando a fumaça na sua direção.
"Estou curioso. O que fez você pensar que eu iria voltar agora depois de três anos?", Silas estreitou os olhos.
"Então não está aqui para se desculpar?", perguntou estufando o peito.
"Desculpar?", dei uma risada, tragando a fumaça novamente. "Eu nem sei o que significa essa palavra."
"Então sai daqui, seu idiota! Você é um inútil!", berrou, batendo na mesa.
Pela reação, posso concluir que a empresa está passando por algum problema e ele pensou que eu havia voltado para ajudar.
"Não é tão fácil se livrar de mim, 'papai'. Eu só vim até aqui para resolver um assunto de trabalho."
"Trabalho?", ele riu. "Não me diga que ser um secretáriozinho te dá muito trabalho", zombou.
"Você ficaria surpreso", apaguei o cigarro, pressionando-o contra as folhas de papel na mesa.
"Ei, seu imbecil, isso é um contrato importante que precisa ser revisado", bateu as folhas contra a mesa. "Afinal, o que você quer aqui?", perguntou irritado.
"Até que enfim chegamos onde eu queria. Pode me explicar o motivo pelo qual está perseguindo o avô da esposa de Gael?", notei a surpresa em seu rosto, mas ele preferiu fingir estar confuso.
"Não sei do que...", o interrompi.
"Sei que você esteve lá quando ele teve o primeiro infarto, e há gravações das câmeras do hospital provando que você foi até lá e o fez infartar de novo", o encarei exibindo um sorriso divertido.
"Você..."
"Não adianta negar. Antes de vir até aqui, peguei o histórico do rastreador do seu carro", seus olhos pareciam em chamas de ódio.
"Você é um traidor de merda."
"Vamos, 'papai', abra seu coração para mim e diga o motivo de tudo isso", o observei atentamente, tentando encontrar a resposta em seus gestos. E sussurrei: "Se estiver apaixonado por aquele velho, eu não vou te julgar. Dizem que existe gosto para tudo, afinal."
Silas parecia um cachorro louco de raiva, praticamente espumando de ódio.
"Papi", Jéssica adentrou a sala parando ao meu lado. "O que está acontecendo entre vocês?", alternou o olhar entre nós dois.
"Nada demais. Silas estava apenas me explicando por que está usando a saúde de um homem doente para perturbar a vida do Gael", ela franziu o cenho confusa.
"Isso não tem nada a ver com o estúpido do seu amigo!", berrou. "Mas logo eu vou fazer questão que ele saiba."
"Quanto mistério", ironizei, levantando-me. "Não vejo a hora de descobrir seu segredinho, papai", comecei a caminhar em direção à porta.
"Charles!", chamou, e eu parei, virando-me para trás. "Essa foi a última oportunidade que te dei para voltar. Você a desperdiçou, e agora nunca mais vou te aceitar de volta", dei risada. "É melhor não voltar mais aqui e nem ir até a mansão. Se aparecer lá, eu mesmo te mato."
Dei alguns passos na direção dele e parei na sua frente.
"Então vamos morrer abraçados, porque se eu for pro inferno, faço questão de levá-lo junto."
"Parem de brigar!", mandou Jéssica.
"Já tô indo", retomei o meu trajeto, saindo da sala dele.
...Bianca Santana:...
"Por que você não avisou que tinha voltado para casa? Nós te procuramos pela boate inteira!" Berrou Luiza, entrando em minha casa com Cassie; elas ainda usavam a mesma roupa de ontem.
"Desculpem, meninas, mas sinceramente não faço ideia do que aconteceu comigo", estendi a mão indicando para que se sentassem no sofá, e assim fizeram.
"Como assim não faz ideia?" Cassie franziu o cenho, confusa.
"Eu não consigo lembrar de quase nada de ontem", expliquei.
"Mas você nem bebeu..." Justificou Luiza.
"Você está certa, eu realmente não bebi álcool, mas alguém colocou boa noite Cinderela no meu suco", os olhos delas praticamente saltaram.
"Mas...", gaguejou. "Foi o próprio barman que trouxe, é impossível que..."
"Aparentemente, não é tão impossível", murmurei.
"Fizeram algo? Você está bem?", Cassie estava preocupada, analisando-me com os olhos.
"Fora a dor de cabeça, acho que está tudo no lugar."
"Que alívio", suspirou. "Espera aí, como você voltou para casa?", franziu o cenho, e eu fiquei sem reação.
"Um cara me trouxe", falei rapidamente.
"Um cara?" Perguntou Luiza, confusa, e assenti. "Quem era?"
"Não sei", menti.
"Como você não sabe? O cara te trouxe para casa, e você não descobriu nem o nome dele?", ela estava indignada.
"Ele não parecia ser uma boa pessoa. Prefiro nem manter contato. Aliás, tenho quase certeza de que foi esse mesmo homem que batizou a minha bebida."
"Credo, Bianca, por que ele te traria pra cá se tivesse feito isso?", perguntou Luiza.
"Disfarçar?"
"Talvez, mas você disse que não estava machucada", Cassie me analisou novamente com os olhos.
"E não estou, mas sei lá, vai que ele me gravou e pode querer me expor em algum lugar", comentei preocupada.
"Calma, minha vó sempre diz que notícia ruim chega rápido. Talvez você só tenha encontrado um cara de bom caráter".
"Tenho certeza de que o caráter daquele homem não vale um real, mas vamos esquecer isso. Como foi ontem?", elas não pareciam querer trocar de assunto, mas logo cederam.
"Tirando a parte em que estávamos nos cagando de medo porque você sumiu, até que foi legal. Cassie dançou a noite toda grudada em um bofinho musculoso", falou como se contasse um segredo, e nós rimos, mas logo ela murchou fazendo um biquinho triste.
"E por que você tá desanimada?"
"Porque eu pensei que...", me olhou pelo canto do olho, hesitando. Cassie também a observou com curiosidade.
"O que?"
"Pensei que Charles poderia aparecer por lá", soltou, e eu engasguei com a própria saliva. "Você não pode ficar chateada comigo por querer vê-lo de novo", resmungou, enquanto eu tentava me recuperar do ataque de tosse.
"Eu não tô chateada com você, é que aquele homem não parece ser confiável."
"Você não confia em nenhum homem, não, espera, quase esqueci do Karl", Cassie disse o nome dele com desprezo.
"Karl é diferente...", tentei defendê-lo.
"Uma ova, esse deve ser o pior de todos."
"Cassie", repreendi.
"Ok, ok."
Após alguns minutos de conversa e fofoca, minha mãe adentrou a sala e deu uma pequena bronca em nós três por ontem à noite. Agradeci a Deus pelo fato dela ter esquecido de mencionar Charles. Logo elas precisaram ir embora, e minha mãe me convidou para ir ao mercado com ela, na verdade, era mais para ajudá-la a carregar as sacolas.
"Mãe, já compramos muita coisa, vamos voltar", meus braços já estavam cansados.
"Ainda não, está faltando minhas castanhas da Índia. Procura por aquele lado que eu vou continuar por aqui", mandou, iniciando sua busca e me deixando para trás.
Logo comecei a caminhar também, observando as barracas coloridas com mais atenção, em busca da bendita castanha da Índia. Nesse momento de maior concentração, meus olhos identificaram uma figura familiar.
"Karl", murmurei para mim mesma, vendo ele encostado em uma barraca de roupas masculinas.
Ele não notou a minha presença. Dei alguns passos para encontrá-lo, mas antes que eu me aproximasse mais, vi uma mulher se aproximando dele, Karl a puxou pela cintura com certa violência e a beijou. Recuei alguns passos, sentindo meu coração despedaçar e virar um monte de caquinhos.
"Filha", minha mãe tocou meu ombro, me dando um pequeno susto. "Encontrei a castanha", disse animada, balançando um saquinho, mas logo franziu o cenho. "Você está chorando?"
"O que? Não!", neguei, tentando limpar qualquer vestígio de lágrima que eu pudesse ter derramado sem perceber. "Vamos?", ela assentiu desconfiada.
Logo estávamos caminhando de volta para casa, para a minha cama, para o meu travesseiro, onde eu poderia chorar sem parecer uma esquisita do mercado.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Jaqueline Silva
melhor assim ...chorar agora e sorrir no fundo ...
2025-03-12
0
Ana Lúcia De Oliveira
Luzia cismou com o Charles,
2025-03-14
0
Mary Lima
Agora ela esquece do que não presta rápido.
2024-08-22
0