...Bianca Santana: ...
A intensa pontada na minha cabeça me fez abrir os olhos com dificuldade. Tentei me acostumar com a luz ambiente, mas não foi fácil; cobri meu rosto com o travesseiro por alguns minutos.
O que aconteceu ontem? Por que sinto como se um trator tivesse passado por cima de mim?
Embora minha mente esteja confusa, tenho certeza de que não bebi uma gota de álcool. Tentei organizar meus pensamentos.
Primeiro, fui até a boate com Cassie e Luiza. Até aí, lembro bem, mas e depois?
Depois... elas foram dançar, certo? Certo!
Considerando que não sou boa em dançar, aposto que fiquei sentada o tempo todo. Mas, por que parece que bebi tanto?
Pequenos flashes vêm à minha consciência; a sensação de ser carregada paira sobre mim.
Fui sequestrada?
Tirei o travesseiro rapidamente e confirmei que estava em meu quarto, dei um suspiro aliviado. Porém, outra questão surgiu na minha mente: Como cheguei em casa?
Insisti em forçar minha consciência a me dar uma resposta, mas não recebi nada além de outra pontada forte na cabeça e uma lembrança de um par de olhos verdes me observando atentamente.
"Mamãe", choraminguei, levantando da cama.
Saí do quarto em direção ao banheiro; quando me olhei no espelho, constatei que minha aparência estava horrível e meu cabelo estava um terror, mas não me preocupei em arrumar o ninho de passarinho. Apenas joguei água no rosto, tentando afastar a dor de cabeça que parecia querer me derrubar, e em seguida escovei os dentes.
Enquanto descia os degraus, meus olhos encontraram uma figura grande sentada no sofá. Quase caí na escada com o susto. Não podia acreditar nos meus olhos; esfreguei-os para garantir que não era um pesadelo. Mas, sem dúvida, Charles estava mesmo ali, sentado no sofá da minha casa, parecia distraído mexendo em seu smartphone.
Ele invadiu minha casa!
...Charles Biancardi: ...
"Vou me atrasar", enviei a mensagem para Gael.
"Já falou com Silas sobre ele ter ido até o hospital?"
"Ainda não. Depois vou até ele quando terminar aqui.", após digitar, ergui a cabeça e deparei-me com um belo par de olhos furiosos vindo na minha direção.
...Por que parece que vou ser vítima de um assassinato? ...
...Bianca Santana: ...
Quando Charles ergueu a cabeça e vi seus olhos, tive certeza: foi ele!
Praticamente marchei em sua direção, vendo-o se levantar com um sorrisinho vitorioso no rosto, como se fosse receber um prêmio, prêmio esse que eu realmente darei a ele.
...Charles Biancardi: ...
"Bom d...", antes que pudesse cumprimentá-la, ela ergueu a mão pronta para acertar um tapa em meu rosto, mas com agilidade eu a segurei.
Como pode ser tão bonita e antipática ao mesmo tempo?
"Olha só", comecei, aproximando meu rosto do seu para que as minhas palavras ficassem claras; sua respiração estava próxima o suficiente para atrair meu olhar para os seus lábios. "Não é só porque eu tenho uma quedinha por você que pode me bater quando sentir vontade", rosnei.
Mas confesso que senti vontade de atacar seus lábios e finalmente saber como seria beijá-la.
"O que você fez comigo?", seu tom acusatório me deixou confuso.
"Eu acho que 'você' que deveria me responder essa pergunta, dona Florinda."
"Filha, você já acordou?", a mãe dela adentrou a sala com uma bandeja nas mãos, e nos distanciamos disfarçando a proximidade.
...Bianca Santana: ...
Estranhei a calmaria da minha mãe, mesmo com um homem estranho parado literalmente no meio da sala. Alternei o olhar entre ela e o loiro, confusa; era impossível que ela não tivesse notado sua presença, pois ele mais parecia um porte do que um ser humano.
"Mãe, o que esse estranho faz aqui?", perguntei em um sussurro enquanto me colocava ao lado dela.
"Ah, querida, não se preocupe com Charles; ele é um bom menino."
Ambos a olhamos com a expressão de "Como assim?". O cretino nem conseguia disfarçar que não merecia esse título.
Um bom menino? Tá mais para um bom mentiroso!
"Mãe, você está errada; esse cara é...", como posso dizer algo sem envolver Luiza em minha acusação?
Charles estreitou os olhos para mim, aparentemente curioso com as palavras que poderiam vir a seguir.
"Besteira", minha mãe deu de ombros, colocando uma xícara de café na mesinha.
"Não é", resmunguei, me abaixando para pegar a xícara que provavelmente seria para mim, mas minha mãe deu um tapa na minha mão. "Mãe!"
"É para o nosso convidado", alertou, sentando ao lado dele. "Pega, querido, fiz até um bolinho de chocolate; espero que goste", minha mãe sorriu para ele como se estivesse num chá com as amigas. E o pior? Charles olhou para mim e soltou um sorriso, seus olhos brilharam na direção dela.
"Muito obrigado, senhora Casilda", agradeceu, levando a xícara à boca com satisfação. "É uma delícia", elogiou, me observando.
"Ainda não entendi o que você tá fazendo aqui", murmurei cruzando os braços.
"Como não? Foi Charles que te trouxe para casa ontem à noite."
...Charles Biancardi: ...
Uma boa câmera fez falta para registrar o espanto na cara de Bianca. Apenas sorri com a sua reação, levando mais uma vez a xícara aos lábios.
"Como assim 'ele' me trouxe?"
"Bom, Charles pode explicar melhor, mas parece que você foi dopada", disse a senhora Casilda. "Acredite, eu levei um tremendo susto quando ele disse seu nome, até porque pensei que você estava em uma certa 'festa do pijama'", deixou claro que ela mentiu sobre onde estaria.
"Mentindo pra sua mãe, que coisa feia Bianca", repreendi com certa diversão.
A mulher me fuzilou com os olhos.
"Será que dá pra você não se meter?", neguei com a cabeça e vi seu rosto ficar vermelho. "Seu..."
"Filha!", repreendeu Casilda. " Não trate ele assim, te ajudou muito, temos que ser gratas, aliás muito obrigada novamente Charles, obrigada também por vir hoje e como pode ver, Bianca está muito bem", deu um sorriso gentil.
Ao que parece, a filha não herdou a gentileza da mãe. É uma pena.
"Não precisa agradecer, senhora, fico feliz que ela esteja bem", me levantei do sofá colocando as mãos nos bolsos. "Mas eu realmente preciso voltar ao trabalho agora."
"Claro, nós já tomamos muito seu tempo, volte mais vezes por favor...Bianca acompanhe ele até o carro", mandou, e a filha a olhou em completa confusão.
"Mãe?", a senhora Casilda não respondeu e apenas pegou a bandeja e caminhou de volta à cozinha.
Bianca respirou fundo.
"Vamos", resmungou passando na minha frente.
Nós caminhamos até a frente da casa onde meu carro estava estacionado. Ela abriu os braços, apresentando o veículo como se estivessemos numa concessionária.
"Chegamos ao seu destino 'bom menino', mas espero que saiba que eu não acreditei em nenhuma palavra que você disse", estreitei os olhos me aproximando dela.
"Me diz uma coisa...", comecei. "Qual é a sua birra comigo?", pra mim, essa é simplesmente a pergunta do milhão. Desde que a conheci, tenho a tratado bem, mas por algum motivo, ela é mais ácida que um limão.
Bianca deu um sorriso sarcástico.
"Talvez eu só não goste de loiros falsificados.", não consegui conter a risada.
Então seu problema é com loiros... interessante, Princesa.
A deixei para trás adentrando o carro com meus pensamentos.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Ana Paula
as vezes me pego rindo desses dois kkk
2025-04-01
0
Ana Lúcia De Oliveira
Charles conquistou a sogra
2025-03-14
0
Raquel Martins
Todo romance que leio as moças têm problemas nessas baladas🙄
2024-10-21
0